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Atos da CUT e centrais celebram isenção do IR e convocam luta contra escala 6x1

Dia Nacional de Mobilização teve atos unificados em fábricas de São Paulo e marcou início de campanha por redução da jornada sem corte salarial

Publicado: 05 Fevereiro, 2026 - 13h03 | Última modificação: 05 Fevereiro, 2026 - 13h30

Escrito por: Walber Pinto | Editado por: André Accarini

Roberto Parizotti/CUT
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Com atos, a CUT e demais centrais sindicais celebraram nesta quinta-feira (5) a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores e trabalhadoras com renda mensal de até R$ 5 mil. As mobilizações realizadas em São Paulo pela manhã também funcionaram como um chamado para a próxima etapa de lutas do movimento sindical: o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salários.

O primeiro ato começou às 8h, em frente à MWM Motores, na Avenida das Nações Unidas, no bairro de Santo Amaro, e seguiu às 10h30, na Baxter Hospitalar, na Avenida Eusébio Stevaux, no Jardim Campo Grande.

Dirigentes sindicais dialogaram com trabalhadores nas portas de fábrica para explicar os impactos da nova política, que já começa a aparecer nos contracheques a partir deste mês de fevereiro para quem recebe até R$ 5 mil brutos mensais. A medida foi aprovada no fim de 2025 pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Conquista após anos de mobilização

Para Renato Zulato, secretário-geral da CUT, a isenção é resultado de uma luta histórica do movimento sindical. “Nós precisamos resgatar essa história porque já são vários anos em que o movimento sindical — sindicatos e centrais sindicais, principalmente a CUT,  está nessa luta pela atualização da tabela do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Foi uma grande conquista”, celebra o dirigente, que participou do ato.

“Realizamos mobilizações, entregamos duas pautas ao presidente Lula ao longo de dois anos, em nossas marchas em Brasília, e fizemos pressão e diálogo com o Congresso Nacional. O Congresso aprovou, o Senado aprovou, e o presidente Lula, assumindo um compromisso de campanha com a classe trabalhadora brasileira, sancionou o projeto, que começa a vigorar a partir deste mês”, continua.

Zulato ressaltou que as entidades agora concentram esforços em informar os trabalhadores. “O que é importante neste momento é o trabalho que estamos fazendo: sindicatos e centrais sindicais estão indo até os trabalhadores para levar informação. A grande mídia tem mostrado muito pouco e, quando mostra, não reconhece que essa é uma conquista da classe trabalhadora brasileira. Isso demonstra que, quando temos unidade de ação, quando os sindicatos se mobilizam e os trabalhadores lutam, nós conquistamos avanços.”

Renato afirmou que novas reivindicações já estão na pauta, como o fim da escala 6x1. Para o dirigente, a mobilização desta quinta-feira também marca o início de uma nova fase de pressão.

Temos agora um novo desafio: a redução da jornada de trabalho sem redução de salário e o fim da escala 6x1. Vamos continuar lutando durante todo o ano e orientando os sindicatos a incluírem essas reivindicações nas negociações coletivas, para criar um paradigma nacional e demonstrar ao Congresso que se trata de uma grande manifestação popular. Ontem realizamos mobilizações nos metrôs em nível nacional, com orientação às estaduais da CUT, e as demais centrais sindicais também mobilizaram suas organizações estaduais
- Renato Zulato

Daniel Calazans, secretário-geral da CUT-SP e dirigente do ramo metalúrgico, classificou a medida como uma vitória histórica. “Estamos em festa: acabamos de conquistar a isenção do imposto de renda até R$ 5 mil, algo esperado há muitos anos. Para completar essa grande vitória da classe trabalhadora, haverá isenção até R$ 5 mil e redução gradativa até R$ 7.350. Não tenho dúvida de que isso vai gerar mais emprego, mais consumo e mais qualidade de vida para nós, trabalhadores.”

Segundo ele, o avanço beneficia trabalhadores de todos os setores. “Trabalhadores do campo e da cidade, do setor público e do privado, todos estão em festa, porque avançamos, apesar de a bancada dos trabalhadores no Congresso Nacional estar em menor número. Infelizmente, boa parte dos congressistas é formada por milionários que sequer pagam imposto. Quem sustenta a carga tributária no Brasil é a classe trabalhadora.”

Calazans reforçou que o desafio agora é ampliar conquistas. “Nós, trabalhadores, enfrentamos grandes dificuldades para implementar pautas mais amplas, como o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho, bandeiras que defendemos há muito tempo junto às centrais sindicais. Trabalhamos muito, ganhamos pouco e, muitas vezes, em condições precárias. É essa realidade que queremos transformar.”

Vitória coletiva

Representando a Secretaria de Relações Internacionais da Confederação Nacional do Ramo Químico de São Paulo, Elaine Blefari destacou o papel da organização sindical.

“Hoje estamos na rua, passando nas fábricas e na nossa base dos ramos químico e metalúrgico, falando com os trabalhadores e trabalhadoras sobre a importância da redução do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Isso é de extrema importância porque é uma luta da classe trabalhadora, da CUT, das centrais e dos sindicatos. Essa conquista não vem de graça, vem da luta. É uma vitória nossa.”

Ela reforçou o próximo objetivo do movimento. “A próxima conquista no nosso radar é o fim da escala 6x1.”

Confira algumas fotos dos atos nesta manhã em SP

Roberto Parizotti/CUTRoberto Parizotti/CUT
Trabalhadores da empresa MWM Motores recebem panfleto sobre a importância da isenção do IR

 

Roberto Parizotti/CUTRoberto Parizotti/CUT
Ato na porta da empresa Baxter Hospitalar

 

Roberto Parizotti/CUTRoberto Parizotti/CUT
Trabalhadora de fábrica recebe panfleto sobre a isenção do IR

 

Roberto Parizotti/CUTRoberto Parizotti/CUT
Dirigentes da CUT dialogam com trabalhadores na porta de fábrica nesta quinta-feira (5)