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Classe trabalhadora não aceita um mercado de trabalho informal

A proposta de Bolsonaro de aumentar a informalidade no mercado de trabalho é um pensamento típico de um político que representa os interesses dos patrões, diz o presidente da CUT

Publicado: 13 Dezembro, 2018 - 17h31 | Última modificação: 14 Dezembro, 2018 - 12h35

Escrito por: Tatiana Melim

Roberto Parizotti
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Insatisfeito com o desmonte nos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), quer aprofundar a reforma Trabalhista do ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) para que as mudanças se aproximem ainda mais da "informalidade". 

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, este pensamento é típico de um político que representa mais os interesses dos patrões do que os do povo. E tão grave quanto isso, diz o dirigente, é uma ideia de quem não entende nada de economia.

O trabalhador informal, além de não ter direitos e ganhar bem menos, não contribui com a arrecadação, diz Vagner, que alerta: “A informalidade vai fazer o Estado brasileiro perder arrecadação, o que agravará as contas públicas e se refletirá na queda da oferta e qualidade dos serviços públicos”.

É uma proposta típica de patrões que só pensam no lucro e não sabem o que é governar para o povo e com o povo
- Vagner Freitas

O secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, acrescenta que um mercado de trabalho informal “significaria perdas pesadíssimas para a economia brasileira, especialmente nas exportações”.

“Muitos países não toleram e não compram produtos de países que exploram os seus trabalhadores. Tenho a certeza de que o Brasil não chegará a esse nível”.

Bolsonaro volta a defender patrão

"No que for possível, sei que está engessado o artigo sétimo [da Constituição], mas tem que se aproximar da informalidade", disse Bolsonaro em reunião com deputados do DEM na noite desta quarta-feira (12), em Brasília.

Ele voltou a dizer, ainda, que é muito difícil ser empresário. "Ser patrão no Brasil é um tormento", afirmou, reforçando o discurso de que pretende fazer novas flexibilizações na legislação trabalhista porque o empresário é desestimulado no país devido ao ‘excesso’ de direitos dos trabalhadores.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, a declaração de Bolsonaro, além de refletir a herança escravocrata de uma elite atrasada que não gosta do povo, vai contra os interesses da maioria da população, que depende de um Estado forte para garantir o acesso às políticas públicas com inclusão social e geração de emprego decente. 

“O que faz a economia girar é mais dinheiro nas mãos dos trabalhadores, não o contrário, como ele pensa. Trabalhador formalizado contribui mais, o que aumenta a arrecadação e garante mais hospitais, escolas, distribuição de renda, sobretudo para a população que mais precisa”, diz Vagner. 

Vai ter luta, vai ter resistência

O presidente da CUT ressalta que não será tão simples tirar os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras como Bolsonaro imagina. “Vai ter resistência”, garante Vagner.

“Continuaremos no local de trabalho organizando os trabalhadores. Estaremos nas escolas, chão de fábrica, ocupações, bairros e ruas de todo o país dialogando com os trabalhadores e organizando a resistência”. 

A CUT e seus sindicatos continuarão buscando a formalização do mercado de trabalho e não abrirão mão dos direitos conquistados ao longo de décadas de luta, completa o secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa. 

“Sabemos que as declarações do presidente eleito só têm repercussão junto aos empresários. A sociedade brasileira não tolera a informalidade e a desregulamentação total do mercado de trabalho. Isso seria um caos para o Brasil”, conclui Roni, que é também petroleiro.