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Brasil tem fila por leitos em UTI e ocupação vai de 80% a 100% em vários estados

Mesmo com o país no pior momento da pandemia, Bolsonaro minimizou a falta de leitos e afirmou que "a saúde no Brasil sempre teve seus problemas"

Publicado: 01 Março, 2021 - 15h51 | Última modificação: 01 Março, 2021 - 15h55

Escrito por: Redação CUT

Pedro Guerreiro Agência Pará
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Faltam de leitos, hospitais estão lotados e pacientes fazem filas à espera de uma vaga em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Essa é a situação dramática registrada em vários estados do Brasil, o que evidencia colapso na saúde devido ao agravamento da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Em mais da metade dos estados, a ocupação de leitos está entre 80% e 100%.

Mesmo com os toques de recolher Brasil afora, especialistas afirmam que a medida é pouco eficaz para reduzir o contágio pelo novo coronavírus, já que o toque de recolher restringe a circulação justamente no período em que menos pessoas circulam nas ruas.

Filas à espera de leitos em UTI

A maior fila de pacientes à espera de um leito em unidade de terapia intensiva foi registrada na Bahia, foram 263 pessoas. Em lockdown desde a sexta-feira (26), com previsão de três dias, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), decidiu prorrogar o lockdown em todo o estado por mais 48 horas por conta do avanço da Covid-19. Emocionado numa entrevista, Rui falou da piora da Covid-19 no estado e pediu para que a população respeite o isolamento social e cumpra o decreto.

“Infelizmente, a situação continua muito grave. Só para vocês terem uma ideia, ao longo desses três dias foram 320 óbitos na Bahia. Os hospitais privados continuam operando a quase 100%. A rede estadual a mais de 90%, a grande maioria dos nossos hospitais. As UPAs e emergências lotadas”, disse o governador que terminou a entrevista chorando ao citar reportagem que assistira antes de entrar ao vivo onde um pai chorava o filho de 16 anos morto pela Covid-19.

O toque de recolher das 20h às 5h será mantido em todas as regiões da Bahia até o próximo domingo (7).

A situação se repete também no Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Santa Catarina fecham a lista. Todos registram filas à espera de um leito em UTI.

De acordo com os jornais locais, relatório interno da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, aponta uma cruel explosão de internações por Covid-19 no estado. Cerca de 155 pessoas estavam na fila de espera por um leito de UTI. Havia pessoas nessa condição em todas as macrorregiões de Santa Catarina.

Além da Bahia e Santa Catarina, Paraná 333 pacientes aguardavam leitos clínicos. Serviços e atividades não essenciais estão suspensos a partir deste sábado (27) até o dia 8 de março. Cerca 221 pessoas aguardavam um leito de UTI neste domingo (28).

Rio Grande do Norte tem ocupação de UTI de 89,4% e 35 pessoas na fila por leito, a partir desta segunda-feira haverá suspensão das aulas presenciais nas redes privada e pública de ensino, das atividades em igrejas e do funcionamento de parques ou qualquer outro tipo de evento e festas.

A situação no Rio Grande do Sul, onde a ocupação de UTIs, chegou a 90,4% e 114 pessoas esperavam por uma vaga de leito neste domingo. Todo o estado estará classificado na bandeira preta, que indica risco altíssimo de contágio para a Covid-19.

O estado do Maranhão ainda nãos e decidiu se entra ou não no lockdown. O estado está sem filas, porém tem 80% de ocupação. A região de Imperatriz, no Maranhão, está com 100% de ocupação de UTIs. O governo do estado decidiu a abertura de um hospital de campanha em Imperatriz com 60 leitos.

Mesmo diante desse cenário de guerra, parece que uma parte da população ainda não entendeu o momento grave que o país atravessa. No primeiro final de semana com as medidas vigorando, houve desrespeito às medidas de contenção da crise e foram registrados aglomerações, festas clandestinas e circulação sem máscara.

Bolsonaro minimiza falta de leitos

Como de costume, Jair Bolsonaro minimizou a falta de leitos e afirmou que "a saúde no Brasil sempre teve seus problemas". A fala do presidente gerou revolta nas redes sociais no pior momento da pandemia de Covid-19 e com recorde de mortos e a ameaça de colapso no sistema de saúde de diversos estados.

Bolsonaro voltou também a criticar o fechamento do comércio, medida que tem sido adotada por governadores para diminuir o contágio do novo coronavírus. Ele já havia compartilhado um vídeo de uma empresária do Distrito Federal que critica o fechamento do comércio determinado pelo governador Ibaneis Rocha.

O vídeo também foi compartilhado pelos dois dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Ex-ministros da saúde recomendam lockdown

Os ex-ministro da Saúde José Serra (1998-2002), José Gomes Temporão (2007-2011), Alexandre Padilha (2011-2014) e Luiz Henrique Mandetta (2019-2020) defendem medidas como distanciando social, fechar o comércio pelas próximas semanas e até um lockdown para conter o avanço da doença.

Eles também reconheceram o papel importante do SUS, condenaram as atitudes de Jair Bolsonaro (ex-PSL) diante da pandemia e cobraram uma campanha nacional de vacinação.

Para o ex-ministro da Saúde do governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), Alexandre Padilha, o mais importante neste momento é acelerar a vacinação.

“Não faz sentido o Brasil estar com esse número de mortes e o sistema de saúde privado e público colapsado e o governo federal não estar acelerando as vacinas”.

 

 Com informaçãoes de Agências