Bancários
Pesquisa revela alta taxa de suicídio na categoria
Publicado: 16 Novembro, 2009 - 13h49
Escrito por: Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
As péssimas condições detrabalho nos bancos estão levando centenas de bancários ao suicídio. Segundopesquisa inédita da Universidade de Brasília (UnB), 181 bancários deram cabo àprópria vida no Brasil entre 1996 e 2005, uma média de um suicídio a cada 20dias. Entre as principais causas que levam o trabalhador a tomar essa medida extremaestão as pressões para o cumprimento de metas, a falta de funcionários paramuitas tarefas, o assédio moral e perseguições gratuitas. O medo do desempregoou de retaliações também abre uma brecha para o sofrimento.
“O estudo demonstrou que qualquer pessoa considerada normal está sujeita apassar pelo mesmo processo. Por mais equilibrada que seja a pessoa, caso nãoencontre soluções práticas para livrar-se das causas do sofrimento, seja pormeio de uma remoção para outro setor na empresa, seja por meio da troca deemprego ou aposentadoria, a possibilidade de adoecimento é enorme. Algunssomatizam doenças físicas, outros desenvolvem transtornos mentais. De formaextrema, alguns entendem que a vida não merece ser vivida, optando pelaradicalização por meio do suicídio”, explica o pesquisador Marcelo Finazzi,mestre em administração pela UnB e autor da dissertação Patologia da Solidão: osuicídio de bancários no contexto da nova organização do trabalho, ementrevista para o do Instituto Humanitas Unisinos.
O pesquisador, que também é funcionário do Banco do Brasil, associa a taxa desuicídios e doenças do trabalho às transformações ocorridas no mercadofinanceiro a partir da década de 1990. No período, 430 mil bancários foramdemitidos no Brasil. Se antes os bancos tinham lucros com a inflação, após 1995o papel do bancário mudou. “Ele passa a ser vendedor e consultor. As cobrançasse acentuaram”, afirmou em entrevista para o site da UnB. O vínculoestabelecido entre as empresas e o trabalhador muda bruscamente e passa a ser ode submissão. “Cabe ressaltar que as reengenharias organizacionais tambémcostumam resultar em enorme sofrimento, pois quase sempre geram demissões, maistrabalho para os que mantêm o emprego e, não raro, desorganização completada vida pessoal do sujeito. A perda do equilíbrio se completa pela constataçãode que o discurso reiteradamente veiculado nos informativos da organização,impregnados de mensagens de amor à empresa e empregados felizes, contrastaviolentamente com a percepção de realidade do trabalhador”, explica.
Para Marcelo, o fator mais determinante que leva o empregado à desestabilizaçãoe à perda da vontade de viver é a falta de reconhecimento pelo esforçodespendido para a realização das tarefas. “O trabalho é poderosa fonte deidentidade e pertencimento social: o que os sujeitos esperam, no mínimo, é avalorização do que está sendo feito em prol dos objetivos organizacionais. Oproblema é que, em algumas ocasiões, o sujeito se dedica durante 10, 20, 30anos, desenvolve laços afetivos com a empresa e, de repente, é convidado a seretirar ou é excluído compulsoriamente, como se toda a dedicação incondicionalnão tivesse valor algum”, comenta.
Para o autor, o estudo indica a necessidade de humanização das relações detrabalho nas empresas. “Falta o cumprimento da legislação trabalhista, metas deprodução condizentes com a capacidade física e psicológica dos funcionários,assim como o treinamento dos gestores para lidar com os conflitos. O suicídiotem sido o desfecho trágico de muitos trabalhadores que sucumbem às violênciasdo trabalho”, conclui.