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Bolsonaro estimula e participa de atos do 15M e amplia risco de coronavírus no país

Presidente ignora isolamento, participa de manifestação em Brasília e expõe apoiadores e toda a população à expansão da pandemia, que se espalha pelo país e já tem casos registrado em ao menos 13 estados

Publicado: 16 Março, 2020 - 09h08 | Última modificação: 16 Março, 2020 - 09h14

Escrito por: Redação RBA

José Cruz/Abr/Fotos Públicas
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Depois de ter recuado publicamente da convocação de atos públicos contra o Congresso Nacional e o Superior Tribunal Federal (STF) e em apoio ao seu governo – supostamente em atendimento à “recomendação das autoridades sanitárias” em razão do potencial alastramento da pandemia de coronavírus –, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contrariou a si mesmo e, neste domingo (15), resolveu participar pessoalmente das manifestações em Brasília (DF

O presidente deixou o isolamento recomendado por sua equipe médica – ele vai ser submetido a um novo teste de detecção da doença, após o resultado polêmico dos primeiros exames –, e foi ao encontro de seus apoiadores, em frente ao Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios.

Vestindo camisa da Seleção, sem máscara e com os olhos aparentemente irritados, o presidente tocou e apertou a mão de simpatizantes, além de pegar vários celulares para fazer selfies. O Palácio do Planalto disse apenas que Bolsonaro estava cumprindo “agenda pessoal”.

O país amanheceu neste domingo com cerca de 120 casos comprovados da infecção e pelo menos 1,4 mil suspeitos em 13 estados.

Os atos do #15M

Pela manhã, o ocupante do Planalto já havia “cancelado o cancelamento” e usou seu perfil no Twitter para estimular os protestos. Bolsonaro postou imagens de manifestações em Brasília e em Belém, no Pará, as primeiras capitais que tiveram manifestações no dia.

Jair M. Bolsonaro@jairbolsonaro
 

- Brasília - 15/03 - 10h40
- vídeo @RaffaelloFazzi

10,3 mil pessoas estão falando sobre isso
 
 
16,3 mil pessoas estão falando sobre isso
 
 

Mais tarde, postou imagens de manifestações em Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outras.

10,1 mil pessoas estão falando sobre isso
 
 

No principal protesto agendado para o dia, a capital de São Paulo recebeu público, de muitos idosos e em parte com máscaras, gritando contra o ]contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), o presidente do STF, Dias Toffoli e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O ato ocorreu na Avenida Paulista, em frente à sede da Fiesp.

Em um carro de som, líderes do movimento chamaram o coronavírus de “mentira” e que a pandemia – já declarada pela OMS – foi usada por adversários de Bolsonaro, como Doria, para tentar cancelar as manifestações.

Risco real e imediato

Em todo o mundo, governos recomendam que as pessoas evitem aglomerações para não aumentar os casos de contaminação pelo coronavírus. Na contramão, Bolsonaro afirmou, depois de ter criado nova confusão sobre resultado de teste que fez para verificar se havia sido contaminado, que o coronavírus é uma “fantasia propagada pela mídia“.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, previu uma progressão do surto da doença para esta semana, o que pode ser ampliado pela insistência nas manifestações deste domingo, incentivadas pelo presidente. “Nenhuma das pessoas do mundo tem imunidade prévia contra esse vírus. Na semana que vem, a gente já trabalha com o conceito de transmissão sustentada e já começa com pequenos surtos, pequenos inícios de redemoinho”, alertou Mandetta, no que foi ignorado por Bolsonaro

Arquivo pessoal/Twitter/ReproduçãoArquivo pessoal/Twitter/Reprodução