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Contra previdência de Bolsonaro, metalúrgicos fazem passeata no ABC

Secretário-Geral da CUT, Sérgio Nobre, destacou que é preciso também pressionar os parlamentares nas ruas e nas redes. Ato também foi em solidariedade aos metalúrgicos da Ford

Publicado: 22 Março, 2019 - 10h20 | Última modificação: 22 Março, 2019 - 11h28

Escrito por: Érica Aragão

Roberto Parizotti/CUT
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Nesta sexta-feira (22), Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência, organizado pela CUT e demais centrais, os metalúrgicos e metalúrgicas da Ford e da Mercedes-Benz fizeram uma passeata pela cidade de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC 06/2019) prevê o aumento do tempo de contribuição de 15 para 20 anos e  a obrigatoriedade da idade mínima para o acesso à aposentadoria (65 anos para os homens e 62 para as mulheres) com um período de transição de apenas 12 anos para eles e 10 anos para elas. Além disso, tem mudanças no cálculo do valor do benefício que reduzem muito o valor da aposentadoria. 

No ABC, o ato também foi em solidariedade aos trabalhadores e as trabalhadoras da Ford, que estão lutando pra manter seus empregos e contou com a participação de trabalhadores e trabalhadores de diversas categorias profissionais. O  isso, o dia ainda nem tinha clareado e os trabalhadores e as trabalhadoras da Mercedes e outras categorias já estavam na porta da montadora prontos para a caminhada até a Ford, onde se encontraram com os quase 4 mil trabalhadores, que estão parados desde o dia 19 de fevereiro, quando a direção da empresa no Brasil anunciou o fechamento da unidade.

Durante o percurso, entre a Avenida 31 de março, portaria central da Mercedes, e a Avenida Taboão, onde fica a Ford, os discursos dos diretores do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) para a população foram focados nos ataques do governo de Jair Bolsonaro (PSL) contra os direitos e à Previdência Social e também sobre a importância da luta contra o fechamento da multinacional, que impactará 30 mil pessoas, direta e indiretamente na Região do ABC.

Roberto ParizottiRoberto Parizotti

“Hoje tem mobilização contra a reforma da Previdência em todas as capitais e em mais de 120 cidades do Brasil e o nosso recado é claro: é muito grave o que está acontecendo. Se essa proposta do Bolsonaro passar nos teremos que trabalhar até morrer e não podemos permitir”, disse o Secretário-Geral da CUT, Sérgio Nobre.

“Estamos na rua aqui do ABC pra lutar pela permanência da Ford em São Bernardo do Campo, porque os impactos não serão só para os trabalhadores da Ford e sim para toda cidade, que aliás já está sentindo o efeito desta tragédia que a Ford está querendo fazer. Somos sensíveis a luta dos companheiros”, afirmou Sérgio, no caminhão quase chegando na porta da multinacional. Os trabalhadores da Mercedes aplaudiram os metalúrgicos da Ford pela luta.

Aos gritos de “trabalhador unido jamais será vencido” milhares de trabalhadores das duas empresas se juntaram para seguir na caminhada por direitos e empregos. Antes, o presidente do SMABC, Wagner Santana, o Wagnão, consultou os trabalhadores sobre a continuação da caminhada até a Praça Rudge e a proposta foi aprovada por unanimidade.

Wagnão disse que as duas lutas - pela aposentadoria e pelos empregos na Ford - são de todos e todas. “Na luta por direitos não há arrego!”, afirmou.

O que pode salvar o Brasil é cobrar das empresas a dívida da Previdência e fazer uma auditoria nas dívidas públicas e não mexer nos direitos e no emprego do povo
- Wagner Santana

Wagnão também atualizou como está a luta na Ford. “Estamos acompanhando as negociações pela venda da fábrica, que pode preservar os empregos. Agora a novidade, que acabamos de saber, é a confirmação de quinta às 18h terá uma reunião com o governador [João Dória, do PSDB] para garantir os empregos da Ford. Não importa quem é o patrão, a empresa tem que ficar e os empregos também”.

 

O presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, lembrou que, demonstrando a unidade das categorias profissionais, professores, servidores, bancários e outras que estavam no ABC unidas na luta pela aposentadoria e pelo empregos dos companheiros e companheiras da Ford. 

"Vale lembrar que estamos em todas as grandes capitais com a luta. Temos paralisações e mobilizações em várias cidades do interior. Nós estamos fazendo o enfrentamento em todo o estado de São Paulo contra reforma da Previdência de Bolsonaro".

"E a luta continua à tarde com as frentes e centrais sindicais em ato unificado na Avenida Paulista", disse Douglas.

Ninguém solta a mão de ninguém
- Douglas Izzo
Roberto ParizottiRoberto Parizotti
Douglas Izzo e Sérgio Nobre durante caminhada no ABC 

O Secretário-Geral do SMABC, Aroaldo Oliveira, falou sobre a importância da luta para manter os empregos da Ford  no ABC. Segundo ele, a região já tem 100 mil desempregados e se a Ford mantiver a decisão de fechar a unidade, serão 130 mil chefes de famílias sem emprego e renda. Além disso, alertou, "a cidade deixara de arrecadar 300 milhões e a sociedade sofrerá os impactos".

Some esses impactos aos que serão gerados se a reforma da Previdência de Bolsonaro for aprovada e o cenário será ainda pior. “Essa mudança da Previdência vai mudar a forma de vida de todos. A cada ano está subindo o número de pobreza e com a mudança aumentará ainda mais o número de miseráveis"

Quando você acaba com as perspectivas de assistência social você condena a miséria
- Aroaldo Oliveira

" Eles querem acabar com a perspectiva de assistência. Vai mudar a vida de todo mundo, Inclusive de quem já é aposentado, porque essa proposta tira a obrigatoriedade do reajuste todos os anos”, concluiu o secretário- geral do SMABC.

Várias categorias e parlamentares estiveram presentes na passeata. Outras centrais também vieram prestar solidariedade e lutar contra a reforma da Previdência.

O coordenador do Comitê Sindical de Empresa (CSE) da Mercedes, Angelo Máximo de Oliveira Pinho, o Max, contou que o governo colocou como urgente a reforma no congresso e que os trabalhadores também colocaram como prioridade a luta contra essa nefasta reforma.

“O que eles estão propondo é um massacre contra os trabalhadores. Essa luta não é só dos trabalhadores e prestadores de serviço da Mercedes e sim de toda sociedade, porque todos sofrerão os impactos”.

Max lembrou que hoje às 17h na Avenida Paulista os metalúrgicos e metalúrgicas da também estarão presentes.

“Hoje não é o único dia de luta. Iremos lutar todos os dias pra manter nossos empregos e direitos”, finalizou.

Sérgio Nobre também falou que é preciso pressionar os deputados e senadores, tanto pela internet quanto na casa e nos bairros de cada parlamentar.

“Tem que pressionar os deputados e senadores pelo 'na pressao' da CUT e também ir na porta da casa deles. Aqui em SBC tem o Alex Manente, que sempre vota contra nós, porque hoje é a previdência e se não lutarmos depois sera a carteira verde amarela que vai tirar todos os direitos da classe trabalhadora e não podemos permitir”, finalizou Sérgio.