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Contag reage à especulação de taxa de juro para o Pronaf ser maior do que Selic

Se taxa de juros para Plano Safra 2020/2021 for maior que Selic, "vamos reagir e denunciar a insensibilidade e a falta de reconhecimento e de valorização dos povos do campo, da floresta e das águas", diz Contag

Publicado: 08 Junho, 2020 - 11h21

Escrito por: Redação CUT

Contag/Foto divulgação
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A direção da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) divulgou nota repudiando a possível taxa de juros que poderá ser aplicada para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), Plano Safra 2020/202, que deve ser anunciado no final deste mês pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A informação sobre a taxa de juros, publicada com exclusividade pelo Canal Rural, chocou as direções da Contag e suas Federações e Sindicatos filiados. De acordo com a publicação, a taxa de juros aplicada seria de 3% a 4% ao ano, enquanto a taxa Selic – taxa básica de juros do país - está em 3% e com possibilidades reais de sofrer, em breve, novas reduções já que a recessão econômica paralisou a economia. 

A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para outras taxas de juros, como os de financiamentos, e também para remunerar investimentos corrigidos por ela. A Selic não representa os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos, mas todos, menos o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) reconhecem a importância de proteger a agricultura familiar contra juros absurdos cobrados no Brasil.

Em trecho da nota a Contag ressalta exatamente isso: “A agricultura familiar precisa ser vista como uma estratégia de Nação, precisa ter incentivos para a produção de alimentos saudáveis, para desenvolver e gerar renda e empregos nos pequenos e médios municípios”.

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), inclusive, lançou a campanha da Década da Agricultura Familiar e está trabalhando pela valorização e fortalecimento deste segmento que, no Brasil, produz alimentos saldáveis que chegam à mesa de mais de 70% da população brasileira. O governo brasileiro assumiu publicamente o compromisso com a FAO e não é possível que isso fique na retórica apenas, diz a direção da Contag.

A entidade diz que, se essas taxas de juros se confirmarem, haverá reação. “Vamos reagir e denunciar a insensibilidade e a falta de reconhecimento e de valorização dos povos do campo, da floresta e das águas”, diz trecho da nota.

“Juros nesses níveis impactarão negativamente a produção de alimentos da agricultura familiar e trará graves consequências, com riscos iminentes de desabastecimento e a elevação dos preços dos alimentos”, concluem di dirigentes da Contag.