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Bancários da Caixa vão às ruas nesta quinta contra privatização da Lotex

Leilão da loteria instantânea da Caixa foi adiado pela sexta vez, mas trabalhadores mantêm atividades que incluem manifestações e diálogo com a sociedade contra a privatização tanto da loteria quanto do banco

Publicado: 08 Maio, 2019 - 15h05 | Última modificação: 08 Maio, 2019 - 15h28

Escrito por: Andre Accarini

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Nesta quinta-feira (9), bancárias e bancários da Caixa Federal farão mais um Dia Nacional de Luta em Defesa da Caixa contra a privatização do banco e o leilão das loterias instantâneas da Lotex, anunciadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). A mobilização é também em defesa do emprego e por melhores condições de trabalho.  

O leilão da Lotex, antes marcado para o dia 26 de abril, havia sido adiado para o dia 9 de maio, mas a Comissão de Outorga do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já anunciou uma nova data, 28 de maio. É a sexta vez que o leilão é adiado.

Mesmo com o adiamento, as atividades em defesa da Caixa e da Lotex programadas para esta quinta-feira foram mantidas. Os sindicatos dos bancários em todo o país distribuirão material informativo nas portas de agências e dialogarão tanto com os empregados da Caixa quanto com a sociedade sobre a função social das loterias, bem como a importância em manter o banco 100% público.

Fabiana Proscholdt, dirigente e representante da Contraf-CUT na mesa de negociações com a Caixa, reforça que a ação é importante para denunciar a tentativa do governo de fatiar a Caixa para entregá-la à iniciativa privada.

“O governo Bolsonaro tem fragilizado a imagem da Caixa para poder fatiá-la ou privatizá-la e faz isso dizendo que não há controle algum sobre operações do banco, o que não é verdade”, afirma Fabiana, que complementa: “Há mais auditorias internas e externas na Caixa do que em qualquer banco privado”.

“Não tem sentindo privatizar porque além de a Caixa ser um banco sustentável e lucrativo, mantém um papel social indispensável ao desenvolvimento do país”.  

O coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE), Dionísio Reis, afirma que o repasse total das loterias para área social pode cair de 50%, como foi em 2017, para apenas 15%, caso a Lotex seja vendida.

“Áreas essenciais como cultura, educação, esporte e segurança vão perder recursos, por isso, a resistência dos empregados e da sociedade é fundamental para barrar essa ameaça”, reforça Dionízio.

Segundo ele, a luta é para “continuar mostrando ao governo e à população que não interessa a ninguém essa privatização”.

Fatiamento

Roni Barbosa, secretário de Comunicação da CUT Brasil e membro do Comitê em Defesa das Empresas Estatais, criado pela central, explica que a artimanha que o governo usa para entregar o patrimônio público à iniciativa privada, se dá pela ‘entrega’ de seus ativos. Ele cita como exemplo a Petrobras, em que os alvos são as refinarias.

“Eles querem vender a maior parte das refinarias para entregar nosso patrimônio a petrolíferas particulares, principalmente às estrangeiras e quem vai pagar o preço é a população”.

“Nós vamos pagar mais caro pelo combustível e pela logística de distribuição nos lugares mais distantes do país”, explica Roni, alertando que hoje, com a política de preços adotada pela Petrobras, que segue a variação do barril e do câmbio, o preço praticado, estimado atualmente em US$ 80 já é alto. Com a privatização vai ficar mais caro ainda.

“A política de preços instituída pelo governo Temer e mantida por Bolsonaro, já fez os combustíveis praticamente dobrarem de preço em menos de dois anos”, critica o secretário de Comunicação da CUT, que também é petroleiro. Ele acrescenta que “o mais absurdo é que atualmente o Brasil produz um barril de petróleo a menos de US$ 30”.

O dirigente ainda afirma que, no caso da Caixa, o raciocínio é o mesmo porque um banco público tem seu papel social, com a finalidade de fomentar o desenvolvimento do país, oferecendo crédito a juros mais baixos. “E hoje a Caixa já está praticando juros de mercado”, completa Roni.

Fabiana Proscholdt concorda e complementa que atualmente já não se pode considerar a Caixa como um banco voltado à população mais carente.

“Os juros estão iguais ou piores que os do mercado. Hoje dá para conseguir um financiamento habitacional com condições melhores em um banco privado”.

Segundo Roni Barbosa, esses valores que deveriam estar na Caixa, sendo investidos em programas sociais, acabam migrando para a iniciativa privada. “A política de acompanhar os preços de mercado aumenta a concorrência e bancos privados lucram com isso”.

Papel Social

A Caixa Econômica Federal tem importante papel social, principalmente quando se trata do investimento dos recursos públicos em programas como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) ou mesmo nas loterias que estão na mira do governo Bolsonaro para a privatização.

De acordo com o balanço do banco público, de 2011 a 2016 as loterias da Caixa arrecadaram R$ 60 bilhões. Desse total, R$ 27 bi foram destinados às áreas sociais.

Apenas em 2016, as loterias operadas exclusivamente pela Caixa arrecadaram R$ 12,9 bilhões, dos quais R$ 4,8 bi foram transferidos para programas sociais. Desse total, 45,4% foram direcionados para a seguridade social, 19% para o Fies, 19,6 % para o esporte nacional, 8,1% para o Fundo Penitenciário Nacional 7,5% para o Fundo Nacional de Cultura 7,5% e 0,4% para o Fundo Nacional de Saúde.

Comitê

O secretário de Comunicação da CUT, Roni Barbosa, diz que o Comitê em Defesa das Empresas Estatais tem a função de articular o movimento sindical para as lutas e enfretamento às privatizações.

Um dos resultados dessa organização é justamente a mobilização dos trabalhadores da Caixa, com a coordenação da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT)

A luta contra a privatização da Caixa, Banco do Brasil, Banco do Nordeste (BNB) e Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES), ganha força com a criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos.

A Frente será lançada nesta quarta-feira (8) na Câmara dos Deputados e já conta com a adesão de mais de 200 parlamentares de 19 partidos diferentes.