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Cesta básica aumenta em todas as capitais e compromete renda dos trabalhadores

A capital com a cesta básica mais cara foi São Paulo (R$ 522,05) - trabalhadores gastaram 56,86% do salário mínimo líquido e tiveram de cumprir 115 horas e 05 minutos de jornada só para comprar o básico

Publicado: 07 Maio, 2019 - 13h20

Escrito por: Redação CUT

Agência Brasil/Marcelo Camargo
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O custo dos alimentos essenciais subiu em todas as capitais do Brasil em abril, segundo Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em 18 cidades e divulgada nesta terça-feira (7).

A capital com a cesta básica mais cara foi São Paulo (R$ 522,05) e comprometeu 56,86% do salário mínimo líquido (após os descontos previdenciários), percentual maior do que o de março (55,45%). Em abril de 2018, equivalia a 49,54% do piso nacional.

O trabalhador paulistano cuja remuneração equivale ao salário mínimo (R$ 998,00) precisou cumprir 115 horas e 05 minutos de jornada de trabalho para comprar a cesta. Em março, o tempo necessário foi de 112 horas e 14 minutos e em abril do ano passado, a jornada média era de 100 horas e 16 minutos.

Os 11 produtos que acumularam as maiores altas na capital paulista nos últimos 12 meses foram: feijão carioquinha (116,43%), batata (71,76%), tomate (57,35%), farinha de trigo (30,16%), manteiga (10,07%), banana (9,05%), pão francês (8,92%), leite integral (8,77%), carne bovina de primeira (5,96%), óleo de soja (3,26%) e arroz agulhinha (2,51%). As taxas acumuladas foram negativas somente para o café em pó (-9,18%) e o açúcar refinado (-6,14%).

A segunda capital com os preços mais altos da cesta básica foi o Rio de Janeiro (R$ 515,58), seguida de Porto Alegre (R$ 499,38). Os menores valores médios foram encontrados em Salvador (R$ 396,75) e Aracaju (R$ 404,68).

Salário mínimo necessário

Em abril de 2019, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 4.385,75, ou 4,39 vezes o mínimo atual, segundo o Dieese.

O cálculo sobre o salário mínimo necessário para uma família conseguir se alimentar, se vestir, ter direito à moradia, saúde, educação, higiene, transporte, lazer e previdência foi feito pelo Dieese com base na cesta básica mais cara, que em abril foi a de São Paulo.

As maiores altas

As altas mais expressivas do valor da cesta básica foram encontradas em Campo Grande (10,07%), São Luís (7,10%), Aracaju (4,94%) e Vitória (4,77%).

Em 12 meses, entre abril de 2018 e o mesmo mês de 2019, todas as cidades tiveram alta, as maiores foram Campo Grande (30,17%), Recife (25,19%) e João Pessoa (22,78%). A menor taxa acumulada foi anotada em Florianópolis (13,02%).

Nos primeiros quatro meses de 2019, todas as cidades apresentaram alta acumulada, com destaque para Vitória (23,47%), Recife (22,45%) e Natal (20,12%). O menor aumento foi registrado em Florianópolis (5,35%).

Cesta básica x salário mínimo

Em abril de 2019, o tempo médio da jornada necessário para um trabalhador adquirir os produtos da cesta básica foi de 100 horas e 32 minutos contra 96 horas e 42 minutos de março.

Em abril de 2018, quando o salário mínimo era de R$ 954,00, o tempo médio foi de 87 horas e 21 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador  comprometeu, em abril, 49,67% da remuneração para adquirir os produtos. Esse percentual foi superior ao de março, quando ficou em 47,78%. Em abril de 2018, quando o salário mínimo valia R$ 954,00, a compra demandava 43,16% do montante líquido recebido.

Comportamento dos preços

Entre março e abril de 2019, os preços que mais subiram foram os do tomate, da banana, da carne bovina de primeira e do pão francês. Já as cotações do feijão e do arroz tiveram redução média de valor na maior parte das cidades.

