Beto Almeida
EBC: a boa diferença e o bom Conselho
Publicado: 17 Junho, 2010 - 11h11
Escrito por: Carta Maior
Desde que foi criada a TV Brasil,pertencente à EBC, vem pagando efetivamente a enorme dívida audiovisualacumulada neste país contra o direito do povo brasileiro de ser ver por inteironas telas. Isto não é irrelevante num país que registra apenas 8% dos municípioscom salas de cinema. A TV Brasil, embora jovem, vem tirando o cinema brasileiroda clandestinidade. E nesta caminhada, vem exibindo temas, em volume equalidade, jamais vistos nas telas nacionais. A TV Brasil acaba de lançartambém o seu canal internacional, alcançando inicialmente 49 países africanos.O artigo é de Beto Almeida.
Beto Almeida (*)
1 - A Empresa Brasilde Comunicação, que abriga a TV Brasil, registra entre tantas diferenças emrelação às demais empresas de comunicação privadas do país, a boa diferença deser a única de alcance federal a possuir um Conselho Curador, composto pelosmais variados segmentos sociais, inclusive com representante de segmento dapopulação negra, responsável por decidir pelos rumos da instituição pública. Umainquestionável vantagem democrática, superioridade social comunicativa,sintonia com a Constituição Brasileira.
2 - E esta empresapública de comunicação nasce de reivindicação antiga do movimento pelademocratização da comunicação, consolidada Carta Final no Seminário Nacional “Aimaginação a serviço do Brasil”, de julho de 2002, entregue ao então candidatoLula. Em 2007, da caneta de Lula, nasce a EBC, aprovada pelo CongressoNacional. Não nasce como outras empresas de mídia, na ilegalidade da ditadura,ou por meio de ações orientadas pelo capital externo que patrocinou o golpemilitar de 64. Nasce com lastro democrático, plenamente previsto no artigo 223da Constituição, aprovada pelo Congresso e embasada por anos e anos de lutassociais E já nasce com um Conselho Curador.
3 - Apesar destainegável vantagem democrática, recente escolha também feita pelo presidenteLula para a composição daquele Conselho, nele incorporando lutadores sociaiscom trajetória comprovada de uma vida inteira à serviço das melhores causasdesta nação - como o jornalista Jakobskind , representante da ABI de densahistória e o engenheiro Takashi, do CPQD - foi recebida com um controvertidarestrição em artigo publicado no Observatório da Imprensa.
4- O artigo coloca emdúvidas os critérios utilizados por Lula para o preenchimento dos cargos vagos.E sugere que a melhor opção seria a indicação de duas ou de uma das integrantesde entidades negras deixando transparecer que só assim, ou seja, só por meio demulheres negras no Conselho, as causas da luta contra o racismo institucionalpodem ser efetivamente combatidas. É o artigo que suscita dúvidas - sobre sipróprio - não a escolha de Lula.
TVBrasil e a dívida informativo-cultural
5 - Desde que foicriada a TV Brasil, pertencente à EBC, nascida da caneta de Lula e das lutassociais, vem pagando efetivamente a enorme dívida audiovisual acumulada nestepaís contra o direito do povo brasileiro de ser ver por inteiro nas telas. Istonão é irrelevante num país que registra apenas 8% dos municípios com salas decinema. A TV Brasil, embora jovem, vem tirando o cinema brasileiro daclandestinidade. E nesta caminhada, vem exibindo em volume e qualidade jamaisvistos nas telas nacionais, documentários e temáticas referentes à odisséia quilombola,às causas da cultura negra, documentários denunciando o racismo, combatendoefetivamente a invisibilidade a que foi relegada a população negra na televisãobrasileira comercial.
