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Conferência da CSA aprova declaração sobre o racismo no Brasil

Declaração fala sobre o racismo estrutural, a morte de João Alberto Freitas em uma unidade do Carrefour e sugere ações concretas contra o racismo no Brasil  

Publicado: 02 Dezembro, 2020 - 17h37 | Última modificação: 03 Dezembro, 2020 - 09h55

Escrito por: Redação CUT

Reprodução
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Os mais de 200 dirigentes sindicais de 20 países que participaram da Conferência Continental da Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Américas (CSA) aprovaram por unanimidade o roteiro 2021-2025 para o fortalecimento e transformação dos sindicatos.

Foram aprovadas também três declarações: uma contra o racismo no Brasil, outra expressando pesar pela morte de Maradona dirigida ao povo argentino e uma última, condenando femicídio no México.

A declaração sobre o racismo começa lembrando que o Brasil é o país com a maior população de afrodescendentes fora do Continente africano, que atualmente, 56% de população brasileira se declara de cor negra, porém não desfruta dos mesmos direitos humanos e políticos dos cidadãos brancos e encerra solicitando que o Grupo de Trabalho de Peritos sobre Pessoas de Origem Africana do Conselho de Direitos Humanos da ONU receba uma comissão brasileira formada pela CUT e organizações do movimento negro para discutir ações concretas para que o governo reconheça e tome providências para eliminar o racismo da sociedade brasileira.

“A falsa abolição da escravatura aconteceu em 1888, mas os seus efeitos ainda são sentidos devido ao racismo estrutural que se instalou com o mito da democracia racial. As estatística são alarmantes”, diz trecho da declaração.

“No trabalho, os negros recebem em média salários 40% menores do que os brancos, são mais vulneráveis ao assédio moral e são 29% dos que estão sem emprego ou trabalhando menos do que gostariam. Além disso, são 73% das vítimas de homicídio e esse número sobre para 78% se a morte for em confronto com a polícia. As mulheres negras são 56% das vítimas de mortalidade materna e 65% da violência obstétrica, e são 43% das pessoas que vivem no Brasil sem rede de esgoto”, diz o documento, que lembra a morte de João Alberto Freitas, foi assassinado por seguranças em um supermercado da rede Carrefour no estado do Rio Grande do Sul, e que a ONU condenou racismo estrutural no Brasil após o assassinato.

“Porém, como a situação do Brasil é extremamente grave, pedimos que seja solicitado ao Grupo de Trabalho de Peritos sobre Pessoas de Origem Africana do Conselho de Direitos Humanos da ONU receba uma comissão brasileira formada pela CUT e organizações do movimento negro para discutir ações concretas para que o governo reconheça e tome providências para eliminar o racismo da sociedade brasileira”, segue o documento que pede também que “o governo faça todos os esforços em relação à necessidade urgente de colocar os direitos humanos dos afrodescendentes no centro das políticas públicas, redobrando os esforços para propor e promover medidas mais eficazes de combate ao racismo e à discriminação”.

“Por fim, implantar o Consenso de Montevidéu sobre População e Desenvolvimento, instrumento regional que sintetiza os compromissos cujo cumprimento contribui de maneira fundamental para o alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 para não deixar ninguém para trás”, finaliza a declaração da CSA.

Leia aqui a íntegra da declaração original:

Descargar aquí la Declaración sobre el Racismo