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Carreata da enfermagem em Porto Alegre defende piso salarial e jornada de 30 horas

Houve uma concentração no Largo Zumbi dos Palmares, onde foi realizado um pequeno ato com manifestações das entidades organizadoras, deputadas e vereadores

Publicado: 24 Maio, 2021 - 09h22

Escrito por: CUT - RS

Reprodução/CUT RS
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A luta nacional pela aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 2564/2020, que estabelece piso nacional e jornada de 30 horas semanais para a enfermagem, ganhou as ruas de Porto Alegre na tarde ensolarada deste sábado (22), concluindo a Semana da Enfermagem.

A carreata foi organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sindisaúde-RS), Sindicato dos Enfermeiros (Sergs), Conselho Regional de Saúde (Coren-RS), Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) e Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (Aserghc), com o apoio da CUT-RS. Também participaram dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre, Sinpro-RS, Semapi-RS, Sintrajufe-RS e Astec.

Antes da largada, houve uma concentração no Largo Zumbi dos Palmares, onde foi realizado um pequeno ato com manifestações das entidades organizadoras, deputadas e vereadores.

Chamam a bater palmas, mas nada dizem sobre o piso e a jornada de 30 horas

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, expressou todo o apoio à aprovação do PL 2564. “Se tem uma categoria de trabalhadores que mostrou o seu valor, a sua essencialidade, a sua importância e a sua necessidade de valorização são os trabalhadores da saúde. A eles, as nossas homenagens e o nosso compromisso de luta pela aprovação do piso salarial e da jornada de 30 horas”, disse.

“Todo mundo chama a bater palmas, como fez uma grande empresa de comunicação, mas nada diz sobre o projeto, a jornada e o piso salarial. É compromisso da classe trabalhadora do Brasil estar junto desses trabalhadores essenciais e tão importantes para salvar vidas”, salientou Amarildo

O presidente do Sindisaúde-RS, Julio Jesian, disse que essa luta é antiga. “Estamos pedindo algo que é justo. Quem sabe a pandemia sirva para o reconhecimento da enfermagem”, apontou destacando que a expectativa da categoria é de que o projeto seja votado nas próximas semanas no Senado.

Julio informou que o senador Paulo Paim (PT-RS) já “escancarou” posição favorável ao projeto. “O Lasier Martins (Podemos-RS) manifestou apoio também, mas ainda temos dificuldades com o posicionamento do senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que está ao lado dos empregadores, mas é preciso corrigir também a tabela do SUS”, frisou, o que poderá resolver o impasse.

O diretor da CUT-RS e do Sintrajufe-RS, Marcelo Carlini, ressaltou que a pauta da saúde é necessária e importante para toda a classe trabalhadora. “Não adianta chamar palmas para a enfermagem. É preciso respeitar essa categoria que está na linha de frente do combate à pandemia”, enfatizou.

Carlini alertou que essa luta se choca com as emendas constitucionais aprovadas pelos governos Bolsonaro e Temer, que possibilitam o congelamento de salários e dos gastos públicos para preservar o pagamento da dívida para os banqueiros. “O caminho é mobilizar e acelerar o fim do governo Bolsonaro”, apontou.

Pauta da enfermagem tem a ver com a valorização do SUS

A deputada estadual Sofia Cavedon (PT) chamou a atenção que “estamos com 445 mil mortos na pandemia com um governo genocida e a pauta da enfermagem tem a ver com a valorização do SUS e o enfrentamento da luta entre capital e trabalho, porque estão querendo transformar a saúde em mercadoria”.

Ela relatou várias situações de exploração a que estão submetidos os trabalhadores da saúde e afirmou que “essa luta é justa e temos que pressionar o Senado para colocar em votação o piso e a jornada da enfermagem”. Ela aproveitou para convocar a mobilização nacional no próximo sábado (29) pelo Fora Bolsonaro.

A deputada federal Fernanda Melchionna (Psol) frisou que “essa é uma luta histórica”. Para ela, “o povo brasileiro viu a luta dos trabalhadores da saúde para salvar vidas. Se a gente não tivesse o SUS e os trabalhadores da saúde, a pandemia teria sido muito pior”.

“E possível aumentar a mobilização para conquistar o piso para essa categoria, que é uma das que mais trabalha e sofre com os baixos salários”, enfatizou Fernanda, reforçando a convocação para o dia 29. “Se o governo é mais letal que o vírus, é preciso ir às ruas, com máscara, álcool em gel e medidas sanitárias para derrotar a PEC 32, que é a reforma trabalhista do serviço público, e conquistar o piso e a jornada de 30 horas, e derrotar o pior governo da história do país”, frisou.

Houve também falas da CTB-RS, do Sergs, do Coren-RS e do Simpa, além dos vereadores Jonas Reis, Reginete Bispo e Leonel Radde, os três do PT, todos fortalecendo a luta dos trabalhadores da enfermagem.

Muitas pessoas aplaudiram a passagem da carreata

O trajeto foi percorrido durante mais de três horas por dezenas de automóveis, que passaram em frente aos hospitais da Santa Casa, Beneficência Portuguesa, Presidente Vargas, Femina, Moinhos de Vento, Cristo Redentor, GHC, Independência, São Lucas da PUC, Clínicas, Ernesto Dorneles, Cardiologia e Mãe de Deus.

Ao longo do percurso, muitas pessoas que estavam nas calçadas ou em apartamentos aplaudiram a passagem da carreata, apoiando a luta dos trabalhadores e das trabalhadoras da saúde, que têm salvado muitas vidas na pandemia, além de mostrar a importância do Sistema Único de Saúde (SUS). Caso contrário, a tragédia da pandemia seria realmente muito pior.

O PL 2564 se encontra no Senado, onde já possui o número suficiente de assinaturas para tramitar em regime de urgência. Se for aprovado, o projeto seguirá para votação na Câmara dos Deputados. Após aprovação nas duas Casas, irá para sanção ou veto de Bolsonaro.