6 - Mais que isto, aTV Brasil acaba de lançar, por sugestão de Lula, o seu canal internacionalalcançando inicialmente 49 países africanos - o que demonstra um indubitávelcritério - sendo ainda a primeira emissora televisiva brasileira a possuir umcorrespondente em território da Mama África. O pagamento da dívida informativo-culturalvai além quando exibe a belíssima série Nova África, conduzida pelo talentosojornalista Luiz Carlos Azenha, revelando um tesouro de cores e segredos da almae da cultura africanas para a população brasileira. Aliás, seguindo umaorientação da política externa de Lula, o presidente da república que maisvezes visitou a África e que afirmou que temos uma dívida histórica a ser pagacom os povos africanos que sob fogo e chicote construíram esta nação do lado decá do Atlântico. Esta política externa brasileira, tão criticada pelos quepreferem uma outra diplomacia, vassala aos EUA, como no passado, nasce sim doscritérios e da mesma caneta com que Lula nomeou os conselheiros que integram umConselho diversificado e plural, inexistente nas outras emissoras privadas,onde o departamento comercial é o principal órgão de decisão editorial.
7 – Talvez os críticosda escolha de Lula não tenham acompanhado os documentários exibidos pela TVBrasil relatando a luta revolucionária dos povos africanos, sobretudo alibertação de Angola e de Moçambique. Neste caso, foram narrados magistralmentedimensões da vida do líder negro Samora Machel, assassinado numa operaçãoorganizada pelo governo racista da África do Sul, com apoio dos EUA, quandoMandela ainda estava na prisão e o movimento de luta contra o apartheid tinhacomo um de seus principais líderes um comunista branco.
CuitoCuanavale: o começo do fim do apartheid
8 – Angola sóconseguiu sua libertação com a ajuda heróica e inestimável de 400 mil cidadãoscubanos, negros e brancos, homens e mulheres, inclusive a filha de Ernesto CheGuevara, que lá também combateu como médica, com a brancura de sua pele e agigantesca consciência solidária internacionalista cubana. Seguia os passos dopai que havia lutado em Cabinda e no Congo. Liderados por Agostinho Neto,angolanos e cubanos derrotaram o exército racista sul-africano, que apoiava aUnita, movimento mercenário de direita liderado pelo nazista negro JonasSavimbi, com o apoio do regime do apartheid, este por sua vez apoiado pela“democracia” dos EUA.. O ápice desta luta foi a Batalha de Cuito Cuanavale emque o exército do apartheid que apoiava o nazismo do negro Savimbi foiderrotado implacavelmente. Para Mandela, Cuito Cuanavale foi “ o começo do fimdo apartheid”. Depois veio a libertação de Namíbia, do próprio Mandela e daprópria África do Sul.
Tudo isto foi mostrado aos brasileiros numasérie de documentários exibidos pela TV Brasil aos brasileiros, retirando doostracismo, uma das mais belas páginas de solidariedade que a história dahumanidade registra. Cabe perguntar: por que o movimento negro brasileiro foiincapaz de oferecer uma aspirina que fosse em solidariedade aos angolanos ecubanos em luta contra o apartheid? E já existiam relações normais entre Brasile Angola naquele período, o que teria permitido algum gesto concreto solidário.Mas o médico brasileiro, brizolista e branco, David Lerer, exilado em Angola,esteve cuidando de angolanos e cubanos. Enquanto o Brasil reconhecia o governode Agostinho Neto em plena guerra.
9 – Mas, seconstatamos que a TV Brasil vem fazendo um esforço de justiça televisiva emrelação ao papel da solidariedade de Cuba na derrota do apartheid, verificamosem TVs privadas, como a Globo News, critérios editoriais rigorosamente opostoscomo quando da cobertura da secretária de estado dos EUA, que em visita aoBrasil participou de “debate” com estudantes negros da Faculdade Zumbi dosPalmares. O reitor desta Universidade, José Vicente, conta que Hillary sesurpreendeu quando soube que nem mesmo as multinacionais norte-americanasinstaladas no Brasil possuem um único executivo negro. Não surpreende adesinformação da secretária, mais interessada em assegurar o expansionismomilitar dos EUA sobre o Iraque e Afeganistão, a custa de mais de um milhão decadáveres já. E também em preparar e encorajar uma incineração nuclear do povopersa, que tem todo o direito de ter acesso à tecnologia nuclear, como outrospovos. Não consta que o Irã tenha invadido ou oprimido outro povo. Já os EUA,incontáveis vezes!. O que surpreende sem dúvida foi a honraria com que umpersonagem tão nefasto da história moderna foi recebido pela Zumbi dosPalmares.
Ninguémperguntou a Hillary sobre as torturas de Guantánamo?
10 – O encenado debate,transmitido pela Globo e conduzido por jornalistas que afrontam a políticaexterna de Lula para a África, não contou com uma só pergunta à Hillary Clintonsobre os bombardeios a alvos civis iraquianos ou afegãos, sobre as torturas naBase de Guantánamo, ou sobre a ocupação militar estadunidense sobre a negra edestruída Haiti, cujo presidente negro, Jean Bertrand Aristides, eleito pelovoto popular, foi seqüestrado por ordem de Bill Clinton - o maridão que sedistraía sexualmente no Salão Oval enquanto ordenava ações militares pelo mundo- assim que começou a estabelecer acordos de cooperação em saúde e educação comCuba.
Implacável coincidência: quando o lídernegro Malcon X estabeleceu contato com Che Guevara e com idéias socialistas elefoi metralhado por um comando negro que cuidava de manter a boa relação entreluta contra o racismo e o acúmulo de capital. Mas os estudantes negros“perguntaram” ou sugeriram a crítica ao presidente negro da vizinha Venezuela,e ela não escondeu a satisfação com a deixa para atacar Hugo Chávez, sobretudopelo fato de ter terminado com o privilégio que empresas norte-americanaspossuíam no passado sobre o petróleo da terra de Bolívar.
11 - Não surpreende ograu de desinformação de Hillary Clinton com o racismo institucional dasmultinacionais dos EUA. Será que ela sabe que nas prisões dos EUA mofam umamaioria pobre e jovem de negros, hispânicos e asiáticos? Será que ela e Obamatem idéia da cor da pele das crianças afegãs sobre as quais bombardeios não-tripuladosdespejam toneladas de bombas? Estará informada que um total de 500 jovensnorte-americanos, pobres e negros, moradores do Harlem e do Brooklin, estudammedicina em Cuba na Escola Latino-Americana de Medicina, mesmo com o bloqueiodos EUA contra a Ilha? Na mesma Ilha, enquanto marines norte-americanostorturam em Guantánamo, em Havana jovens estadunidenses negros e pobresestudam. Que similaridades há entre a cor da pele e a consciência dos quetorturam, do que manda torturar e aqueles que estudam? Nenhuma!. Que diferençahá entre eles: a Revolução Cubana que oferece ao mundo a mais elevada taxa dejustiça social do planeta, inclusive na superação do racismo.
12 - Talvez sejamassuntos muito complexos para discutir com uma Hillary Clinton maisfamiliarizada com uma diplomacia que produza mais encomendas para a indústriabélica. De todo modo, fica o espanto: por que nenhum estudante negro da Zumbidos Palmares perguntou sobre o jornalista negro Múmia Abu Jamal, preso nocorredor da morte nos EUA, condenado por um juiz que prima por ser o campeão naordem de executar negros, ainda quando as provas do crime são escandalosamenteforjadas como neste caso? Estão informados deste caso clamoroso? Ou estariammais preocupados em sustentar que sua concepção de luta contra o racismo teminspiração no modelo político dos EUA que, para eleger Bush, promoveu o maiorembranquecimento do cadastro eleitoral que se tem notícia?
