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#AdiaEnem: 60% das residências das classes D e E não têm internet

Entidades do movimento estudantil questionam a manutenção do calendário e realizam nesta sexta manifestações nas redes pelo #AdiaEnem

Publicado: 15 Maio, 2020 - 15h20 | Última modificação: 15 Maio, 2020 - 15h25

Escrito por: Redação RBA

Arquivo EBC
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Entidades do movimento estudantil promovem nesta sexta-feira (15) uma onda virtual de manifestações pelo #AdiaEnem. Os alunos questionam a manutenção do calendário do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Isso porque a realização de aulas por meio do ensino à distância em meio à pandemia do novo coronavírus agrava desigualdades nas condições de acesso ao ensino público superior.

Segundo dados da União Nacional dos Estudantes (UNE), 58% das casas não têm computador, 40% dos estudantes não tem espaço adequado para estudar. Das residências das Classes D e E, 60% não têm internet. Na zona rural, 56% das moradias sem acesso à rede.

Após os primeiros casos de covid-19 confirmados no país, as secretarias estaduais de educação cancelaram as aulas presenciais na rede pública. Entretanto, muitos estudantes não possuem estrutura adequada para estudar em casa e a decisão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, em manter o calendários das provas aprofunda a desigualdade.

Estudante do terceiro ano do ensino médio, em Mogi-Guaçu (SP), Miriam Isabele Ferreira, relata as dificuldade dos alunos da rede pública que estão sem aulas presenciais. “Antes já não tínhamos uma boa qualidade de ensino. Agora, ficou pior e muitos alunos não têm acesso ao básico, nem como acompanhar as aulas. Quem prestar Enem, neste ano nessas condições, vai ser prejudicado.”

 

Desigualdades

A diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE) Ingrid Guzeloto ressalta que a pandemia acirrou mais as desigualdades sociais no Brasil. “Isso reflete diretamente na vida dos estudantes que se preparavam para o vestibular. Diferente do MEC, nós acreditamos que nenhum aluno pode ficar para trás nesse processo”, disse Ingrid ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual.

As aulas de ensino à distância oferecidas pelo governo, para compensar o aprendizado para quem vai prestar o Enem, esbarram ainda na falta de qualidade e de professores capacitados.

O estudante Fabrício Rezende afirma que são mais de 100 mil alunos para tirar dúvidas com um único professor à distância. Ele teme não ter um bom aproveitamento no Enem. “Uma das coisas que atrapalha são as aulas EAD. É um único professor para todo o estado, não temos como tirar nossas dúvidas. A gente não entende a matéria no nível necessário para prestar uma prova.”

A manifestação do #AdiaEnem

A manifestação on-line nas redes sociais pelo adiamento do Enem deve ocupar boas parte de hoje. A data do #AdiaEnem remete ao “Tsunami da Educação”, que no ano passado levou mais de 1 milhão de pessoas às ruas de todo o país em defesa das universidades e do ensino público.

De acordo com a UNE, não é possível tratar com normalidade uma situação de pandemia. Ingrid Guzeloto, diretora da entidade. “Outros países do mundo adiaram seus exames nacionais, nós pedimos isso. As universidades do Rio de Janeiro lançaram uma nota pedindo o adiamento. Não podemos tratar com normalidade uma situação de anormalidade. Diversos estudantes de todo Brasil estão com dificuldade para continuar os estudos”, criticou Ingrid.

A UNE e a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) chegaram a acionar o Superior Tribunal de Justiça esta semana, pleiteando o adiamento do Enem. O STJ rejeitou a ação.