Água e transporte mais caros revelam as faces mentirosas de Tarcísio e Nunes
Governador de São Paulo Tarcísio de Freitas afirmou que com a venda da Sabesp a conta de água não subiria e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, prometeu em campanha não aumentar o preço do ônibus
Publicado: 06 Janeiro, 2026 - 14h02 | Última modificação: 06 Janeiro, 2026 - 14h20
Escrito por: Redação CUT | Editado por: Rosely Rocha
Os paulistas de todo o estado começaram o ano pagando mais caro pela água, e quem mora ou precisar utilizar o transporte público na capital também terá de desembolsar mais pelo transporte público. No dia 1º de janeiro de 2026 a conta da água subiu 6,11% a mais - um índice 1,61% acima da inflação oficial do país, que fechou o ano de 2025 em 4,5%. As passagens de metrô e trens sobem de R$ 5,20 para R$ 5,40 e a dos ônibus de R$ 5,00 para R$ 5,30. (Saiba mais abaixo).
A mentira de Tarcísio ao vender a Sabesp
Esse reajuste mostra a face mentirosa do governador Tarcísio de Freitas, do Partido Republicanos. Em outubro de 2022 em sua campanha eleitoral ele disse que era fake News de que aumentaria o preço da conta de água.
Julgo necessário restabelecer a verdade. Está é minha primeira campanha e estou sendo bombardeado por fake news. A 1a delas: “Tarcísio vai aumentar a conta de água.” Mentira! Vamos seguir com a privatização da Sabesp apenas se for vantajoso para o cidadão. #TarcísioNoDebate
— Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf) October 28, 2022
Ao defender a venda da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), por um preço abaixo do mercado, ele prometeu que a conta de água baixaria. Veja no vídeo em entrevista que fez à TV Globo, em janeiro de 2024.
Tarcísio prometeu em público que a conta de água da Sabesp não aumentaria após a privatização, tentando posar de gestor eficiente e evitar desgaste. Só que a promessa já mostra sinal de virar água morro abaixo. pic.twitter.com/o33WU251iT
— Senhora RIVOTRIL (@SRivoltril) December 4, 2025
Mas a primeira coisa que os novos donos da Sabesp fizeram foi demitir trabalhadores e trabalhadoras. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) a empresa demitiu mais de 2 mil funcionários desde a privatização, sendo 1 mil deles no primeiro trimestre do ano passado, mostrou balancete publicado no site da Sabesp.
Serviço precário
Com a falta de profissionais, a precarização do atendimento foi imediata. Populares reclamam da falta de manutenção, com um grande volume de água sendo desperdiçada por rompimentos de canos. Basta pesquisar na internet para ver dezenas de denúncias tanto de moradores da capital como do interior do estado, de vazamentos que duram dias, reparos e serviços malfeitos.
Além da conta mais cara, diversas cidades do estado ficaram dias sem abastecimento e outras com racionamento de água, com a desculpa de que o consumo aumentou no verão, como se esse período de falta ou excesso de chuvas fosse uma surpresa.
A política de dividendos da empresa também mudou. Até o ano passado, a distribuição de dividendos aos acionistas era de 25% do lucro líquido. Em 2026 e 2027 será de 50%, podendo chegar a 75% em 2028 e 2029 e a 100% a partir de 2030. Ou seja quanto mais lucro, mais ricos ficam os acionistas.
Sabesp foi vendida a preço de banana
A Sabesp foi vendida no dia 23 de julho de 2024 por R$ 14,7 bilhões para a Equatorial Participações e Investimentos. O valor representa 32% das ações da companhia, e o governo paulista passou a deter 18,3% da empresa – antes do processo de privatização, essa porcentagem era de 50,3%. O preço das ações vendidas na privatização da empresa, R$ 67 cada, ficou abaixo do valor atual dos papeis (R$ 87).

Dias antes da conclusão da venda para a Equatorial Participações e Investimentos, o Sintaema e o Ondas denunciaram que o valor pedido por Tarcísio era 11,6% inferior ao preço das ações da Sabesp e 27,5% menor do valor que constava no Relatório de Avaliação Econômico-financeira (Valuation) da empresa. Se considerada a consistência no dimensionamento dos investimentos, o valor pago pela Equatorial foi 55,1% menor.
Metrô e trens mais caros
Outro aumento anunciado pelo governo do estado de São Paulo, que passou a vigorar nesta terça-feira (6) foi o valor das tarifas de trem e metrô. Segundo anunciado pelo governador Tarcísio de Freitas no final do ano passado, as passagens passam de R$ 5,20 para R$ 5,40.
Além do reajuste nos preços pagos pela população, há o prejuízo aos cofres públicos ao “ressarcimento” que Tarcísio de Freitas dá às empresas privadas que operam linhas do metrô. As linhas privatizadas transportam menos, mas ganham 4 vezes mais que o Metrô e a CPTM, denunciou o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, a partir de um levantamento do UOL, em novembro de 2023. Somente em 2022 a Via Quatro e juntamente com a ViaMobilidade receberam R$ 2 bilhões para transportar cerca de 500 milhões de passageiros. Já o Metrô e CPTM (públicas) carregaram mais que o dobro — 1,23 bilhão de passageiros — mas ficaram só com R$ 460 milhões no mesmo período.
Apesar desses repasses milionários as estações de trens e metrô vivem lotadas e com diversos acidentes, inclusive com mortes como a que ocorreu em maio do ano passado quando o estudante de Educação Física e pai de três filhos Lourivaldo Ferreira Nepomuceno, de 35 anos, morreu após ser arrastado por um trem ao tentar embarcar na Estação Campo Limpo, da Linha 5-Lilás, do metrô.
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Nunes também mentiu e ônibus ficam mais caros
Quem usar ônibus como transporte na cidade de São Paulo, também a partir desta terça-feira, vai pagar uma passagem mais cara. Como anunciado no fim de 2025, a tarifa, que era de R$ 5 passa agora a custar R$ 5,30. É um reajuste de 6% acima da inflação no período de um ano, que foi de 4,5%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB, mentiu para a população paulistana. Um dia após a sua reeleição ele disse não pretendia aumentar a tarifa. Nunes fez mesma falsa promessa que já havia feito durante a sua campanha eleitoral em julho de 2024 e no debate na TV que fez com Guilherme Boulos (Psol) seu concorrente à época, no segundo turno das eleições.
Ricardo Nunes em época de campanha falava que iria reduzir taxas
— Cássio Oliveira (@cassioolivveira) December 29, 2025
Ricardo Nunes depois de eleito já aumentou DUAS VEZES a passagem do ônibus em São Paulo. Agora vai pra R$ 5,30. Acima da inflação.
E se o pobre reclamar ele vai falar para o pobre “COMPRAR UM CARRO” pic.twitter.com/fuoJx6slha
Mas após ganhar as eleições em outubro, dois meses depois, no dia 14 de dezembro, Ricardo Nunes anunciou que reajustaria o valor das passagens de ônibus no ano seguinte.
*Com informações da Agência Brasil, G1 e Brasil de Fato