13 - A afirmação de quea escolha de Lula para o Conselho Curador da EBC deixa lacunas lança dúvidasquanto a um presidente que tem sido o mais empenhado, até hoje, em pagar asdívidas sociais acumuladas contra nosso povo pobre, inclusive as do racismoinstitucional. E com atos concretos. É da caneta de Lula que nasce, porexemplo, o Programa Luz para Todos que retira da escuridão milhões de famíliaspobres, em sua maioria negra e mestiça e permite que jovens negros e pobresingressem na universidade. É da mesma caneta de Lula que se impulsionampolíticas para que a Carteira de Trabalho deixe de ser um OVNI e passe a seruma realidade que garanta direitos sociais a mais de 10 milhões detrabalhadores e trabalhadoras, provavelmente com uma maioria negra e mestiça.
É daí também que vem a força para eliminara sub-documentação ou sub-registro de nascimento, pela qual uma maioriaesmagadora de negros era impedida da cidadania plena, não tinha sequercertidão. Era barganha do coronelismo político entrelaçado com a corrupçãocartorial em períodos eleitorais. Não nos esqueçamos da criação da Secretariapara a Igualdade Racial, da sanção da lei obrigando o ensino da história daÁfrica, da política de cotas para negros, índios e pobres, da presença deministros negros, etc., todos, decorrentes de critérios de Lula.
AlmiranteNegro
14 - Para fechar lacunashistóricas, Lula foi pessoalmente à solenidade de instalação da estátua doAlmirante Negro João Cãndido “nas pedras pisadas do cais” na Praça XV , no Riode Janeiro. A estátua estava inexplicavelmente guardada, há mais de ano, numdepósito da Marinha, que até hoje não tem almirantes negros. A simbologia dogesto, prolonga-se na inauguração do maior navio petroleiro da estatalTranspetro, que a partir de agora também leva o nome de João Cândido e inauguraum estaleiro em Pernambuco, permitindo que trabalhadores negros que eramescravos da sazonalidade da cana, ou da casualidade dos caranguejos, agoratenham carteira assinada, objeto que as políticas neoliberais da duplaFHC-Serra queriam relegar ao museu de objetos inúteis.
A criação da Universidade da África, nacidade de Redenção, a primeira a eliminar o escravagismo no Brasil, vaifortalecer os mecanismos de aplicação de uma política externa voltada para asolidariedade com a África, com a enorme qualidade de ser uma universidadeestatal, com metade de alunos brasileiros e metade de africanos, que já nãomais virão ao Brasil nem para o canavial, nem para o sub-emprego nas favelas.Como continuidade a esta solidariedade concreta está a instalação de unidadesda Embrapa em solo africano, tal como também está instalada na Venezuela e emCuba.
15 – Fica a dúvida seterá sido justa a crítica à escolha de Lula justamente no momento em que oBrasil firma convênio com Cuba para, juntos, os dois países serem responsáveispela reconstrução do sistema de saúde da negra ilha do Haiti? Sem contar os 300milhões de reais, as retro-escavadeiras, os hospitais, os médicos militares,engenheiros, as máquinas e os medicamentos, a construção de fossas e cisternas,o envio de sementes, equipamentos agrícolas, processadoras de castanhas , que oBrasil já enviou para lá. Sem contar que foi lá nesta ilha da primeiraRepública Negra da América em que a branca Dra Zilda Arns regou com o própriosangue o último capítulo de sua bela a história da solidariedade , escritaininterruptamente a longo da vida inteira. E também os 18 militaresbrasileiros, negros e brancos, que lá deixaram suas vidas debitadas à causa dasolidariedade com um povo sofrido.
O que faz jus à declaração de Fidel Castro:"prefiro soldados brasileiros no Haiti a mariners dos EUA.." A TVBrasil, com o seu bom Conselho Curador, suas audiências públicas, fez adiferença também com uma cobertura mais generosa sobre nossa presença na ilhacaribenha, faltando agora descrever como se desenrola a nova cooperação com Cuba.
