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Aos Fatos identifica 43 declarações mentirosas de Flávio Bolsonaro só no caso Master

Reportagem mostra como o candidato do PL mudou suas versões sobre Daniel Vorcaro. Em pedido de resposta ao TSE, a coligação de Lula contesta outras oito afirmações feitas por ele à TV Globo.

Publicado: 25 Setembro, 2026 - 14h35 | Última modificação: 25 Setembro, 2026 - 15h27

Escrito por: Redação CUT

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Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da República, publicamente já negou conhecer Daniel Vorcaro, rejeitou a existência de conversas com o ex-banqueiro e, depois que as mensagens vieram a público, passou a dizer que buscava apenas investimento privado para um filme sobre seu pai. As mudanças foram reunidas em uma reportagem do Aos Fatos, publicada em 24 de setembro.

O veículo identificou 43 declarações enganosas do candidato à Presidência sobre o caso Banco Master e organizou suas respostas em cinco linhas: associar o escândalo ao governo Lula, negar o vínculo com Vorcaro, admitir o contato enquanto afastava suspeitas, prometer transparência sobre o financiamento do filme e dirigir os ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A contagem de 43 se refere ao caso Master; as oito afirmações questionadas pela coligação de Lula, apresentadas mais adiante, são um levantamento separado.

O Aos Fatos é uma organização jornalística independente dedicada à checagem de declarações públicas e à investigação da desinformação. Seu trabalho permite acompanhar cada afirmação, a evidência disponível e as alterações no discurso de quem a fez. Leia a reportagem original na íntegra.

O que a reportagem do Aos Fatos identificou

“O Master é do Lula.” Flávio procurou atribuir o escândalo ao atual governo e afirmou que o caso estava longe de envolver políticos de direita. Segundo o Aos Fatos, essa versão omite que os fatos investigados antecedem a atual gestão e que as apurações e revelações alcançam pessoas ligadas a diferentes campos políticos, em especial aqueles ligados ao candidato como os deputados Nikolas Ferreira e Mario Frias e o minsitro do STF, André Mendonça. Uma reunião de Lula com Vorcaro, por si só, também não demonstra irregularidade.

“Não conheço Vorcaro.” Ao ser questionado, em março, sobre a presença de seu número na lista de contatos do ex-banqueiro, o senador disse que não o conhecia. Em maio, vieram a público mensagens entre os dois e informações sobre encontros presenciais. Nas conversas divulgadas, Flávio chamava Vorcaro de “irmão” e “irmãozão”.

“É mentira.” Antes da publicação das mensagens sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, Flávio negou a informação ao ser abordado por um repórter do Intercept Brasil. Na mesma noite, após a divulgação do material, confirmou a conversa. Sua explicação passou a ser a de que buscava investimento privado para a produção.

“Não havia acusação contra ele.” Ao defender o contato com Vorcaro, Flávio afirmou que o banqueiro não enfrentava acusações à época. O Aos Fatos aponta que, antes das mensagens trocadas entre setembro e novembro de 2025, já haviam sido publicadas informações sobre as dificuldades financeiras do Banco Master. A reportagem também registra que Flávio disse a Vorcaro saber que ele atravessava um “momento dificílimo”.

“As contas já foram apresentadas.” O senador prometeu mostrar as despesas do filme e passou a citar uma perícia contratada pela produtora como prestação de contas. De acordo com o Aos Fatos, o documento não detalhou todas as notas fiscais, e o profissional responsável disse não ter tido acesso aos gastos nos Estados Unidos, que representavam quase 70% das despesas examinadas. A origem e o destino dos recursos seguem sob investigação.

Ataques seletivos a Alexandre de Moraes. Flávio passou a associar o ministro ao caso Master e criticou uma viagem dele em avião ligado a Vorcaro. A reportagem registra que documentos da Polícia Federal também apontaram uma viagem do próprio senador na aeronave, em outro voo. Flávio argumentou que, na ocasião, o avião não pertencia a Vorcaro; segundo o Aos Fatos, o ex-banqueiro detinha participação na aeronave por meio de uma empresa.

A reportagem reúne ainda afirmações pontuais contestadas por documentos ou revelações posteriores. Entre elas estão a data do último pagamento atribuído a Vorcaro para o filme, a alegação sem prova de que uma foto com um homem ligado ao banqueiro teria sido produzida por inteligência artificial e a defesa pública de uma CPI do Master: embora tenha repetido que apoiava a investigação, Flávio assinou dois dos cinco pedidos de criação de comissão, conforme o levantamento.

