Aeroportuários convocam ato em defesa do Santos Dumont no RJ, no dia 8 de maio
Mobilização no Dia Nacional do Turismo denuncia esvaziamento do aeroporto, impactos econômicos e risco de desativação; ato será às 10h, no saguão do aerporto carioca
Publicado: 06 Maio, 2026 - 11h44 | Última modificação: 06 Maio, 2026 - 13h07
Escrito por: Redação CUT
O Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) convocou a sociedade carioca para um ato em defesa do Aeroporto Santos Dumont (SDU), no Rio de Janeiro, na próxima sexta-feira, 8 de maio, às 10h, no saguão do terminal. A mobilização coincide com o Dia Nacional do Turismo e denuncia o processo de esvaziamento do aeroporto, considerado estratégico para a mobilidade urbana e a economia da cidade. De acordo com o Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), trata-se de uma estratégia para favorecer o Aeroporto Internacional do Galeão, cuja gestão é privatizada.
Essa estratégia, segundo o presidente do Sina, Marcelo Tavares, consiste em é 'esvaziar' o Santos Dumont, transferindo voos para o outro aeroporto e, futuramente, promover a sua privatização, o que invabilizaria seu funcionamento por questões de custos.
“A transferência dos voos do Santos Dumont, que sempre teve uma operação saudável, atende exclusivamente ao Galeão, hoje um aeroporto privado. Esse esvaziamento pode levar à concessão e até à inviabilização do aeroporto, apagando sua importância. Essa luta não é só dos aeroportuários, é de toda a sociedade", diz o dirigente
Por isso, o sindicato convocou a sociedade e o movimento sindical do Rio para o ato no dia 8 de maio, às 10h.
“Estamos aqui mais uma vez chamando a atenção da opinião pública para um fato que tem ocorrido silenciosamente em um dos aeroportos mais importantes do Brasil, o nosso querido Santos Dumont. Devido a uma política desastrosa de retirada dos voos desse terminal, ele hoje vive um drama muito grande, sentido por trabalhadores do comércio, restaurantes e taxistas, que tiveram uma redução nos seus ganhos de aproximadamente 50%”, afirma Marcelo Tavares, presidente do Sina.
Ele reforça que as restrições impostas às operações do Santos Dumont a partir do final de 2023 já provocaram forte impacto na movimentação do terminal. Em 2023, o aeroporto registrou 11,1 milhões de passageiros. Com as mudanças, esse número caiu para 5,9 milhões em 2024, e dados parciais de 2025 indicam nova redução.
No mesmo período, houve queda de 56% no número de decolagens no primeiro trimestre de 2024, na comparação com o ano anterior. Além disso, mais de 50% das rotas mais longas que antes operavam no SDU foram transferidas para o Aeroporto Internacional do Galeão.
Esse processo, de acordo com o dirigente, não é pontual, mas parte de uma política que favorece interesses privados em detrimento do papel estratégico do Santos Dumont.
Esse esvaziamento vem sendo articulado e atendido com a autorização para transferência de voos, beneficiando única e exclusivamente o Galeão, que hoje é um aeroporto privado
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Impactos diretos na economia local
O enfraquecimento das operações no Santos Dumont já afeta diversos setores econômicos no entorno do aeroporto. Entre os mais impactados estão trabalhadores do transporte, hotelaria e alimentação.
Dados apresentados pela categoria indicam que o setor de táxis e transporte por aplicativo registrou queda de cerca de 55% no volume de corridas na região em 2025. No setor hoteleiro, a ocupação e a receita caíram para aproximadamente 60% do nível registrado em 2023. Já restaurantes da região tiveram redução de cerca de 35% no faturamento, com fechamento de estabelecimentos e diminuição de jornadas de trabalho.
Para os aeroportuários, o impacto vai além dos números. Trata-se de um efeito direto sobre o emprego e a renda de milhares de trabalhadores que dependem da movimentação do aeroporto.
Comparação com o caso da Pampulha
A categoria também alerta para o risco de repetição de um cenário já observado em Belo Horizonte. Em 2019, voos comerciais do Aeroporto da Pampulha foram transferidos para Confins, com o argumento de melhorar a viabilidade econômica do sistema aeroportuário.
Segundo os aeroportuários, o resultado foi o aumento da distância percorrida pelos passageiros — cerca de 42 km — e maiores custos de deslocamento, além de impactos na dinâmica urbana.
Para o sindicato, a possível concentração de voos no Galeão segue a mesma lógica e pode trazer prejuízos semelhantes à população do Rio de Janeiro.
Defesa da coexistência dos aeroportos
Os trabalhadores defendem a manutenção das operações do Santos Dumont, destacando sua vocação para voos domésticos e sua localização estratégica no centro da cidade. Na avaliação da categoria, o SDU e o Galeão cumprem funções distintas e devem operar de forma complementar.
“O Santos Dumont é a principal porta de entrada para o turismo nacional e um patrimônio histórico da aviação brasileira. Desativá-lo é atingir diretamente a economia, a mobilidade e a memória do país”, afirma o material de convocação.
Chamado à mobilização
O Sindicato Nacional dos Aeroportuários reforça que a mobilização do dia 8 de maio não se restringe à categoria, mas envolve toda a sociedade.
“É muito importante que toda a sociedade carioca acompanhe e fortaleça esse ato. Não se trata apenas dos aeroportuários. Se houver esse esvaziamento e uma futura concessão, o aeroporto pode deixar de fazer sentido operacionalmente. Vamos juntos nessa luta”, conclui Marcelo Tavares.
Serviço
Ato em defesa do Aeroporto Santos Dumont
Data: 8 de maio (sexta-feira)
Horário: 10h
Local: Saguão do Aeroporto Santos Dumont (RJ)