O preço do quilo do tomate aumentou em todas as capitais entre março e abril. As taxas variaram entre 15,24%, em Fortaleza, e 77,90%, em Campo Grande. Em 12 meses, as altas acumuladas oscilaram entre 41,33%, em Florianópolis, e 133,62%, em Campo Grande. O fim da safra de verão explicou o aumento do tomate em todas as cidades. Além disso, observou-se baixa qualidade do fruto, devido ao clima chuvoso, o que elevou a cotação daqueles com melhor aparência.  

Já a dúzia da banana aumentou em 14 cidades e diminuiu em outras quatro. A pesquisa coleta os tipos prata e nanica e faz uma média ponderada dos preços. As altas mais expressivas foram registradas em Campo Grande (18,06%), Recife (12,57%), Salvador (8,19%) e João Pessoa (6,87%). As retrações ocorreram em Belo Horizonte (-3,62%), Brasília (-2,34%), Fortaleza (-1,38%) e Natal (-1,30%). Em 12 meses, o quilo da banana subiu em 14 cidades, com destaque para as variações de Campo Grande (31,65%), João Pessoa (18,57%) e Vitória (18,18%). Houve queda do preço médio em quatro cidades, as mais intensas anotadas em Natal (-12,62%) e Goiânia (-10,87%). Menor oferta da banana prata e nanica explica a elevação do preço médio nas capitais.

O preço do quilo da carne bovina de primeira aumentou em 12 cidades e diminuiu em seis. As altas variaram entre 0,30%, em Florianópolis, e 2,74%, em São Luís. A redução mais intensa foi registrada em Campo Grande (-1,72%). Em 12 meses, o produto teve alta nas 18 cidades - entre 1,19%, em Belém, e 11,91%, em Goiânia. O elevado volume de exportação, a oferta restrita e a firme demanda foram responsáveis pelo aumento do preço da carne bovina na maior parte das capitais.

O preço médio do quilo do pão francês aumentou em 12 cidades, ficou estável em Belém e diminuiu em outras cinco capitais. As altas variaram entre 0,31%, em Recife, e 2,77%, em Aracaju. Merece destaque a redução no valor médio do quilo em João Pessoa (-2,44%). Em 12 meses, o preço aumentou em todas as cidades, com taxas entre 2,12%, em Curitiba, e 15,68%, em Brasília. A cotação do trigo influenciou o valor da farinha, principal insumo do pão francês.

O preço médio do feijão diminuiu em 18 capitais em abril de 2019. O tipo carioquinha, pesquisado nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, em Belo Horizonte e São Paulo, teve o preço médio reduzido entre -17,45%, em Belém, e -0,86%, em Campo Grande. Já o feijão preto, pesquisado nas capitais do Sul, em Vitória e no Rio de Janeiro, apresentou queda de valor entre -1,30%, em Curitiba, e -8,04%, em Porto Alegre. Em 12 meses, o preço médio do grão carioquinha acumulou alta, acima de 100%, em todas as capitais: as taxas variaram entre 112,66%, em Salvador, e 146,84%, em São Luís. As variações acumuladas do tipo preto também foram positivas, mas em patamares menores: entre 31,66%, em Porto Alegre, e 71,25%, em Vitória. A demanda pelo grão carioca foi menor, devido aos altos preços, uma vez que o consumidor buscou substitui-lo por outro similar. E a redução do preço do feijão preto seguiu o comportamento do carioca.

O preço do quilo do arroz branco diminuiu em 12 cidades, ficou estável em Recife e Salvador e aumentou em quatro capitais. As quedas mais expressivas foram as de Florianópolis (-16,15%) e Porto Alegre (-4,01%). As maiores altas ocorreram no Rio de Janeiro (1,34%) e em Belo Horizonte (1,09%). Em 12 meses, o preço do arroz subiu em 17 cidades, exceto em Florianópolis (-3,27%), e as elevações variaram entre 1,71%, em Curitiba, e 25,34%, em Belém. A fraca demanda influenciou o preço do arroz no varejo.