Asolidariedade é a ternura entre os povos
Registro o gesto bonito da FaculdadeCatólica de Brasília que coletou e doou para o Haiti uma expressiva quantidadede radinhos de pilha tão úteis para uma população sem eletricidade, morando embarracas e carente de informações relevantes. Vi que a TV Brasil deu importantecobertura sobre o terremoto haitiano muito embora tenha tido dificuldadesjornalísticas para mostrar a presença de uma brigada de mais de 600 médicoscubanos que lá estava muito antes da terra tremer, pois o terremoto social vemocorrendo há décadas, e tem sido agravado pelas políticas do negro Obama
16 – A crítica sobresuposta incorreção dos critérios que Lula usou para a escolha dos conselheirosda EBC também parece confrontar-se e apequenar-se com os critérios que Lulautilizou para firmar convênio entre Brasil-Cuba e Timor Leste. Por ele,estudantes timorenses que estudam medicina gratuitamente em Cuba, aoformaram-se, farão estágio no Instituto Oswaldo Cruz, no Brasil, antes de retornaremà terra maubere. Lá em Díli, o embaixador de Obama pressionou o presidenteRamos-Horta, do Timor, a não receber os 400 médicos cubanos que lá estãoprestando solidariedade até que sejam formados os médicos timorenses na Ilha.Lula, com seus bons critérios, incluiu a presença solidária do Brasil nestaoperação de larga distância que une continentes, mas sobretudo, de imensaprofundidade humana.
17 – Finalmente,permanece a dúvida se a crítica à escolha de Lula estaria embasada na crença deque somente negros podem levar adiante e de modo eficiente, com toda aplenitude, a luta contra o racismo institucional. Como vimos pela variedade deexemplos, a tese carece de confirmação. Desde os ensinamentos de nossa históriaque registra uma luta abolicionista com intensa participação de cidadãos depele branca, citando-se entre eles Joaquim Nabuco ou o General Abreu e Lima .Este, além de ter acolhido e protegido quilombos em terras de sua família emPernambuco, depois, ao lutar na Venezuela ao lado de Bolívar, também promoveu,na ponta de fuzil, a luta contra o escravagismo. E Chiquinha Gonzaga?
Aprincesa Diana contra as minas terrestres em Angola
18 - Do mesmo modo emque negros também demonstraram captura pelas ideologias mais reacionárias. Alémdo terrorista Savimbi, já citado, capataz do apartheid, temos também a negra deorientação nazista Condolezza Rice, que deixou um rastro de cadáveres e de sanguede cidadãos de várias cores mundo afora com a sua política externa em nome daindústria bélica. Ou o general negro-fascista Collin Poweel , responsável pelamais sanguinária e criminosa mentira deste século até o momento - a de quehavia armas de destruição em massa no Iraque - pretexto para o aniquilamento demais de 1 milhão de vidas naquele país por meio da invasão estadunidense.
19 – Brancos sãocapazes de gestos rigorosamente necessários e grandiosos, como o da PrincesaDiana que teve a coragem de enfrentar a indústria armamentista e ir a Angola -onde não foi a solidariedade do movimento negro brasileiro - para associar suaimagem à luta contra as minas terrestres que por décadas e décadas Irã mutilarcrianças da terra do poeta Agostinho Neto. Não estranha a campanha dedestruição de imagem que a princesa sofreu após este gesto, até o seumisterioso acidente. Se além de combater minas terrestres, Diana também parisseum filho de um árabe......
Aliteratura revolucionária de Pepetela
20 – Da mesma forma quefoi Pepetela o escritor que tinha numa mão um fuzil e na outra uma caneta, quelegou à literatura africana a preciosa obra “ Mayombe” que conta a história daluta guerrilheira de libertação de Angola. Assim, como é o próprio Pepetela quedescreve em “Predadores”, o amargo percurso de parcelas da liderança negraangolana pós-Agostinho Neto pelos corredores fétidos da corrupção. Dois livrosmagistrais da literatura africana que o nosso Ministério da Cultura deveriaeditar e distribuir aos milhões, assim como faz o presidente negro da Venezuelacom o livro “Contos”, do mulato Machado de Assis, com tiragem de 300 milexemplares - nunca registrada no Brasil - distribuído gratuitamente junto com o“Dom Quixote”, de Cervantes, este com tiragem de 1 milhão de exemplares.Detalhe, Pepetela, guerrilheiro do MPLA e maior escritor angolano, é branco.
