Ato em SP reforça solidariedade a Cuba e denuncia bloqueio dos EUA
Evento reuniu movimentos, entidades e lideranças políticas para defender a soberania cubana, denunciar o bloqueio e organizar ações concretas de apoio; CUT destacou solidariedade internacional
Publicado: 27 Abril, 2026 - 23h24 | Última modificação: 27 Abril, 2026 - 23h53
Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini
Um ato de solidariedade ao povo cubano reuniu, netsa segunda-feira (27), em São Paulo, dirigentes sindicais, movimentos sociais, lideranças políticas e representantes estudantis em defesa da soberania de Cuba e contra o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. A atividade, organizada pela Apeoesp e realizada na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, teve como eixo a denúncia das dificuldades enfrentadas pelo país caribenho e a organização de iniciativas concretas de apoio, como arrecadação de recursos, envio de medicamentos e campanhas permanentes de mobilização.
A iniciativa também marcou um posicionamento político diante do cenário internacional, com críticas às sanções e ao que os participantes classificaram como uma política de cerco econômico que afeta diretamente as condições de vida da população cubana. Ao longo do encontro, as falas destacaram a trajetória da Revolução Cubana e o papel do país em ações de solidariedade internacional, especialmente nas áreas de saúde e educação.
Representando a CUT, o secretário de Administração e Finanças, Ariovaldo de Camargo, enfatizou a importância da solidariedade ativa e da organização permanente. Ele relatou experiências recentes em Cuba e destacou os impactos do bloqueio na vida cotidiana. “Foi possível perceber o que significa o bloqueio econômico criminoso que os Estados Unidos fazem com a população”, afirmou, ao mencionar o contato direto com trabalhadores cubanos.
Ariovaldo também reforçou que a solidariedade não pode se limitar a eventos pontuais. “Uma ação não pode ser uma ação de um dia”, disse, defendendo a construção de iniciativas contínuas, como o chamado “turismo de solidariedade”, com envio de insumos e apoio direto ao povo cubano. Em sua fala, reafirmou o posicionamento da CUT: “Toda solidariedade ao povo cubano”.
Trump, tire as mãos de Cuba!
Palavra de ordem do ato, as citações ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, permearam o evento. A deputada estadual (PT-SP), e segunda presidenta da Apeoesp, Maria Isabel de Azevedo Noronha, a Bebel, citou outras intervenções imperalistas pelo mundo como o sequestro de Nicolás Maduro, na Venezuela e a investida contra o Irã. Sobre a Venezuela, BVebel lembrou que o país é uma das maiores reservas de petróleo do planeta e que Trump provocou a intervenção no país, de olho no recurso natural. Ela também citou as terras raras, fazendo um alerta de que o Brasil detém a segunda maior reserva do mundo e que o mandatário estadunidnese está de olho em nossas riquezas.
O ato contou ainda com a presença do cônsul-geral de Cuba no Brasil, embaixador Benigno Pérez Fernández, que recebeu manifestações de apoio e teve sua participação destacada por diversas lideranças.
Em sua fala, afirmou que Cuba não pode ser definida como um país fracassado, mas sim como uma nação submetida a um cerco econômico e político.
“Cuba não é um Estado falido. Cuba é um Estado cercado. Cuba é um Estado em guerra econômica, com um bloqueio real, um Estado ameaçado… e, apesar disso, graças ao socialismo, é um Estado que não se rende”, disse.
Ele também reforçou o sentido político da resistência cubana e a mensagem dirigida aos participantes do evento de “um mundo melhor é possível”. A intervenção do cônsul deixou latente a denúncia do bloqueio, a defesa da soberania do país e a afirmação de que, mesmo diante das dificuldades, Cuba mantém sua capacidade de resistência.
Em nome da luta
Escritor, ativista político, filósofo, teólogo da libertação, frade dominicano e referência progressista no Brasil, Frei Betto abriu o ato destacando o caráter histórico da solidariedade cubana e situando o momento atual vivido pelo país. Ele afirmou que a mobilização no Brasil também tem um sentido de reconhecimento:
“Cuba, a revolução cubana nesses 67 anos se caracterizou por uma única palavra: solidariedade, principalmente com os povos oprimidos e colonizados”, disse.
Frei Betto também ressaltou a atuação internacional de Cuba, especialmente nas áreas de saúde e educação, lembrando o envio de profissionais a diversos países, inclusive ao Brasil. Também destacou a resposta cubana durante a pandemia.
“Cuba foi o único país do terceiro mundo que durante a Covid criou cinco vacinas. E por isso, proporcionalmente, é o país do mundo que teve menos vítimas”, afirmou.
Ele ainda definiu o ato como uma forma de retribuição política e histórica ao citar que Cuba tem sido solidária com vários povos do mundo” e também fez uma crítica direta ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, defendendo que ele seja nomeado corretamente.
“Não usem a palavra embargo, usem a palavra bloqueio. Bloqueio não, bloqueio é crime”, afirmou.
Cuba é o nosso exemplo de luta, de independência, de soberania (…) e lembrem-se: socialismo é o nome político do amor
Vozes em defesa de Cuba
Representantes das diversas entidades que participaram do ato ressaltaram que Cuba atravessa “um dos momentos mais difíceis em décadas”, mas segue sendo reconhecida por sua atuação internacional. Entre as citações, a de que Cuba se caracterizou por uma pela solidariedade, por exemplo, pelo envio de médicos e professores a diferentes países e o desenvolvimento de vacinas durante a pandemia.
O papel histórico de Cuba em processos de libertação e cooperação internacional também foi lembrado, por meio de ações em países africanos, como Angola e África do Sul, além da contribuição em programas de saúde no Brasil. Nesse sentido, o ato foi definido como um gesto de “gratidão” e também de compromisso político com a defesa da soberania dos povos.
Outro ponto de destaque foi a denúncia do bloqueio econômico traduzido na necessidade de nomear a política como “bloqueio”, e não embargo, destacando seu caráter ilegal e seus efeitos concretos. “Bloqueio é crime”, afirmou uma das intervenções, ao defender a intensificação das denúncias em nível internacional.
Além da crítica, o encontro apontou caminhos práticos de solidariedade. Entre as propostas, estiveram a arrecadação de recursos para envio de alimentos e medicamentos, a organização de campanhas permanentes e a ampliação da mobilização social em defesa de Cuba. A campanha simbólica de contribuição financeira foi destacada como uma forma de engajamento coletivo.
A dimensão internacional da luta também apareceu de forma recorrente, com a situação de Cuba sendo relacionada a outros conflitos e processos políticos no mundo, defendendo a unidade entre os povos e o enfrentamento ao que classificaram como avanço do imperialismo. A solidariedade a Cuba foi apresentada como parte de uma agenda mais ampla de defesa da autodeterminação.
Honras da casa
No encerramento, Bebel destacou o caráter político do ato e a necessidade de ampliar as ações. “A questão central é solidariedade”, afirmou.
Ela também reforçou a importância de denunciar o bloqueio e defender a soberania cubana em todas as instâncias. “Defendemos o fim imediato das ações contra Cuba e o respeito à soberania e à autodeterminação do povo cubano”, disse.
Bebel apontou ainda caminhos concretos para o fortalecimento da mobilização. “Nós temos condições de fazer esse movimento muito bem feito”, afirmou, ao defender campanhas de arrecadação e iniciativas de cooperação.
Ao concluir, destacou o sentido internacional da luta. “Não permitir que os Estados Unidos atinjam qualquer país”, disse, alertando para os riscos de ampliação das políticas de intervenção. Para ela, a solidariedade entre os povos é essencial: “Quando chegar a nossa vez, os outros também vão se levantar pelo Brasil”.
Apoio e correalização
O ato foi organizado pela Apeoesp e contou com apoio de diversas entidades. São elas:
Centrais e sindicatos
- AFUSE (Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação)
- ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior)
- APASE (Sindicato dos Supervisores de Ensino)
- APEOSP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo)
- CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)
- CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
- CUT (Central Única dos Trabalhadores) e CUT São Paulo
- FETAM-SP (Federação dos Trabalhadores na Administração e no Serviço Público Municipal)
- FETE-SP (Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino)
- Intersindical
- PROIFES-Federação
- SindAlesp (Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo)
- SindSaúde-SP (Sindicato dos Trabalhadores Públicos na Saúde no Estado de São Paulo)
- SINTEPS (Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza)
- Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de SP
Partidos políticos:
- PCdoB (Partido Comunista do Brasil)
- PCO (Partido da Causa Operária)
- PSOL (Partido Socialismo e Liberdade)
- PT (Partido dos Trabalhadores)
- UP (Unidade Popular pelo Socialismo)
Movimentos sociais e de moradia:
- CMP (Central de Movimentos Populares)
- Comitês de Luta
- Levante Popular da Juventude
- MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens)
- MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)
- Povo Sem Medo
- ULCM (União de Lutas de Cortiços e Moradia)
- União de Moradia São Paulo
Entidades estudantis:
- UEE (União Estadual dos Estudantes de São Paulo)
- UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo)
- UNE (União Nacional dos Estudantes)
- UPES (União Paulista dos Estudantes Secundaristas)
Outras associações e fóruns:
- 8M (Comitê do Dia Internacional da Mulher)
- AFIAMSPE (Associação dos Funcionários do IAMSPE)
- Aprofesp (Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo)
- Fórum Estadual de Educação do Estado de São Paulo
- SINPTEC

