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Com a CPI da Covid no encalço de militares, Braga Netto ameaça as eleições de 2022

Gleisi Hoffman e Humberto Costa querem que general explique ameaças no Congresso Nacional. Renan diz que general ‘é elemento perigoso para a democracia’

Publicado: 22 Julho, 2021 - 16h19 | Última modificação: 22 Julho, 2021 - 16h51

Escrito por: Redação CUT

Agência Brasil
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No momento em que a CPI da Covid descobre o envolvimento de diversos militares nas negociações para a compra de doses de vacinas contra a Covid-19 com cobrança de propria, o ministro da Defesa, general Braga Netto, sobe o tom e ameaça a democracia brasileira usando como desculpa a defesa do voto impresso, bandeira do presidente Jair Bolsonaro (ex-P)SL).

De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta quinta-feira (22), Braga Netto mandou um interlocutor avisar o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) “que não haveria eleições em 2022, se não houvesse voto impresso”.

Em poucas horas, o general desmentiu o jornal, que manteve a informação, Lira saiu pela tangente, a deputada  Gleisi Hoffman (PT-PR) e o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmaram que o general tem de explicar as ameaças no Congresso Nacional e o deputado Renan Calheiros (MDB-AL), da CPI da Covid, disse que general ‘é elemento perigoso para a democracia’

Braga Netto disse por meio de nota que “não se comunica com os Presidentes dos Poderes, por meio de interlocutores” e acusou o Estadão de publicar  uma “desinformação que gera instabilidade entre os Poderes da República, em um momento que exige a união nacional”. O Estadão manteve as informações publicadas.

Já Lira, que segundo o jornal considerou o recado dado por Braga Netto como uma ameaça de golpe e procurou Bolsonaro e, de acordo com relatos obtidos pela reportagem, disse ao presidente que não contasse com ele para qualquer ato de ruptura institucional, se maniestou pelo Twitter, mas não confirmou nem negou o fato narrado pelos jornalistas.

“A despeito do que sai ou não na imprensa, o fato é: o brasileiro quer vacina, quer trabalho e vai julgar seus representantes em outubro do ano que vem através do voto popular, secreto e soberano”, escreveu. “A últimas decisões do governo foram pelo reconhecimento da política e da articulação como único meio de fazer o País avançar”, disse Lira no seu perfil.

Ambos, porém, negaram a ameaça às eleições do próximo ano em conversa com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso.

"Conversei com o Ministro da Defesa e com o Presidente da Câmara e ambos desmentiram, enfaticamente, qualquer episódio de ameaça às eleições. Temos uma Constituição em vigor, instituições funcionando, imprensa livre e sociedade consciente e mobilizada em favor da democracia", escreveu o magistrado no Twitter. 

Repercussão no parlamento

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que Braga Netto é “um elemento perigoso para a democracia” e que deve ser exonerado “o quanto antes”, segundo a RBA.

“Braga Netto se revela: foi colocado onde está exatamente para isso, para ameaçar as instituições democráticas”, disse Renan, que ocupou por três mandatos a presidência do Senado.

“Bolsonaro quer manter a sociedade refém de sua obsessão continuísta. A população não o quer mais, mostram as pesquisas. O Congresso não deve admitir isso. O Senado, a Câmara dos Deputados e o Judiciário não podem ser ameaçados”, acrescentou o parlamentar pelas redes sociais.

O deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (sem partido-RJ) também se manifestou contra o arroubo golpista do general da reserva. Ele disse esperar manifestações de Braga Netto e dos três chefes das Forças Armadas sobre a suposta ameaça.

Ele lembrou que nasceu no Chile, em função da perseguição da ditadura ao seu pai, o vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia. Contudo, a família também presenciou, em terras chilenas, o golpe do general Augusto Pinochet contra o então presidente Salvador Allende. “A história é implacável” e “insiste em se repetir”, disse Maia.

“Lá, um dos epicentros da crise que levou ao golpe foi a mudança no comando do Exército. Por aqui, o presidente tirou um general legalista, Fernando Azevedo, e o substituiu por um general personalista (Braga Netto), que faz tudo o que ele deseja”, complementou.

O presidente do Senado Rodrigo Pacheco (DEM-MG) afirmou pelo Twitter que “seja qual for o modelo, a realização das eleições não está em discussão”. “Isso é inegociável. Elas irão acontecer, pois são a expressão mais pura da soberania do povo. Sem elas, não há democracia, e o país não admite retrocessos”, apontou.