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Brasil pode ultrapassar os EUA no número de mortes por Covid-19, alerta Abrasco

Segundo a presidente da Abrasco, não foi por falta de alertas da área de saúde que o país chegou nesse quadro dramático. É inadmissível essa situação, diz

Publicado: 22 Junho, 2021 - 11h40

Escrito por: Redação CUT

Alex Pazuello/Semcom
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O Brasil, país com 211 milhões de habitantes, pode ultrapassar os Estados Unidos, que têm mais de 328,2 milhões de habitantes, em número de mortos em decorrência de complicações causadas pela Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.

O alerta é de Gulnar Azevedo e Silva, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). De acordo com ele, “o Brasil vai passar a ser o país com mais número de mortes por Covid no mundo”.

“A sensação é de que é um fato inadmissível que o Brasil chegue a esse marco de mais de 500 mil mortes. Nós poderíamos estar evitando metade ou mais dessas vidas que foram perdidas. É inadmissível essa situação", disse Gulnar em entrevista ao UOL.

O alerta da Abrasco vem logo após o país, que é o segundo colocado no ranking dos que registram mais mortes, ultrapassar a triste marca de 500 mil vidas perdidas e em meio aos protestos e manifestações de repúdio à gestão da crise sanitária pelo governo Jair Bolsonaro (ex-PSL), no último sábado (19). A condução do governo na condução da pandemia tem gerado revolta e indignação na sociedade, que chora seus mortos, e na comunidade científica.

Nesta segunda-feira (21), vários artistas foram às redes sociais responsabilizar o Bolsonaro pelas mortes que poderiam ter sido evitadas se não fosse o negacionismo do presidente, que chama a pandemia de ‘gripezinha’ e demorou meses para comprar as vacinas contra a Covid-19.

Segundo a presidente da Abrasco, não foi por falta de alertas da área de saúde que o país chegou nesse quadro dramático, mas o governo não seguiu e nem adotou as medidas adequadas. “Não seguiu a experiência de outros países que puderam lidar melhor com a pandemia. O governo brasileiro não tomou as atitudes corretas e não foi por falta de aviso e de alerta".

Gulnar justifica que o país pode chegar a esse cenário devido à alta média de mortos, diferentemente dos Estados Unidos, que recentemente diminuíram drasticamente os óbitos, principalmente depois de adotar uma estratégia de vacinação em massa.

"Os Estados Unidos continuam em primeiro lugar, mas já não registram mais óbitos. O Brasil mantém uma média de cerca de duas mil mortes. Os Estados Unidos estão conseguindo zerar", diz Gulnar.

Brasil registra nova alta em casos

De domingo (20) para segunda-feira (21), o Brasil registrou 899 novas mortes pela Covid-19. Vale ressaltar que o número relativamente baixo, em comparação com os dias anteriores, se deve ao represamento de dados no domingo. A média semanal de vítimas permanece acima dos 2 mil óbitos diários, em 2.059.

No dia 16 de junho, o Brasil voltou a ultrapassar a média de duas mil mortes (2.007) em 24 horas, de acordo com os dados levantados pelo consórcio de imprensa.

Nesta segunda-feira, o número de novas infecções notificadas foi de 43.413. No total, o Brasil tem 502.817 mortos e 17.969.806 casos da doença.

Vacinação lenta

Os dados da vacinação no Brasil mostram que 1.249.278 pessoas tomaram a primeira dose em 24 horas e outras 109.982 outras receberam a segunda dose. Somando, foram 1.359.260 doses em 24 horas.

Segundo o consórcio de imprensa, que faz o levantamento, até agora tomaram a primeira dose 64.436.634 pessoas, ou 30,43% da população. E 24.390.876 receberam também a segunda dose, ou seja, 11,52% das pessoas estão com a imunização completa.