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Com quase 3 mil mortes em 24 horas, Brasil vive maior colapso hospitalar da história

País registra 2.841 mortes em 24h. A situação é crítica em várias partes do país, onde 22 estados mais os Distritos Federais têm alta de óbitos

Publicado: 17 Março, 2021 - 11h12

Escrito por: Redação CUT

Ingrid Anne/Fotos Públicas
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O descontrole da pandemia do novo coronavírus no Brasil está empurrando o país para o maior colapso sanitário e hospitalar da história, de acordo com o boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em 24 horas país registrou mais um recorde de mortes nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina – um brasileiro ou brasileira morreu a cada 30 segundos, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). 

Foram registrados 2.841 óbitos entre a segunda-feira (15) e a terça-feira (16), totalizando 281.626 vidas perdidas desde o início da pandemia, segundo o Conass e 282.400, segundo o consórcio de imprensa. Mais de 84.362 novas contaminações foram registradas em 24 horas, totalizando 11.603.971. A taxa de expansão de novos infectados aumenta num ritmo duas vezes superior à média mundial.

A situação é crítica em várias partes do país, onde 22 estados mais o Distrito Federal têm alta de mortes. Foi o maior aumento registrado em um dia - até então, era da última quarta-feira (14), quando foram registrados 2.286 óbitos.

Falta tudo

Com o país registrando taxas recordes de mortes e contaminações, falta de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e até de enfermarias, o isolamento social endo desrespeitado por parte da população mesmo em cidades em que os governadores atuam firmemente para conter a transmissão do vírus, faltam vacinas e pelo menos quatro capitais do Nordeste anunciaram que a imunização contra a Covid-19 está suspensa por falta de doses.

 A imunização foi paralisada em Aracaju, João Pessoa, Maceió e Natal, segundo levantamento do UOL.

Das 27 unidades federativas, 24 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de UTI-Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) iguais ou superiores a 80%, sendo 15 com taxas iguais ou superiores a 90%. Em relação às capitais, 25 das 27 estão com essas taxas iguais ou superiores a 80%, sendo 19 delas superiores a 90%.

Brasil ultrapassa EUA na média móvel

Com os números das últimas semanas, o Brasil já ultrapassou os EUA na média móvel por Covid-19. O país americano registra atualmente menos de metade das mortes diárias de janeiro, enquanto o Brasil está perto de triplicar o total de vítimas.

No pior momento da pandemia, em janeiro deste ano, os EUA chegaram a registrar a média móvel de 3.422 óbitos por dia. Porém, esse número começou a cair de forma constante, até os dias de hoje, enquanto o Brasil fez o caminho inverso.

O Brasil somou mais de 20% das mortes em decorrência do novo coronavírus entre todos os países do mundo na última semana.

Situação crítica em SP, Paraná, Rio Grande do Sul

O estado de São Paulo, onde as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) estão lotadas com pacientes de Covid-19, bateu recorde de mortes em toda a pandemia. Foram 679 mortes em 24 horas no estado. O pico de mortes anterior em São Paulo havia sido registrado na sexta-feira (12), com 521 mortes. Cerca de 23% dos pacientes que chegam para ser internados na capital, são do interior.

No estado de São Paulo, pelo menos 77 pessoas com Covid-19 ou suspeita da doença não resistiram à espera por um leito de UTI e morreram até esta terça-feira (16). Foram 45 mortes só nos últimos 16 dias.

Os dados mostram que a pandemia no estado de São Paulo está atingindo um momento crítico, que já tem um recorde de 24.992 internados, sendo 10.756 em UTI e 14.236 em enfermaria.

Outros três estados tiveram recorde de mortes nesta terça-feira (16), o Rio Grande do Sul, com 501, Paraná, 307, e Santa Catarina, com 167. Nove estados têm recorde da média móvel de mortes, são eles: Acre (10), Goiás (125), Mato Grosso (55), Mato Grosso do Sul (25), Paraíba (41), Rio Grande do Sul (253), Santa Catarina (113), São Paulo (400) e Tocantins (16).

Rio Grande do Sul também registrou recorde, a média móvel foi de 501 óbitos ao longo do último dia. Os números desta terça-feira ainda podem sofrer variações em razão de eventuais registros represados do fim de semana.

No Paraná, a quantidade de vítimas chegou a 307. Subiu para 13.826 o número de mortes causadas pela Covid-19 no Paraná. Ao todo, são 764.529 casos confirmados desde o início da pandemia.

Fiocruz alerta para risco de colapso no Sudeste

Com o recorde de internações e mortes no Sudeste, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alerta para o risco de colapso das redes pública e privada de saúde da região Sudeste nas próximas semanas “se as medidas restritivas não forem revistas”.

De acordo os pesquisadores da fundação, três fatores são determinantes para esse cenário: mutabilidade do vírus, falta de vacinas e medidas restritivas pouco rígidas.

Três dos quatro estados da região Sudeste possuem leitos de UTI para Covid-19 com ocupação acima de 85%. O Rio de Janeiro se encontra com 78,8% de ocupação de UTI. Já as capitais Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, estão com ocupação de UTI para Covid-19 em 89,2%, 91% e 88,4% respectivamente.