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Contar lança cartilha sobre as condições salariais das trabalhadoras rurais

Material foi produzido para dar luz à grave situação das mulheres no mercado de trabalho rural e os desafios para participação na vida sindical

Publicado: 10 Junho, 2021 - 15h06 | Última modificação: 10 Junho, 2021 - 16h08

Escrito por: Rosely Rocha

Conar / Divulgação
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Diariamente milhares de mulheres trabalhadoras do campo no Brasil sofrem a dura realidade de não terem seus direitos garantidos e sequer reconhecidos, mostra um levantamento da Confederação dos Assalariados Rurais (Contar).

A exclusão dessas trabalhadoras, segundo a entidade, é um problema complexo que precisa ser analisado a partir de diversas perspectivas, sobretudo considerando que muitas das mulheres que vendem sua força de trabalho no campo sequer são consideradas empregadas. Por esses motivos, a entidade lançou nesta quinta-feira (9), a  cartilha “Diálogos das Assalariadas Rurais”, um material inédito, multimídia com vídeo, texto e áudios.

A ideia é dar visibilidade a essas mulheres, relatar situações, oferecer ferramentas para os movimentos sindicais dialogarem com as trabalhadoras e os trabalhadores, e permitir a construção de estratégias que possam modificar este cenário e assegurar a essas trabalhadoras dignidade e respeito pelos seus direitos.

“Estamos reafirmando o protagonismo das assalariadas rurais. A ferramenta que lançamos é para servir de instrumento de luta de todas mulheres” , afirma Maria Helena, secretária de gênero e geração da CONTAR.

Para a Contar o material é um ponto de partida para que todos e todas possam conhecer a realidade da mulher assalariada rural brasileira e a sua assustadora vulnerabilidade à violações de direitos humanos, como o trabalho escravo. É, ainda, uma excelente ferramenta para que permitirá a construção de estratégias que possam modificar este cenário e assegurar a estas trabalhadoras , dignidade e respeito pelos seus direitos.

Além dos dados econômicos e sociais sobre a vida das trabalhadoras rurais, a  cartilha também traz entrevistas com a pesquisadora Natália Suzuki, do “Escravo nem pensar” da ONG Repórter Brasil; a tesoureira da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Pernambuco (FETAEPE), Cristiana Andrade; a  sindicalista Fernanda Almeida, que trabalha no setor de ovinocultura e bovinocultura na região sul do país; e Jaqueline Leite, que faz parte do Comitê Latino Americano de Mulheres da UITA – CLAMU.

Mulheres têm maior escolaridade e ocupam menos vagas

A diferença salarial também é sentida pelas trabalhadoras rurais. Apesar de possuírem um grau de escolaridade maior que os homens elas ganham 5% a menos. Enquanto eles recebem em média R$ 1.214,00, as mulheres recebem em média, R$ 1.159,00, mensais.

Atualmente, dos quatro milhões de empregos existentes no campo, apenas 11% são ocupados pelas mulheres. De acordo com os dados do Censo Agropecuário do IBGE, em 2017, havia 4,0 milhões de trabalhadores empregados no campo, dentre os quais apenas 477 mil eram mulheres.

Dados mais recentes obtidos pela Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD Contínua), referente apenas ao terceiro trimestre de 2020, apontaram o mesmo panorama, tendo em vista que do total de assalariados empregados naquele período, 2,7 milhões eram homens e apenas 346 mil eram assalariadas rurais. Deste total, o índice de trabalhadoras informais chega a 48%. Ou seja, 166 mil trabalham sem vínculo formal e sem quaisquer direitos.

Este é um dos fatores que acaba as excluindo do alcance de políticas públicas importantes como o combate ao trabalho escravo. Segundo dados do programa “Escravo nem pensar”, 95% dos resgatados do trabalho escravo são homens e 5% de mulheres, o que é um desafio, pois, muitas vezes, é negado à própria mulher a condição de empregada.

Um exemplo de que como as mulheres são excluídas deste mercado de trabalho ocorre em Pernambuco, no corte de cana. Segundo, Cristiana Andrade, dirigente da FETAEPE, nem mesmo o acordo coletivo firmado entre as empresas e os trabalhadores está sendo cumprido.

“ Nossa acordo é para a contratação de 20% de trabalhadoras, mas as empresas só contratam via terceirizadas, que não assinam a carteira de trabalho e ficamos sem direitos. Por isso, esse material será de grande utilidade para o movimento sindical que tem tido dificuldade em trazer essas mulheres para a luta e discussão que buscam a melhoria das condições de trabalho e de vida”, diz Cristiana.

Para ler a cartilha clique aqui.

O material também estará disponível no site da CONTAR e nas redes sociais e nos sites dos parceiros UITA e OXFAM-Brasil.