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Brasil fez em Tóquio sua maior campanha em paralimpíadas

Delegação alcança mesmo recorde de medalhas da Rio-2016 e colocação mais alta, ao lado da de Londres-2012. Porém, total de ouros faz capital japonesa sediar o que nunca havia sido feito antes

Publicado: 06 Setembro, 2021 - 08h56 | Última modificação: 06 Setembro, 2021 - 09h14

Escrito por: André Rossi para a RBA

Takuma Matsushita/CPB
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Foi no último dia, na penúltima chance e no limite. Mas o Brasil conseguiu fazer em Tóquio a maior campanha da delegação paralímpica em todos os tempos. Fechou o quadro de medalhas na sétima colocação com 22 de ouro, 20 de prata e mais 30 de bronze, somando 72. O número total é igual ao da Rio-2016, os dois mais altos desde que os Jogos Paralímpicos começaram, em Roma-1960. A posição também é a mais alta e igual à alcançada em Londres-2012. Mas o total de vezes que os atletas brasileiros foram ao ponto mais alto do pódio nunca havia sido alcançado. Antes, eram 21 vezes, na capital inglesa nove anos atrás. E como não poderia deixar de ser, houve surpresas, positivas e, claro, negativas.

A derradeira medalha brasileira saiu na maratona da classe T46 com Alex Pires. Uma prata arrancada no que ele chamou de smart run. Nenhum grande segredo, apenas uma prova pensada onde a estratégia era largar com tranquilidade, sem empolgação, e crescer no final. Deu tão certo que ele chegou a vislumbrar o ouro, mas acabou segurando no final, até pela lembrança nada agradável da Rio-2016, quando era uns dos favoritos, mas teve de abandonar logo depois da metade justamente por não aguentar o ritmo. Caso a smart run não tivesse dado certo, ainda haveria uma chance com Vitor Tavares, no badminton, o último brasileiro a competir nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, mas ele foi derrotado de virada pelo britânico Krysten Coombs na disputa do bronze.

Gol, goal e a redenção de Beth

Algumas medalhas conquistadas pelo Brasil foram muito emblemáticas. A começar pelo Futebol de 5, modalidade específica para deficientes visuais. Não que não fosse esperada, a seleção era mais do que favorita, pois nunca perdeu um jogo sequer e, portanto, chegou na capital japonesa como tetracampeã paralímpica, além de pentacampeã mundial. Mas a final foi contra a Argentina, time que ainda não havia sido derrotado pelo Brasil em jogos. Mais do que isso, nunca havia tomado sequer um gol. Eram três jogos, três 0 a 0. Pois Nonato, ao vivo para todo o país, vazou pela primeira vez a meta rival em um gol antológico que valeu o pentacampeonato. No mesmo Japão onde a seleção de futebol havia conquistado o penta da Copa do Mundo 19 anos antes. O experiente Nonato acabou como artilheiro da competição e, depois da final, narrou o próprio gol dentro da percepção que tem, como deficiente visual, dentro de quadra.

Ainda nos esportes de gol, destaque para a medalha de ouro do goalball, perseguida com tanta gana pelos atletas brasileiros desde que perderam a final em Londres-2012 para a Finlândia. Comandados por Romario Marques e suas quatro Paralimpíadas nas costas, o trio completado pelo melhor do mundo, Leomon Moreno, e o sucessor das duas lendas, Josemarcio Sousa, o Parazinho, foi muito superior a todos os rivais e colocou a dourada no peito após derrotar a China por 7 a 2 na final. Destaque também para as duas sapecadas que deram na Lituânia, até então campeã paralímpica, uma por 11 a 2 na estreia e outra por 9 a 5 na semifinal

Entre as mulheres, como não enaltecer Elisabeth Gomes, a Beth Gomes, que aos 56 anos lançou o disco para lá do Deus me livre e conquistou o ouro no, obviamente, lançamento do disco após ser impedida de disputar a Rio-2016. Esperou cinco anos para poder competir e, no dia da prova, foi a última a entrar na área de lançamentos. Estava com tanta gana que garantiu a medalha de ouro logo na primeira tentativa. Na quinta, de seis, bateu o próprio recorde mundial e ali mesmo desabou em lágrimas numa das cenas mais comoventes dos Jogos. Mas teve mais. No sexto e último lançamento mandou o disco a assombrosos 17m62 para derrubar novamente o recorde mundial e, junto com a chuva que caía no Estádio Olímpico, lavar a alma com a consagração de uma luta contra a esclerose múltipla. “Digo sempre que a esclerose múltipla é minha amiga, caminha do meu lado, mas nunca vai me vencer.”

  

 

Ainda nos esportes de gol, destaque para a medalha de ouro do goalball, perseguida com tanta gana pelos atletas brasileiros desde que perderam a final em Londres-2012 para a Finlândia. Comandados por Romario Marques e suas quatro Paralimpíadas nas costas, o trio completado pelo melhor do mundo, Leomon Moreno, e o sucessor das duas lendas, Josemarcio Sousa, o Parazinho, foi muito superior a todos os rivais e colocou a dourada no peito após derrotar a China por 7 a 2 na final. Destaque também para as duas sapecadas que deram na Lituânia, até então campeã paralímpica, uma por 11 a 2 na estreia e outra por 9 a 5 na semifinal.

São muitos outros ouros que poderiam ser lembrados aqui. Os três de Maria Carlina Santiago na natação, a maior campeã brasileira nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. A contundente vitória de Alana Maldonado no judô; Yelstin Jacques, que ganhou a primeira do atletismo na capital japonesa e, depois, a centésima brasileira na história dos Jogos. O cantado bi de Petrúcio Ferreira, o atleta paralímpico mais rápido do mundo, nos 100m rasos, ou o inesperado título de Nathan Torquato no taekwondo. São muitos, certamente cometi injustiças.

 

  
 
 
 
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