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Barão de Itararé lança campanha de arrecadação de fundos para manter sua sede

Entidade é referência na luta pela democratização da comunicação. Local é sede de atividades e debates realizados por artistas, blogueiros, comunicadores, jornalistas, movimentos sociais e sindical

Publicado: 28 Novembro, 2018 - 17h17 | Última modificação: 28 Novembro, 2018 - 17h36

Escrito por: Redação CUT

reprodução
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Com oito anos de existência e muita luta pela democratização da comunicação, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé passa por dificuldades. A entidade, quartel general de profissionais que se esforçam, sem nenhum fim lucrativo, na batalha para que a informação seja oferecida sob a ótica da classe trabalhadora, dos movimentos sociais e do movimento sindical, precisa de ajuda para continuar a jornada.

O Barão de Itararé é o local de centenas de atividades, reuniões e debates e  manter a estrutura não é uma tarefa simples e barata. Por isso, os responsáveis pela entidade lançaram uma campanha de arrecadação de recursos, que serão destinados a cobrir despesas com aluguel e manutenção técnica do imóvel.

Para o secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, comunicadores, jornalistas, radialistas, blogueiros e outros profissionais têm no Barão de Itararé um importante espaço para exercer seu trabalho e fortalecer a luta pela democracia no país e, por isso, é fundamental manter o seu funcionamento.

“É uma entidade que dá guarida a esses profissionais, onde eles reúnem forças para lutar pela democratização da comunicação. Precisamos  ajudar o Barão de Itararé porque essa luta é por todos nós”, diz Roni

O presidente da entidade, Altamiro Borges, prevê que o próximo período, com o aumento do conservadorismo no Brasil e a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), os tempos serão ainda mais difíceis. “Movimentos sociais podem ter sua liberdade de expressão asfixiada e diante desse cenário, fazemos um apelo para poder manter a sede, que é referência para profissionais de comunicação”.

A sede é uma fauna, lugar de blogueiros, jornalistas, para o pessoal do mundo da cultura. Todo mundo frequenta, faz reunião, faz festa
- Altamiro Borges

Para ajudar o Barão a manter suas atividades foi organizada uma “vaquinha virtual” pelo site catarse.

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Quartel

A sede do Barão em São Paulo já é patrimônio do movimento social brasileiro. Nos últimos anos, o auditório da entidade, situado na Rua Rego Freitas, 454, centro de São Paulo, recebeu centenas de atividades, reuniões, cursos e debates.

Passaram pelo Barão nomes como os do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, do linguista e filósofo norte-americano Noam Chomsky, e de inúmeros intelectuais, artistas, economistas, lideranças sociais, entre os quais: Bresser Pereira, Luiz Gonzaga Belluzo, Laura Carvalho, Celso Amorim, Tico Santa Cruz, Sérgio Mamberti, Fernando Haddad, Manuela D'Ávila, Roberto Requião, Jandira Feghali, Wadih Damous, Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, Sérgio Gabrielli, Emiliano José, e muitos outros.

Considerada “casa” dos jornalistas, blogueiros e comunicadores que lutam por uma comunicação mais democrática, a entidade tem como “moradores”, Paulo Henrique Amorim, Mino Carta, Bob Fernandes, Rodrigo Vianna, Renato Rovai, Luis Nassif, Maria Inês Nassif, Eduardo Guimarães, Conceição Oliveira, Luiz Carlos Azenha, Paulo Moreira Leite, Palmério Dória e vários outros.

Os movimentos sociais e movimento sindical também fazem parte do Barão de Itararé: MST, MTST, Frente Brasil Popular, UNE, UBES, UEE-SP, UJS, Levante Popular da Juventude, sindicatos, federações e confederações realizam atividades na casa.

Quem é esse cara?

O jornalista Apparício Fernando Torelli (1895-1971), bem-humorado, crítico ao sistema capitalista no início do século XX, adotou o pseudônimo, com o fictício título de nobreza, de Barão de Itararé. Foi considerado o pai do humorismo no Brasil.  Com os jornais A Manha e Almanhaque, ele ironizou as elites, criticou a exploração e enfrentou os governos autoritários. Preso várias vezes, ele nunca perdeu o seu humor. Itararé é o nome da batalha que não houve entre a oligarquia e as forças vitoriosas na revolução de 1930.

Frasista genial, cunhou incontáveis pérolas. Cansado de apanhar da polícia secreta do Estado Novo, colocou na porta do seu escritório uma placa com a hoje famosa frase “entre sem bater”

Militante do Partido Comunista do Brasil (PCB), Apparício foi eleito vereador pelo Rio de Janeiro em 1946 com o lema “mais leite, mais água e menos água no leite” – denunciando fraudes da indústria leiteira.

Nunca desista de seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra
- Barão de Itararé

Apparício Torelli faleceu em 27 de novembro de 1971.

 

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