Apagões e falta de água expõem crise dos serviços e pautam encontro de urbanitários
Encontro nacional de urbanitários, em Natal, discutirá os impactos das privatizações e defenderá energia e saneamento como direitos da população, reforçando que a luta dos urbanitários é a luta da sociedade
Publicado: 04 Maio, 2026 - 15h47 | Última modificação: 05 Maio, 2026 - 10h35
Escrito por: FNU
Apagões prolongados, interrupções no abastecimento de água e aumento nas tarifas de serviços básicos têm marcado a vida de milhões de brasileiros nos últimos anos. Casos recentes no setor elétrico, como os episódios de falta de energia na área de concessão da Enel em São Paulo, que deixaram milhões de pessoas sem luz por longos períodos, e as recorrentes críticas de órgãos reguladores à qualidade do serviço prestado, evidenciam os limites do modelo atual.
No saneamento, a situação também preocupa. Em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Sergipe, populações têm enfrentado problemas de desabastecimento, instabilidade no fornecimento e questionamentos sobre a qualidade da água, especialmente após processos de concessão e privatização dos serviços.
É nesse cenário que será realizado, nos dias 7 e 8 de maio de 2026, em Natal (RN), no Hotel Monza Palace, o 14º Encontro Nacional dos Urbanitários (ENU) — principal instância de debate, formulação e deliberação política do ramo urbanitário no Brasil.
Promovido pela Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), em conjunto com entidades nacionais do movimento sindical que atuam no setor, o encontro reunirá dirigentes de todo o país que representam trabalhadores e trabalhadoras das áreas de energia elétrica, saneamento, gás e meio ambiente. A programação também contará com a participação de especialistas e de autoridades dos poderes Executivo e Legislativo.
Com o tema “Mais que um encontro: um compromisso com o futuro”, o ENU se consolida como um espaço estratégico de construção de propostas diante de um momento decisivo para os serviços públicos e para a população brasileira.
Urbanitários colocam em debate o direito da população à água e à energia
Para a FNU, o cenário atual reforça a necessidade de recolocar o debate sobre o papel do Estado e das empresas públicas na garantia de direitos essenciais. “A população está sentindo no dia a dia o que significa tratar serviços essenciais como mercadoria. Quando falta luz, quando falta água, quando a tarifa sobe, quem sofre é o povo — principalmente quem mais precisa”, afirma Pedro Damásio, presidente da FNU.
Segundo ele, o ENU será um espaço fundamental para aprofundar esse debate: “A luta dos urbanitários não é corporativa. É a defesa do direito da população a serviços públicos de qualidade, acessíveis e universais. Água e energia não podem ser tratadas como negócio. São direitos essenciais para a vida e para o desenvolvimento do país”.
Serviços essenciais sob pressão
Estudos e análises de entidades do setor, como o Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS), apontam que o avanço de modelos privatizados no saneamento não tem garantido, na prática, a universalização do acesso à água e ao esgotamento sanitário, especialmente nas áreas mais pobres, onde o retorno financeiro é menor.
Ao mesmo tempo, dados oficiais mostram que milhões de brasileiros ainda convivem com a ausência ou a precariedade desses serviços, o que reforça a desigualdade no acesso a direitos básicos.
No setor elétrico, os episódios recentes de falhas no fornecimento de energia em grandes centros urbanos evidenciam problemas estruturais na prestação dos serviços, com impactos diretos sobre a população — desde famílias que ficam dias sem luz até prejuízos para pequenos comércios, escolas e unidades de saúde.
Debate estratégico em um ano decisivo
Durante o encontro, estarão em pauta temas centrais como a reversão das privatizações no setor elétrico — com destaque para a Eletrobras e suas subsidiárias —, a posição contrária à privatização das empresas de saneamento e a defesa das empresas públicas como instrumentos fundamentais para garantir o acesso universal à água, à energia e à infraestrutura.
O ENU também discutirá a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras urbanitários, a defesa dos direitos trabalhistas e as condições de trabalho em um cenário de profundas transformações no mundo do trabalho.
Realizado em um ano de eleições, o encontro também será um espaço de defesa da democracia e de um projeto de país comprometido com a soberania nacional, a justiça social e o fortalecimento dos serviços públicos.
Mais do que um encontro sindical, o 14º ENU se apresenta como um chamado à sociedade para refletir sobre o modelo de desenvolvimento adotado no país — e sobre quem, de fato, tem acesso — ou não — aos direitos mais básicos no Brasil.
Confira a programação:
https://www.fnucut.org.br/55814/fnu-divulga-programacao-do-14o-encontro-nacional-dos-urbanitarios-enu/