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Bem-estar social é responsabilidade do Estado, diz Lula em ato pelas estatais

Ato virtual teve participação dos ex-presidentes Lula e Dilma, que falaram sobre os ataques às estatais. Sérgio Nobre, presidente da CUT, reforçou a importância das estatais para o desenvolvimento do país

Publicado: 03 Outubro, 2020 - 18h45 | Última modificação: 03 Outubro, 2020 - 19h33

Escrito por: Andre Accarini

reprodução
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Diversos atos presenciais e virtuais em defesa das empresas estatais e do serviço público como elementos essenciais para a soberania do Brasil, e contra a política econômica do desgoverno de Jair Bolsonaro (ex-PSL) e de sua equipe econômica, foram realizados neste sábado (3).

O Ato Virtual pela “Soberania Nacional e pela Defesa do Povo Brasileiro”, transmitido pelo Portal CUT e pela TVT teve a presença dos ex-presidentes Lula e de Dilma Rousseff,   de lideranças sindicais,  movimentos sociais, parlamentares e artistas.

Lula defendeu que “é o Estado que tem que assumir a responsabilidade pelo bem-estar social de seus 210 milhões de brasileiros”.

A Petrobras que completa 67 anos de história nesta data simbolizou a luta por todas as empresas públicas brasileiras, estratégicas para o desenvolvimento do país, como Eletrobras, Caixa Federal e Banco do Brasil, Correios e serviços públicos como saúde, segurança e educação.

Lula ressaltou o papel da Petrobras afirmando ter “orgulho de uma empresa que nasceu por responsabilidade de um povo que teve coragem de dizer que [o Brasil] tinha petróleo”. Afirmou ainda que “a Petrobras é símbolo principal da soberania brasileira”.

O ex-presidente explicou que a soberania do Brasil passa pela manutenção da empresa como indutora de desenvolvimento porque a Petrobras acumulou conhecimento tecnológico que a tornou quarta maior petrolífera do mundo.

“A Petrobras é a maior empresa de prospecção de petróleo em águas profundas do mundo e, por isso, encontramos o pré-sal”, disse Lula completando que a descoberta trouxe investimentos, desenvolvimento e soberania para o país.

Ainda sobre o ataque à soberania brasileira, Lula ressaltou que o Brasil não pode permitir a interferência de nenhum outro país, mas essa soberania corre risco.

“Temos um presidente que lambe-botas do presidente americano, um cara violento, que não respeita direitos humanos, mesmo quando ele fala bobagem contra ao Brasil. O que você pensa da soberania? Que está correndo risco!”, disse Lula.

A ex-presidenta Dilma Rousseff também denunciou a destruição da estatal pelo governo Bolsonaro.

“Desde 2016, quando fui destituída da presidência por meio de um golpe, a Petrobras passou a ser esquartejada e enfraquecida para ser entregue às petrolíferas internacionais”, disse a ex-presidenta.

Como resultado, diz , “a estatal está se tornando uma empresa produtora de óleo bruto, menos rentável e dependente da importação dos produtos finais, a gasolina o diesel, o que eleva os preços aos brasileiros”.

“Esse governo age deliberadamente para desnacionalizar nossas empresas e isso é gritante ataque à soberania”, afirmou Dilma ao conclamar a sociedade brasileira a lutar contra o governo.

Não há outro caminho a não ser tirar Bolsonaro do poder
- Dilma Rousseff

Abraço simbólico na Petrobras

Pela manhã houve um abraço simbólico ao prédio sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, organizado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), além de outras entidades sindicais e movimentos sociais representados pelas Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo. 

Fotos: Celso Ramalho

Em outro ato pela manhã, no primeiro poço de perfuração do Brasil, na Bahia, petroleiros cantaram parabéns à Petrobras.

Trabalho e soberania

Para falar sobre a defesa das estatais, do serviço público, da soberania e dos direitos do povo brasileiro, o ato virtual abordou diversos temas como trabalho, meio ambiente e educação, entre outros.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, falou sobre as consequências das privatizações para a sociedade brasileira e para o desenvolvimento do Brasil. “Nunca houve na história um momento em que o crescimento não tenha sido impulsionado pelas estatais. A inciativa privada nunca fez investimentos necessários, ao contrário do o Guedes [ministro da Economia] prega”.

O dirigente ainda citou a importância estratégica de empresas como os Correios, que tiveram papel fundamental na entrega de insumos às regiões de mais difícil acesso do Brasil desde o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e dos bancos públicos como Caixa Federal e Banco do Brasil que foram fundamentais nesse período para que milhões de trabalhadores tivesse acesso ao auxilio emergencial.

Sérgio explicou que a luta pela soberania é, fundamentalmente, uma luta por empregos e criticou a política de exportar empresas e empregos.

“É uma ameaça de novo. A pandemia deixou claro que foi um erro ter levado empresas para a China como foi feito com o setor de saúde e a oitava econômica do mundo [Brasil], hoje, não consegue produzir camas, álcool gel e nem respiradores”, disse o presidente da CUT.

Além das estatais, Sérgio Nobre ainda destacou a importância dos serviços públicos, que estão sob ataque com a proposta de reforma Administrativa do governo Bolsonaro . “O Brasil não se desenvolve se não tiver estatais e o povo brasileiro não tiver serviço público de qualidade”, disse. 

Ato Virtual pela Soberania Nacional e pela Defesa do Povo Brasileiro

 

Presenças no ato


Além de Lula e Dilma, a mobilização também conta com a presença dos deputados federais Marcelo Freixo (Psol-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), do ex-senador Roberto Requião (MDB-PR) e do coordenador do MTST, Guilherme Boulos, além de lideranças sindicais e de movimentos sociais.

 

*com informações da RBA