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Brasil: cresce número de pessoas vivendo em pobreza extrema depois do golpe

Pesquisa do IBGE aponta que mais de um milhão de brasileiros e brasileiras passaram a viver em condições extremas a partir de 2015. Já são 13,5 milhões de miseráveis no país.

Publicado: 06 Novembro, 2019 - 14h18 | Última modificação: 06 Novembro, 2019 - 16h33

Escrito por: Andre Accarini

Rita Martins / Agência IBGE
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Queda na qualidade de vida, desemprego e ausência de crescimento econômico são as principais características do Brasil pós-golpe. As políticas adotadas pelos governos neoliberais de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PSL), que sucederam a ex-presidenta Dilma Rousseff, jogam os indicadores sociais para os piores níveis dos últimos anos.

O número de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza aumentou em um milhão por ano de 2015 a 2018.  Hoje são 13,5 milhões (6,5%) de pessoas na miséria no país. O índice é recorde em sete anos.

Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2012, ano em que o IBGE começou a realizar o estudo, eram 5,8% dos brasileiros em condição de extrema pobreza. Os dados mostram que, a partir de 2016, ano do golpe de estado que destituiu a presidenta Dilma, o índice, que antes apresentava queda, voltou a subir. Passou de 4,9% em 2015 para 5,8% em 2016; aumentou para 6,4% em 2017 e para 6,5% no ano passado.

Atualmente, o número de pessoas que vivem no Brasil com renda per capita inferior a R$ 145,00 mensais equivale à população de países como Portugal, Grécia, Bélgica e Bolívia.

Os parâmetros usados para definir o que é linha de pobreza têm como base o valor de US$ 5,5 (aproximadamente R$ 22,00) por dia, adotado pelo Banco Mundial para identificar pobreza em países em desenvolvimento. Os dados do IBGE mostram que o Brasil tem 25,3% da população nessa condição, o que equivale a 52,5 milhões de pessoas.

Outros 6,5%, o equivalente a 13,5 milhões da pessoas, estão na linha de extrema pobreza – aqueles que têm renda de até US$ 1,9 (aproximadamente R$ 7,70) por dia, de acordo com o Banco Mundial.

Para André Simões, gerente do estudo, “esse grupo de pessoas necessita de cuidados maiores, como políticas públicas de transferência de renda e de dinamização do mercado de trabalho”. Para ele, é fundamental que pessoas tenham acesso a programas sociais e que sejam inseridos no mercado de trabalho para terem acesso a renda.

Pretos e pardos sofrem mais

Os mais atingidos pela falta dessas políticas, de acordo com a pesquisa é a população preta e parda. Do total de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, eles representam 38,1 milhões (72,7%) de pessoas que vivem sem situação de miserabilidade. No recorte por gênero, mulheres pretas ou pardas são 27,2 milhões de pessoas.  

Ricos ganhando cada vez mais e pobres ganhando cada vez menos

A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE também apontou um aumento da distância entre as classes sociais em 2018. A desigualdade é mostrada pelo rendimento médio do brasileiro. Entre 2012 e 2014, o rendimento médio per capita do grupo das famílias com menores rendimentos (40% da população) passou de R$ 329,00 para R$ 370,00. Mas, a partir de 2015, voltou a cair, chegando a R$ 339,00 naquele ano.

Já o grupo de famílias com maiores rendimentos (10% da população), que também apresentou queda de 2012 a 2015 (de R$ 5.408,00 para R$ 5.373,00), passou a subir nos anos seguintes e, em 2018, fechou com aumento de rendimentos, chegando a R$ 5,764,00. É o maior valor desde 2012.

O rendimento médio recebido pela população preta ou parda representa metade do que ganham os brancos. Em 2018, a renda média dessa população era de R$ 934,00, enquanto a média para brancos foi de R$ 1.846,00.