As suspeitas sobre o financiamento de Dark Horse estão em apuração. O fato de haver investigação não equivale a uma conclusão de culpa.

As mudanças de discurso de Flávio Bolsonaro

Primeiro discurso

O que veio depois

O caso Master estaria distante da direita e seria responsabilidade do governo Lula.

Revelações passaram a mostrar contatos entre Vorcaro e Flávio, além de vínculos do banqueiro com pessoas de diferentes campos políticos.

Flávio não conhecia Vorcaro.

Mensagens e encontros entre os dois vieram a público.

As conversas sobre o filme eram mentira.

Após a divulgação das mensagens, o senador admitiu que havia negociado com Vorcaro.

O financiamento seria apenas um investimento privado, sem irregularidade.

A origem, a aplicação e o destino de parte dos recursos passaram a ser investigados.

As contas da produção já estariam esclarecidas.

A perícia citada pelo senador deixou despesas sem detalhamento, segundo o Aos Fatos.

A viagem de Moraes em avião ligado a Vorcaro merecia críticas.

Documentos apontaram que Flávio também viajou na aeronave; ele apresentou uma justificativa para diferenciar os episódios.

Coligação de Lula contesta outras oito afirmações

O material enviado à Justiça Eleitoral pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, de Lula e Geraldo Alckmin, trata de outra frente. Após a sabatina de Flávio Bolsonaro à TV Globo, em 28 de agosto, a coligação pediu direito de resposta e enumerou oito declarações que considera falsas ou descontextualizadas. Esse pedido expressa os argumentos da campanha; não deve ser confundido com as 43 declarações mapeadas pelo Aos Fatos sobre o Master.

  1. Urnas eletrônicas: Flávio disse que jamais questionou o sistema eleitoral. A coligação cita manifestações anteriores em que ele colocou em dúvida a segurança e a confiabilidade das urnas, inclusive ao defender o voto impresso.
  2. Homenagens a Adriano da Nóbrega: O candidato afirmou que não havia acusações graves contra o ex-policial quando o homenageou. O pedido de resposta aponta que já existia uma acusação antes da primeira homenagem, em 2003, e que a Medalha Tiradentes foi concedida em 2005, quando Nóbrega estava preso.
  3. Brigadeiro Batista Júnior: Flávio apresentou como apoiador de Lula o ex-comandante da Aeronáutica que relatou pressões ligadas à tentativa de ruptura institucional após a eleição de 2022. Segundo o material da coligação, Batista Júnior votou em Jair Bolsonaro em 2018 e 2022.
  4. Ataques de 8 de janeiro: Flávio chamou os atos de 2023 de “farsa”. A coligação contrapõe a afirmação às decisões judiciais sobre os ataques às sedes dos Três Poderes e aos elementos reunidos nas investigações.
  5. Vorcaro e o filme Dark Horse: O senador afirmou que as informações relevantes sobre o dinheiro do filme já eram públicas e minimizou sua proximidade com o banqueiro. A coligação questiona a falta de detalhamento das despesas e cita as mensagens trocadas entre os dois.
  6. Tarifas dos Estados Unidos: Flávio atribuiu a Lula a imposição de tarifas a produtos brasileiros e afirmou que o governo não enviou representantes para contestá-las. O pedido de resposta cita a atuação do vice-presidente Geraldo Alckmin junto a autoridades norte-americanas.
  7. Salário mínimo: O candidato disse que o piso estava perdendo poder de compra por causa dos gastos do governo. A coligação lembra que a política de reajuste em vigor repõe a inflação e prevê ganho real, dentro dos limites estabelecidos em lei.
  8. Pix: Flávio atribuiu a criação e a gratuidade do sistema a uma exigência de Jair Bolsonaro. O Pix foi desenvolvido pelo Banco Central no governo de Michel Temer e lançado durante o governo fo pai do senador. A coligação observa que a gratuidade foi definida pelo próprio BC e que não há indicação, nos documentos citados, de que tenha resultado de uma exigência do então presidente.

No caso do Pix e do financiamento de Dark Horse, os dois levantamentos se cruzam. Nos demais pontos, o pedido da coligação amplia o quadro de afirmações contestadas, mas tem origem e método diferentes dos da reportagem do Aos Fatos.