• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

Construção Civil perde 152 mil postos de trabalho em um ano e salários caem

Operação Lava Jato e falta de investimentos são responsáveis pela paralisação de grandes obras de infraestrutura no país e pelo desemprego do setor, diz vice-presidente da Conticom

Publicado: 03 Dezembro, 2018 - 11h32 | Última modificação: 03 Dezembro, 2018 - 12h19

Escrito por: Rosely Rocha

Reprodução
notice

A crise na construção civil que, em apenas um ano, demitiu 152 mil trabalhadores é resultado da paralisação de grandes obras no país, após o início da Operação Lava Jato, da falta de investimentos públicos e privados, especialmente depois do golpe de 2016, dos cortes em programas como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), além das taxas recordes de desemprego.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente no último trimestre encerrado em outubro deste ano, o número de trabalhadores e trabalhadoras do setor caiu 2,2% em comparação com o mesmo período de 2017.

Os maiores responsáveis pela crise, que teve início em 2014, são a Operação Lava Jato, que causou prejuízos bilionários à economia do país, com projeção de um impacto negativo de mais de três pontos percentuais no Produto Interno Bruto (PIB) até 2019, e a diminuição dos investimentos em obras de infraestrutura, sobretudo na habitação popular, explica o vice-presidente da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadoras nas Indústrias da Construção e da Madeira filiados à CUT (Conticom), Luiz Carlos José de Queiroz.

“Após a Operação Lava Jato todos os segmentos de infraestrutura e as grandes obras pararam”, afirma. Ao contrário do que acontece em outros países, o suposto combate a corrupção no Brasil atacou as empresas e não os empresários corruptos, lamenta o dirigente.

“E para agravar ainda mais a crise, tivemos o golpe de 2016 que colocou no governo um presidente ilegítimo e sem compromissos sociais e trabalhistas, que diminuiu os investimentos em programas importantes, como o Programa Minha Casa, Minha Vida, que, além de garantir moradia a quem não tem, gera emprego, renda e ajuda a girar a economia”, diz Luiz Carlos.

Ele lembra ainda da crise no setor imobiliário que, afetado pela falta de investimentos, de crédito e pelas altas taxas de desemprego, praticamente deixou de fazer lançamentos de empreendimentos. “As pessoas estão perdendo seus empregos, não conseguem pagar os empréstimos e devolvem as moradias que acabaram de comprar”.

Entre janeiro e março deste ano, o número de devoluções chegou a 7.025 imóveis, pouco mais da metade dos 13 mil lançamentos realizados pelo mercado no mesmo período, segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

Ainda de acordo com o vice-presidente da Conticom, mesmo as poucas e novas construções de moradias andam em ritmo lento. As obras que antes contratavam 100 trabalhadores, hoje contratam apenas 20.

“Os empresários preferem aguardar as vendas das unidades para acelerar a obra ou esperam sair o financiamento da Caixa Econômica Federal para contratar mais gente”.

Precarização do trabalho

A reforma Trabalhista aprovada pelo ilegítimo Michel Temer precarizou ainda mais as condições de trabalhado no setor. Segundo o vice-presidente da Conticom, a contratação por trabalho intermitente, legalizada pela nova lei, já é uma triste realidade na construção civil.

“Hoje em dia as empresas terceirizadas, como as marmoarias, que prestam serviços para as construtoras, já querem que seus funcionários tenham CNPJ, sejam pejotizados, para que não precisem pagar FGTS, 13º, e outros direitos trabalhistas”, critica Luiz Carlos.

“Tem trabalho externo que não pode ser feito na chuva e os patrões não querem pagar pela empreitada, como era antes, querem pagar somente o dia. Isso acaba com o ganho do trabalhador”.

Segundo a PNAD Contínua, a média dos salários dos trabalhadores da construção civil caiu de R$ 1.755,00 para R$ 1.713,00 (menos 2,4%) no último ano.

Para piorar a situação dos trabalhadores, segundo o dirigente, empresas estão apelando às práticas antissindicais, impedindo homologações nos sindicatos, coagindo funcionários a não procurarem seus direitos na Justiça do Trabalho, mexendo em decisões acertadas em convenções coletivas, como o direito ao café da manhã e da tarde e a cesta básica.

“A desinformação do trabalhador quanto aos seus direitos, após a reforma Trabalhista, é muito grande e os patrões se aproveitam disso para intimidar os trabalhadores”, alerta Luiz Carlos.

carregando
carregando