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Após trabalhadora urinar nas calças, Calçados Zenglein suspende produção por 3 dias

Os patrões querem esfriar a mobilização e também retaliar trabalhadores, denuncia sindicato

Publicado: 30 Junho, 2021 - 14h02 | Última modificação: 01 Julho, 2021 - 09h10

Escrito por: CUT-RS

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A fábrica de Calçados Zenglein dispensou as trabalhadoras e os trabalhadores da linha de produção nesta quarta-feira (30), dois dias após  protestos realizados pelo Sindicato das Sapateiras e dos Sapateiros de Novo Hamburgo (RS) contra a atitude da empresa, que negou a uma trabalhadora o direito de ir ao banheiro.

Leia mais: Impedida de ir ao banheiro, trabalhadora urina nas calças em Novo Hamburgo

Segundo a diretora do Sindicato e da CUT-RS, Jaqueline Erthal, a Zenglein comunicou os empregados no final da tarde desta terça-feira (29) que iria parar a produção por três dias, liberando os seus funcionários. A retomada das  atividades será na próxima segunda-feira, dia 5 de julho.

“Os patrões querem esfriar a mobilização do Sindicato e é também uma forma de retaliação que a empresa tomou com essa atitude de dispensar seus trabalhadores da produção por conta das denúncias que fizemos”, afirma a dirigente sindical.

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O fato também repercutiu na imprensa local, com reportagem de página inteira do Jornal NH e um artigo de opinião do jornalista Cláudio Brito, sob o título "Constrangimento medieval", publicado nesta quarta-feira no mesmo veículo. A indignação também foi grande nas redes sociais.

Sindicato  divulga  carta da empresa e rebate explicações

O Sindicato voltou a se manifestar nesta terça-feira para dar conhecimento aos empregados da carta enviada pela empresa para a entidade e contestar as alegações dos patrões. 

As dirigentes sindicais leram no carro de som a íntegra do documento remetido pela empresa, diante de todos os funcionários presentes, e repudiaram com veemência as justificativas esfarrapadas da fábrica. 

No texto, a empresa se justifica dizendo que possui 17 banheiros masculinos e 17 banheiros femininos à disposição de cerca de 160 funcionários. Também alega que foi “uma infelicidade ímpar” o fato ocorrido e que até então isso jamais tinha acontecido. A empresa ainda tenta responsabilizar as próprias colegas de trabalho.

O Sindicato rebateu as explicações da empresa. Não é o número de banheiros à disposição que a entidade questiona e sim a “tal da chave” que as trabalhadoras e os trabalhadores têm que pedir autorização para pegá-la. 

“É essa situação constrangedora e humilhante que causa todo esse estresse, pois leva muito tempo entre pedir e receber a chave e se deslocar até o banheiro”, ressalta Jaqueline. 

“É um comunicado que não diz nada. A empresa simplesmente ignorou a gravidade do fato e tenta de uma forma sutil responsabilizar a vítima e suas colegas de trabalho. Não aceitamos este tipo de argumento que visa desqualificar a ação do Sindicato em defesa da liberação do banheiro como uma questão de saúde no trabalho e respeito a quem produz os resultados da empresa”, destaca..

O Sindicato responsabiliza a direção dos Calçados Zenglein por essa atitude desrespeitosa e desumana com as trabalhadoras e os trabalhadores. “Queremos que a fábrica assuma que errou e que termine de uma vez por todas com essa crueldade e humilhação de ter que pedir chave para ir ao banheiro. Queremos dignidade e melhores condições de trabalho e é por isso que iremos lutar até o fim”, avisa Jaqueline.

Com informações do Sindicato das Sapateiras e dos Sapateiros de Novo Hamburgo