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Brasil passa de 4,2 mil mortes em 24h. É como se 18 aviões caíssem no mesmo dia

Com a explosão de mortes e casos por Covid-19, o número total de vidas perdidas só por causa da pandemia do novo coronavírus chegou a 337.364 e outras 13.106.058 pessoas foram infectadas

Publicado: 07 Abril, 2021 - 11h45

Escrito por: Redação CUT

Alex Pazuello/Semcom
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O Brasil registrou nesta terça-feira (6) mais de 4 mil mortes por Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, em apenas 24 horas e, apesar da tragédia, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) continua cometendo os mesmos erros, ou seja, não decreta medidas para conter  contém aglomerações, não pratica o distanciamento social nem garante vacinas para todos e todas. Ao contrário, sabota as medidas adotadas pelos governadores com a justificativa de que tudo tem de estar aberto para a economia crescer.

O resultado foram mais 4,2 mil vidas perdidas nas 24 horas entre a segunda-feira (5) e a terça-feira (6).É como se 18 aviões tivessem caído no mesmo dia em solo brasileiro.

No dia de recorde de mortes em decorrência da doença, Bolsonaro, mais uma vez, ignorou as vítimas da Covid-19 e voltou a criticar as medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores.

Os números desta terça-feira (6) foram puxados pela alta de mortes em dez estados. Em São Paulo foram 1389, o maior recorde até agora, Rio Grande do Sul 418, Goiás 366, Rio de janeiro 347, Paraná 280, Santa Catarina 224, Ceará 142, Bahia 122, Espírito Santo 110, Mato Grosso 107. Só nestes estados, o total de vítimas soma 3.505.

Com a explosão de mortes, o número total de vidas perdidas da pandemia chegou a 337.364, segundo o consórcio de imprensa. No último dia, o país teve 82.869 pessoas diagnosticadas com infecção pelo novo coronavírus, totalizando 13.106.058 casos até agora.

O cenário é ainda de agravamento da mortalidade pela doença porque os números de óbitos não dão sinais de queda. Desde março, o Brasil é o país onde mais se morre por Covid-19. Os Estados Unidos, que estão em segundo lugar nessa lista, tiveram 515 óbitos nesta segunda-feira (5), menos que a metade dos 1.319 registrados por aqui no mesmo dia.

Especialistas têm alertado que só um lockdown nacional com duração mínima de duas semanas, seria capaz de conter o avanço da doença no país. Para eles, apenas medidas rígidas podem evitar que o mês de abril seja ainda pior que março, o mês mais fatal da pandemia até o momento, com 66.868 óbitos registrados.

Outra forma de frear a pandemia, segundo especialistas, seria o avanço da vacinação. No entanto, até esta terça-feira (6), o país aplicou cerca de 26 milhões de doses —dessas 20,3 milhões são referentes à primeira dose e 5,6 milhões, à segunda dose. Os números correspondem à 9,6% e 2,6% da população, respectivamente. 

Os três estados que mais avançaram até agora em aplicação da primeira dose foram Mato Grosso do Sul (13,22%), Bahia (11,83%) e Rio Grande do Sul (11,65%). Os que mais estão atrasados na aplicação da vacina são Acre (5,56%), Mato Grosso (6,01%) e Maranhão (6,53%).

Fiocruz diz que ainda não está claro se abril será pior que março

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), as medidas de restrição de algumas atividades econômicas, adotadas nas últimas semanas por diversas prefeituras e governos estaduais, estão produzindo êxitos localizados e podem resultar na redução da transmissão da doença nas próximas semanas.

"No entanto, seu efeito na diminuição do número de óbitos e no alívio das demandas hospitalares pode tardar, devido ao acúmulo de casos, diversos deles graves, advindos da exposição ao vírus ainda em março."

Segundo o boletim da Fiocruz, não está claro ainda se abril deve ou não ser um mês pior do que março nas estatísticas de morte da doença. “Na última semana, alguns estados já apareciam com uma redução no número de casos notificados, mas é importante notar que os valores ainda são muito altos e a taxa de ocupação dos hospitais ainda muito alta — diz Daniel Villela, coordenador do programa de computação científica da Fiocruz.

Das 27 unidades da federação, apenas três (Amazonas, Roraima e Paraíba) estão com taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 para adultos abaixo de 80%.

Nas periferias de SP morre mais gente por Covid-19

Os bairros mais pobres da cidade de São Paulo concentram 8 em cada 10 mortes por Covid-19. Segundo informações da Rádio Bandeirantes, o número de óbitos na periferia cresceu 50% desde janeiro até março deste ano.

O avanço coincide com a lotação nas unidades de saúde das regiões. São 19 hospitais públicos que beiram 100% dos leitos ocupados nos distritos. Nos últimos dez meses, os dados de mortes nos bairros mais afastados dobraram em relação aos mais próximos do centro da cidade. 

Os bairros de Sapopemba, Brasilândia, Grajaú, Capão Redondo e Campo Limpo lideram o ranking. Na UPA do Campo Limpo, na zona sul da capital paulista a reportagem recebeu muitas reclamações de demora para o atendimento. A unidade está lotada e tem 123 pacientes internados, 15 intubados.