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Bolsonaro prepara novos ataques aos povos da Amazônia, denuncia deputado do Pará

Em debate na CUT sobre a situação da Amazônia, o deputado Airton Luiz Faleiro (PT/PA) denunciou os ataques às unidades de conservação, assentamentos e terras indígenas. CUT e oposição preparam a reação

Publicado: 27 Agosto, 2019 - 08h30 | Última modificação: 27 Agosto, 2019 - 09h02

Escrito por: Rosely Rocha

Governo de Rondônia
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Os incêndios criminosos na floresta amazônica e os ataques do governo de Jair Bolsonaro (PSL/RJ) às unidades de conservação, assentamentos extrativistas, quilombolas e terras indígenas na Amazônia foram debatidos nesta segunda-feira (26), na sede da CUT Nacional, pela direção executiva da Central e o deputado federal, Airton Luiz Faleiro (PT/PA). No encontro, as lideranças debateram estratégias e formas de reação dos movimentos sindicais e sociais para impedir os ataques do governo.

 

Roberto ParizottiRoberto Parizotti
Direção Executiva da CUT discute a defesa dos povos da Amazônia

Faleiro denunciou que o governo Bolsonaro estuda anular 372 unidades de conservação, centenas de assentamentos extrativistas e de reforma agrária já regularizados, inclusive com escolas funcionando e invadir terras indígenas para exploração mineral de forma desenfreada.

 

Roberto ParizottiRoberto Parizotti
Deputado Airton Luiz Faleiro (PT/PA) em debate na sede da CUT Nacional 

“Quando a gente fala da Amazônia não é só dos animais e das árvores. O meio ambiente inclui os povos da região cada vez mais ameaçados por este governo que tem uma política de depredação, de ataque aos direitos dos povos e que ainda quer flexibilizar as leis ambientais e desconstruir a capacidade de fiscalização dos órgãos de controle e monitoramento”, alertou o deputado.

Ação e reação

De acordo com Faleiro, apesar das manifestações em favor da Amazônia terem tido grande repercussão no Brasil e no mundo, o grande desafio é incluir os povos da Amazônia neste debate e, para isso, os movimentos sindicais e populares estão organizando uma reação aos ataques aos seus territórios.

Segundo o deputado, uma das maneiras é impedir a derrubada da floresta, da mesma forma que fazia o ambientalista Chico Mendes (assassinado em 1988), com os chamados “empates” - que são correntes de pessoas com as mãos dadas em torno da área a ser devastada e assim impedir o desmatamento, ou ainda cercar os trabalhadores encarregados do desmatamento e levar seu líder a assinar um documento garantindo que o trabalho será suspenso.

O deputado conta que há ainda duas ações sendo estudadas a médio e em curto prazo. A médio prazo está sendo programado para o mês de setembro um planejamento unificando os indígenas, quilombolas, extrativistas, agricultores familiares e assentados para reagir a esses ataques.

Já a ação a curto prazo será desencadeada na próxima quarta-feira (28), às 10h, na Câmara Federal. A pedido da presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, vão se reunir, a CUT e os líderes da bancada de oposição ao governo Bolsonaro, para articularem juntos com as demais organizações sociais e sindicais, principalmente as que têm base na região, uma ação coordenada em nível nacional em defesa dos povos da Amazônia

“É muito importante que o Brasil e as comunidades internacionais se mobilizem, mas é determinante que os povos da Amazônia se mobilizem. São eles os primeiros que têm que reagir”, diz Airton Faleiro, que também é agricultor e um dos fundadores do PT de Santarém (PA).

Sobre a reação dos povos da Amazônia, a vice-presidenta da CUT, Carmem Foro, diz que é necessário que o mundo e os próprios brasileiros entendam que a Amazônia não é formada apenas por índios e floresta. Há negros, quilombolas e toda uma gama de trabalhadores e trabalhadoras que precisam ser incluídos no processo de discussão sobre seu futuro e, segundo ela, isto não vem sendo feito.

“Essa é uma grande oportunidade de discutir a Amazônia dentro da CUT porque lá têm trabalhadores como em São Paulo e em qualquer região do país. Este é um momento de mostrar como é possível um desenvolvimento sustentável e de inclusão”, afirma.

Já para o secretário do meio ambiente da CUT, Daniel Gaio, é preciso denunciar criminalmente o governo sobre os ataques que estão sendo cometidos em nome de Bolsonaro.

“Vamos nos mobilizar e entrar com ações de crime de responsabilidade contra o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, e todos os autores e parceiros de Bolsonaro, responsáveis por esses incêndios e queimadas”, defende o dirigente.

Dia do Fogo

No último dia 10 de agosto grupos de ruralistas da região de Altamira, no Pará, se organizaram pelo WhatsApp para lançarem o “Dia do Fogo”, data em que eles ateariam fogo na floresta, num sinal claro de que eles têm o apoio do governo Bolsonaro.

Segundo o deputado Airton Faleiro, a ideia extrapolou o estado do Pará e foi encampada por diversos ruralistas de outros estados que desencadearam queimadas, incêndios e derrubada de árvores em toda a região Amazônica.

“Esses anúncios do governo contra o meio ambiente encorajou os setores mais radicais que matam e tomam terras indígenas, quilombolas e assentamentos da reforma agrária. Foi uma forma deles dizerem que têm respaldo do governo”, alerta o deputado.

Faleiro critica a “jogada de marketing” do governo em acusar ONGs e fiscais do Instituto de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), pelo fogo.

“O governo quer retirar o foco dos verdadeiros articuladores do ‘dia do fogo’ para tentar confundir a opinião pública, porque Bolsonaro sabe que nem as reformas trabalhista e da previdência, nem os cortes na educação tiveram tanto efeito negativo e tão profundo no Brasil e no mundo, quanto às queimadas e os ataques aos povos da Amazônia”, afirma.

Bolsonaro põe acordos internacionais em risco

Para o deputado outro discurso que “só pega” junto ao eleitorado mais radical de Bolsonaro é de que países estrangeiros querem tirar a soberania do Brasil sobre a Amazônia.

“Duas coisas que estão globalizadas é a economia e o meio ambiente. Os brasileiros têm que entender que somos o principal gestor da Amazônia, mas a região tem importância para o clima do mundo. É hipocrisia acreditar que podemos fazer o que quisermos  com a Amazônia e não vai ter reação”, avalia.

Faleiro critica, ainda, o último pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, feito na sexta-feira (23) por Bolsonaro em que defendeu o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

“Ele leu um discurso que não é dele. Ele não age assim, não pensa assim. O pronunciamento foi para tentar amenizar a besteira que está fazendo e que vai levar a sanções e perdas de contratos internacionais. Bolsonaro está ameaçando o acordo econômico entre o Mercosul e a União Européia. É uma política agressiva e burra”.

“Bolsonaro está jogando pra galera dele numa tentativa de construir uma narrativa que não pega mais, de que a Amazônia é só nossa e quem está de fora não tem de se meter”.