21 - Em outro artigo,pode ser útil prestar atenção no processo de degeneração da direção do CNA naÁfrica do Sul no período pós-apartheid, quando surge uma burguesia negra, cujaúnica diferença sobre a crueldade e ganância praticadas por outras burguesias,está na cor da pele negra. Ou sobre a natureza da cor e da ideologia daexploração da burguesia negra do Senegal sobre a classe trabalhadorasenegalesa. Ou sobre entidades que levantam bandeiras contra o racismoespelhando-se em modelos dos EUA, mas calam-se diante da opressão que estasociedade espalha pelo mundo e do desprezo com que tratam seus cidadãos maispobres, negros atirados nas prisões, ou tangidos para o narcotráfico oumercenários escalados para matar nas mais de mil bases que o imperialismomontou mundo afora. Ou sobre entidades que defendem a democracia na comunicaçãoaqui, mas são subvencionadas por agências do governo dos EUA ou a eles ligadase calam-se sobre a mais sofisticada ditadura midiática localizada exatamentenaquele país, que também tenta impor um apagão informativo-cultural mundial,sufocando e destruindo outras culturas em escala planetária. .
Negrosna Casa Branca e no Corredor da Morte
22 - Portanto, quediferenças há entre o negro Obama que está na Casa Branca e o negro Múmia AbuJamal que está no corredor da morte, ambos igualados pela cor da pele? Aposição que assumem na luta de classes, a escolha que fazem do terreno dahistória que querem atuar, a ideologia que assumem para se comportarem nomundo. O primeiro ordenando bombardeios aos pobres da terra. O segundoescrevendo com o coração na mão, com a consciência limpa em defesa dos pobresda terra, corajoso e sem dobrar a espinha, embora esteja há poucos metros dacadeira elétrica. Vai deixando suas crônicas inapagáveis de amor à humanidade,à vida, enquanto o negro da Casa Branca que pode, como uma caneta, liberarMúmia Abu-Jamal, libertar os cinco cubanos ilegalmente presos nos EUA, retirara Base de Guantánamo de Cuba, mostra não ter estatura para ser Prêmio Nobel daPaz. Prova disso é que usa a caneta para preparar, com sanções, a acender aschamas para incenerar o bravo e valente povo persa. Enquanto Lula, usa a canetaque pouco pode usar quando criança, para propor ao Congresso o envio de ajudapara a Reconstrução de Gaza, demolida com apoio de Obama, e fazer do Brasil ummensageiro da paz perante o mundo.
(*) Beto Almeida é jornalista membro daSociedade dos Amigos da TV Brasil
EM TEMPO - Como também fui indicado para oprocesso de seleção para compor o Conselho Curador da Empresa Brasil deComunicação e não fui escolhido pela caneta de Lula, quero deixar pública minhasolidariedade ao presidente quando recebe uma crítica tão injusta. Não me sintode nenhum modo preterido. Ao contrário, dou fé da legitimidade democrática daescolha marcada por um presidente que obteve 63 milhões de votos. E sinto-merigorosamente contemplado pelos progressos da TV Brasil, aqui mencionados e trabalhopara que vá muito mais longe na realização de uma justiça televisiva, muitoembora as contradições e limites a superar.
Sinto-me contemplado, também, pelosconselheiros escolhidos, compartilho o progresso dos outros, que não éprogresso alheio, porque, como escreveu um filósofo barbudo, “nada do que éhumano me é alheio” Ou como canta Labordeta, “también será posible, que estahermosa manaña, ni yo, ni tu, ni otros, la lleguemos a ver, pero hay queempujar-la, para que pueda ser”.