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Auxílio emergencial é única fonte de renda de 25 milhões de brasileiros

Pesquisa mostra que, após redução para R$ 300, 75% das famílias cortaram compras de alimento

Publicado: 21 Dezembro, 2020 - 18h05 | Última modificação: 21 Dezembro, 2020 - 18h09

Escrito por: Redação RBA

Marcello Casal Jr/EBC
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O Datafolha aponta que o auxílio emergencial é única fonte de renda para 36% das famílias que receberam pelo menos uma parcela do benefício neste ano. Reduzido de R$ 600 para R$ 300, ele é responsável por sustentar 25 milhões brasileiros, mas chegará ao fim, em janeiro.

Em agosto, na última pesquisa Datafolha sobre o assunto, 44% dos brasileiros tinham o auxílio emergencial como única fonte de renda. O novo levantamento mostra ainda que a renda familiar de 51% das casas do país, diminuiu.

Outro dado que chama a atenção é a influência do corte do auxílio na rotina das pessoas. Com apenas R$ 300, o principal efeito foi a adoção de ações para cortar gastos. Cerca de 75% da população diminuiu a compra de alimentos e outros 65% cortaram despesas com remédios. Além disso, 55% deixaram de pagar as contas da casa e 51%, pararam de pagar escola ou faculdade.

O deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ) afirma que o fim do auxílio aumentará a taxa de pobreza do país. “A fome está batendo na porta dos brasileiros depois que Bolsonaro acabou com o auxílio emergencial, que é a única fonte de renda de 25 milhões de pessoas. Nós não podemos abandonar essas famílias, por isso estamos lutando na Câmara para criar a renda básica permanente”, tuitou.

Auxílio emergencial em risco

A economista Tânia Bacelar, especialista em desigualdade social no país, vê com apreensão o iminente fim do benefício. “O auxílio emergencial foi central e não pode desaparecer. É irrealista pensar que a economia vai dar conta do mercado de trabalho em 2021. Não vai dar”, afirmou Tânia.

Ela afirma ainda que esta questão tem de fazer parte da agenda da sociedade, pois a economia não vai dar conta de assegurar o bem-estar da população. “A desigualdade é abissal e está se aprofundando”, alertou, em live no começo deste mês.

Já a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI) Kristalina Georgieva afirmou, à Folha de S. Paulo, que o fim prematuro do auxílio emergencial pode significar “obstáculos à recuperação econômica e aumento da desigualdade”, além de fazer com que o Brasil alcance a marca de 24 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza.