Aposentados viajam mais e Voa Brasil pode ampliar acesso ao turismo nacional
Pesquisa mostra que brasileiros com mais de 60 anos viajam com frequência e têm flexibilidade de datas, mas ainda é pequeno o acesso ao programa de passagens aéreas mais baratas para aposentados
Publicado: 10 Junho, 2026 - 11h32 | Última modificação: 10 Junho, 2026 - 11h44
Escrito por: Redação CUT
Com mais tempo para viajar e liberdade para escolher períodos mais baratos, os aposentados se tornaram um público cada vez mais presente no turismo nacional. O estudo “Turismo 60+” mostra que metade dos brasileiros acima dos 60 anos realiza pelo menos três viagens por ano e que quase 90% têm flexibilidade de datas. Apesar desse potencial, programas criados para ampliar o acesso ao transporte aéreo, como o Voa Brasil, ainda enfrentam dificuldades para alcançar uma parcela significativa desse público.
Embora continue oferecendo passagens aéreas de até R$ 200 por trecho para aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o programa Voa Brasil ainda está longe de alcançar os resultados esperados pelo Governo Federal. Dados divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos em janeiro deste ano mostram que cerca de 52 mil bilhetes foram reservados desde o lançamento da iniciativa, o equivalente a apenas 1,7% da meta inicial de 3 milhões de passagens.
Criado para ampliar o acesso ao transporte aéreo e aproveitar assentos ociosos das companhias, o programa permite que aposentados que não viajaram de avião nos últimos 12 meses adquiram até dois bilhetes por ano por meio da plataforma Gov.br.
O baixo desempenho chama atenção porque ocorre em um momento de mudança no perfil da população idosa brasileira. Com o aumento da expectativa de vida e mais tempo disponível após a aposentadoria, cresce o número de pessoas interessadas em viajar, visitar familiares e conhecer novas regiões do país. Ainda assim, a adesão ao programa segue limitada.
Em maio de 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que o Voa Brasil havia alcançado 40 mil reservas, com viagens para mais de 80 cidades. Apesar do crescimento, os números continuaram muito abaixo das projeções anunciadas quando a iniciativa foi lançada.
A principal explicação parece estar nas condições econômicas do público-alvo. Embora o valor da passagem seja reduzido, muitos aposentados dependem exclusivamente da renda previdenciária para custear despesas essenciais. Nesse contexto, gastos com hospedagem, alimentação e deslocamentos podem tornar a viagem inviável, mesmo quando o bilhete aéreo cabe no orçamento.
Além das limitações financeiras, a própria estrutura do programa cria obstáculos para parte dos beneficiários. O acesso ocorre exclusivamente pela internet e exige conta Gov.br nos níveis prata ou ouro. Para muitos idosos, dificuldades relacionadas ao uso de plataformas digitais continuam sendo uma barreira importante.
A divulgação também ficou aquém do necessário. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou anteriormente que levantamentos da pasta indicaram que mais de 95% dos aposentados desconheciam a existência do programa. A falta de informação reduziu o alcance de uma política criada justamente para atender esse público.
Outro entrave está na disponibilidade das passagens. Como o Voa Brasil depende de assentos ociosos disponibilizados pelas companhias aéreas, a oferta diminui em períodos de maior demanda, como férias escolares e feriados prolongados, quando muitas famílias planejam viajar.
O alcance do programa também permaneceu restrito porque a segunda fase da iniciativa ainda não saiu do papel. Anunciada pelo governo durante o lançamento do projeto, a expansão para estudantes do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) segue sem previsão de implementação.
Atualmente, podem participar aposentados do INSS que não tenham viajado de avião nos últimos 12 meses e possuam conta Gov.br nível prata ou ouro. A compra continua condicionada à disponibilidade de assentos oferecidos pelas companhias aéreas.
Os resultados obtidos até agora mostram que reduzir o preço da passagem, por si só, não garante o acesso efetivo ao transporte aéreo. Questões como renda, inclusão digital, divulgação e oferta de vagas continuam determinando quem consegue, de fato, utilizar o benefício. O desafio do governo passa agora por ampliar o alcance da iniciativa e transformá-la em uma política capaz de atender um número maior de aposentados e, futuramente, estudantes de baixa renda.
Para saber como e quem pode participar do programa Voa Brasil clique aqui.