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Aniversário da Petrobras no RS é marcado por protestos contra privatização

Os petroleiros e as petroleiras inflaram balões coloridos, com o símbolo "Petrobrás Fica no RS"

Publicado: 17 Setembro, 2021 - 09h20

Escrito por: CUT RS

Sindipetro-RS
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O ato realizado pelo Sindipetro-RS, na manhã desta quinta-feira (16), em frente ao portão principal da Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), em Canoas (RS), chamou a atenção da sociedade para o aniversário de um dos maiores símbolos dos gaúchos. Neste 16 de setembro, a REFAP e o Terminal Almirante Soares Dutra (TEDUT), de Osório (RS), completam 53 anos sob forte ameaça de privatização.

Com o tema "Sem aniversariante não tem o que comemorar", os trabalhadores encheram e estouraram balões pretos, com palavras que representavam o que o Rio Grande do Sul vai perder com a saída da Refap: emprego, arrecadação, progresso, possibilidade de preço justo, alegria e esperança.

Na sequência, os petroleiros e as petroleiras inflaram balões coloridos, com o símbolo "Petrobrás Fica no RS", que foram colocados em hastes e levados para dentro da refinaria como forma de resistência. 

"Não vamos permitir que os nossos empregos e tudo de bom que a Petrobrás traz para o Estado vá embora. Entrem com esse balões e coloquem nas mesas de vocês, deixando este recado  para a gestão", disse a dirigente do Sindipetro-RS, Miriam Cabreira.

A manifestação contou com a participação do coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, com o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, do ex-presidente da Petrobrás Biocombustíveis e ex-ministro da presidenta Dilma Rousseff, Miguel Rossetto, do vereador de Esteio, Leo Dahmer (PT) e de representantes dos entidades sindicais e movimentos sociais.

Nós precisamos estar nas ruas

Deyvid lembrou da luta que os trabalhadores vem travando para barrar a privatização da REFAP. "Seja em qualquer tipo de mobilizações da categoria, nas numerosas ações judiciais ingressadas pelo Sindicato e pela Federação, seja nas articulações políticas no Congresso".

Ele destacou que "através de ações do Sindipetro e da FUP, conseguimos algo inédito na época em que o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) era presidente do Senado, onde ele levou para o STF os nossos questionamentos sobre a venda das refinarias".

"Precisamos participar dessas atividades, nós precisamos estar nas ruas, fazendo o processo de convencimento da sociedade, com a família, amigos, nas associações, escolas, faculdade e igrejas. Se estamos passando por tudo isso é porque erramos nas decisões de forma coletiva, ao ponto desse amigo de miliciano, terraplanista e fundamentalista religioso estar na Presidência da República", disse o dirigente da FUP.

Privatização é retrocesso

A venda da refinaria – ou de qualquer outra unidade da Petrobrás – representa um retrocesso e está na contramão dos ideais de sua criação que, no caso da REFAP, foi no ano de 1968.

Idealizada pelo então governador Leonel Brizola (1959-1963), a refinaria foi construída para trazer progresso, desenvolvimento, segurança energética e colocar o RS no mapa do petróleo, que tinha uma política centrada no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. A presença da Petrobrás no Sul mudou este cenário e consolidou a empresa como uma indústria do petróleo no Brasil.

Perda anual de R$ 1 bilhão para o RS

A privatização da REFAP deve gerar uma perda anual de R$ 1 bilhão para o Rio Grande do Sul. Somente no município de Canoas a perda seria R$ 250 milhões/ano, o que representa 10% da arrecadação de impostos. Além da redução na arrecadação dos repasses de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) para o estado, o preço do combustível e gás de cozinha vai aumentar para o consumidor.

No decorrer da semana, serão veiculadas peças da campanha "Se não tiver aniversariante, não tem o que comemorar", nas redes sociais do Sindipetro-RS, denunciando as consequências da saída da Petrobrás e o vazio que deixará no RS.