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Alípio Freire, defensor incansável da democracia brasileira, morre aos 75 anos

Militante da Ala Vermelha, ele foi preso político, vítima da ditadura civil-militar e um dos fundadores do PT e editor da Revista Sem Terra, do MST

Publicado: 22 Abril, 2021 - 14h32 | Última modificação: 22 Abril, 2021 - 14h36

Escrito por: Redação RBA

Opera Mundi/Reprodução
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Morreu em São Paulo, aos 75 anos, em decorrência da covid-19, o jornalista, escritor e artista plástico, Alípio Freire. Militante da Ala Vermelha – grupo dissidente do PCdoB –, Alípio resistiu às torturas da ditadura civil-militar e aos cinco anos em que ficou preso por se opor ao regime, mas sucumbiu à doença do novo coronavírus nesta quinta-feira (22), depois de um mês hospitalizado. Natural de Salvador, Alípio, mesmo após sua prisão política, continuou na luta pela democracia, à qual dedicou a vida. Foi um dos fundadores do PT e caminhou na batalha da comunicação pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Entre o jornalismo e a militância, Alípio foi autor de várias obras, entre elas Tiradentes, um presídio da ditadura: memórias de presos políticos (1997) e Estação Paraíso (2007), ambos publicados pela editora Expressão Popular. Em 2013, lançou seu primeiro documentário: 1964 – Um golpe contra o Brasil, produzido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política e com apoio da TVT.

Seu interesse pela temática vinha sobretudo da motivação em explicar aos jovens brasileiros as origens do golpe a partir do olhar da geração que resistiu à ditadura. Em entrevistas, Alípio reiteradamente observava que a sua esperança de que os criminosos da ditadura fossem punidos estava diretamente ligada à luta por dignidade para os setores da população em que a redemocratização nunca chegou. Como explicou ao projeto Memórias da Ditadura

Legado de luta

“É exatamente a impunidade dos criminosos de ontem que estimula, naturaliza e banaliza e torna impunes os crimes, chacinas e massacres do presente. Hoje, esses mesmos crimes são cometidos contra a população de baixa renda das periferias das cidades; contra os trabalhadores rurais e camponeses pobres; estão presentes nas torturas e assassinatos nas sombrias salas de ‘interrogatório’ das delegacias e outros órgãos públicos do presente”, observava ele. 

Alípio foi ainda editor da Revista Sem Terra do MST e membro do conselho de redação da revista Teoria & Debate

Em nota de pesar, o PT comentou que a militância vinha acompanhando apreensiva o quadro de saúde do jornalista. E prestou “solidariedade aos familiares e amigos de Alípio. Gratidão por sua história de militância e dedicação as causas sociais. Seu legado em defesa da democracia permanecerá”, destacou o partido. O coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, também lamentou em nome da organização a notícia de falecimento. “O povo brasileiro perde um  grande lutador e nós do MST perdemos um grande Camarada e amigo!”, escreveu em seu Twitter

O jornalista Breno Altman, fundador do Opera Mundi, endossou que Alípio “travou sua última batalha com a coragem dos bravos, como o fez durante toda a vida”. A socióloga e ativista da Marcha Mundial das Mulheres, Tica Moreno, descreveu que “na militância encontramos pessoas que, às vezes com uma fala, carimbam sua história na nossa vida, no nosso olhar. Foi assim com Alípio Freire, com quem participei de uma única e tensa reunião. A intervenção dele ali, pra mim, foi inesquecível. Mais um que perdemos pra covid”, lamentou.

Alípio Freire deixa a companheira Rita Sipahi, três filhos e netos.