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Abertura de Doria pode significar colapso na Saúde e mais mortes

“Nós não vamos aceitar de forma alguma essa flexibilização que leva a classe trabalhadora à morte”, diz Joãozinho, diretor executivo da CUT, lembrando que a Covid-19 está matando mais na periferia

Publicado: 29 Maio, 2020 - 10h55 | Última modificação: 29 Maio, 2020 - 12h02

Escrito por: Redação CUT

Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Com mais pessoas mortas pela Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, do que vários países, São Paulo se prepara para reabrir o comércio, a partir de 1º de junho, por determinação do governador João Doria (PSDB), que chegou a dizer que estava fazendo uma abertura ‘responsável’.

A ‘responsabilidade’ está sendo questionada por médicos e profissionais da área da saúde que analisam dados concretos e estão mais preocupados em salvar vidas.

“A preocupação com a economia, com os CNPJs, vem depois, quando as pessoas sobreviverem e tiverem saúde para girar a roda da economia, trabalhando e consumindo. Do que adianta salvar CNPJ se não tiver CPF para produzir e comprar?”, questiona o diretor executivo da CUT e diretor de Imprensa e Comunicação do Sindicato dos Servidores Públicos de SP (Sindsep), João Batista Gomes, Joãozinho.

O diretor executivo da CUT se referiu ao dia em que Jair Bolsonaro (ex-PSL), maior defensor da economia do que das vidas dos brasileiros, foi de surpresa ao Supremo Tribunal Federal (STF) com um grupo de empresários para pressionar pela reabertura do comércio e um empresário disse que era preciso salvar os CNPJ’s.

O dirigente lembra que o estado de São Paulo continua liderando o número de casos confirmados (95.865) e mortes (6.980) no país e registra mais óbitos do que os registrados em países como Rússia (4.374) e Turquia (4.461). Além disso, ressalta que as previsões de especialistas indicam que o pico da doença ainda não chegou.

De acordo com um estudo da Funcional Health Tech, plataforma independente de dados do setor de saúde, o pico da Covid-19 no Brasil será no dia 6 de julho, quando o país chegará a 1,7 milhão de infectados. No dia 10 de julho, São Paulo atingirá a o pico, com 601 mil infectados. Os dados foram  publicados nesta sexta-feira (29), pela colunista Mônica Bergamo, da Folha.

Em Ribeirão Preto, os médicos do Hospital das Clínicas (HC) estão preocupados com a real possibilidade do número de pacientes continuar subindo. Eles têm alertado para o risco de superlotação da unidade com pessoas que contraírem a forma mais grave da Covid-19. Segundo eles, esses pacientes ficam internados em leitos do Centro de Terapia Intensiva (CTI) do HC, durante três semanas, em média.

“Estamos longe do achatamento da curva. Não chegamos nem perto das metas de mortalidade, contaminação e muito menos da testagem para diagnóstico da Covid-19, alguns dos critérios necessários para a reabertura da economia”, diz a direção do Sindsep -SP por meio de nota em seu site .

Para os dirigentes da entidade, “é de se estranhar um plano como este considerando que o estado de São Paulo é hoje o epicentro da pandemia no país” e tem uma taxa de 83% dos leitos públicos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) ocupados.

Para a direção do Sindsep-SP, tanto o governador quanto o prefeito Bruno Covas, também do PSDB,  “tomam uma atitude que penaliza, principalmente a população mais vulnerável, coloca em risco a vida dos trabalhadores e da população”.

A reabertura das atividades comerciais acontece no momento em que todos os 20 bairros onde mais pessoas morreram por Covid-19 na cidade de São Paulo estão nas regiões periféricas da capital, segundo o último levatamento divulgado pela Prefeitura. Até o dia 20, das 6.505 mortes no estado, 2.564 eram por síndrome respiratória, com suspeita ou confirmação do novo coronavírus. 

“Na verdade, essa medida que Doria e Covas estão tomando sela a paz que eles fizeram com Bolsonaro na tal da ajuda a estados e município”, afirma Joãozinho.

É a paz de cemitério. Eles estão jogando os trabalhadores para se arriscar nas ruas porque, na verdade, hoje são os trabalhadores que estão morrendo, é a periferia que está morrendo. Na classe alta já não aparecem mais mortes. Quem está morrendo hoje é o povo.
- João Batista Gomes

Segundo o levantamento da Prefeitura, até o dia 20 tinham morrido 23 pessoas no Morumbi e 36 em Pinheiros, bairros de classe média alta da capital. Já em bairros da periferia, como Sapopemba, o total de mortes chegou a 179 e na Brasilândia, 185

"Nós não vamos aceitar de forma alguma essa flexibilização que leva a classe trabalhadora a morte”, conclui o dirigente.