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5 mil famílias da Reforma Agrária doam 200 toneladas de alimentos no Paraná

Os 20 assentamentos e acampamentos envolvidos formam o maior complexo da Reforma Agrária da América Latina.

Publicado: 22 Julho, 2020 - 09h42 | Última modificação: 22 Julho, 2020 - 09h51

Escrito por: MST-PR

Crédito Jaine Amorin / MST-PR
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No Dia Internacional do Agricultor e da Agricultora Familiar, comemorado neste sábado (25), 5 mil famílias camponesas de assentamentos e acampamentos da Reforma Agrária do Paraná preparam a doação de aproximadamente 200 toneladas de alimentos. Os agricultores vivem em 20 comunidades, espalhadas em 7 cidades da região central do estado, que formam o maior complexo da Reforma Agrária da América Latina.

A distribuição dos alimentos será voltada a moradores de bairros mais vulneráveis das cidades de Laranjeiras do Sul, Rio Bonito de Iguaçu, Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Porto Barreiro, Goioxim, Cantagalo, e em sete comunidades da Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras.

A diversidade de alimentos frescos, colhidos direto da roça, hortas e pomares de famílias Sem Terra, marca a diversidade da produção feita pelas famílias camponesas. Arroz, feijão, abóbora, mandioca, fubá crioulo, legumes, hortaliças e frutas vão compor a sacola de alimentos que chegará até as famílias.

A ação faz parte da campanha nacional de solidariedade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que doou mais de 2.300 toneladas desde o início de abril. No Paraná, até o dia 18 de julho foram partilhadas 258 toneladas de alimentos. A iniciativa deste sábado será a maior realizada pelo movimento em um único dia.

Mutirão de solidariedade

União e solidariedade das famílias camponesas marcam a iniciativa, que envolve 20 comunidade, de 7 municípios: Laranjeiras do Sul, assentamentos 8 de Junho, Passo Liso, Bugre Morto, acampamento Recanto da Natureza; Nova Laranjeiras, assentamentos Xagu, Estrela, Coopcal; Porto Barreiro, acampamento Porto Pinheiro; Espigão Alto, acampamento Terceira Conquista (Solidor); Quedas do Iguaçu, assentamento Celso Furtado, Rio Perdido, e acampamentos Leonir Orback, Dom Tomás Balduíno, Vilmar Bordin, Fernando de Lara; Rio Bonito do Iguaçu, assentamentos Ireno Alves dos Santos, Marcos Freire, 10 de Maio, e acampamentos Herdeiros da Terra de 1º de Maio e Antonio Conrado.

Desde o início da pandemia, acampamentos e assentamentos de Quedas do Iguaçu, Laranjeiras do Sul, Rio bonito do Iguaçu já doaram 17 toneladas de alimento.

Em Curitiba, cerca de 7.800 marmitas foram produzidas por integrantes do MST e de organizações parceiras, e distribuídas a situação de rua e moradores de bairros da periferia. As refeições são produzidas todas as quartas-feiras e tem a maioria dos ingredientes alimentos vindos de comunidades do Movimento, de várias regiões do estado. Também foram produzidas e distribuídas 600 máscaras de tecido.

De latifúndio grilado a comunidades de fartura

As terras de onde hoje milhares de famílias camponesas produzem fartura de alimentos já estiveram sob domínio de um dono, a madeireira Giacomet Marodin, atual Araupel. Uma área de 83 mil hectares de áreas públicas, que abrange diferentes municípios da região, foi adquirida de forma grilada pela empresa em 1972.

Para denunciar e cobrar reforma agrária nas áreas griladas pela empresa, 3 mil famílias Sem Terra ocuparam parte do latifúndio em 17 de abril de 1996, em Rio Bonito do Iguaçu. O fotógrafo Sebastião Salgado eternizou o momento com o registro da marcha em que a multidão de agricultores cruzava as porteiras da fazenda.

Em agosto de 1997, o Incra formalizou a criação do maior assentamento Ireno Alves dos Santos, com 900 famílias - o do Brasil até 2002, quando foi criado em Quedas do Iguaçu o assentamento Celso Furtado, com 1200 famílias. Nos anos seguintes, novas acampamentos e assentamentos foram criados na região.

Em agosto de 2017, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) declarou nulos os títulos de propriedade da madeireira Araupel ocupadas pelo MST, confirmando a prática de grilagem. A determinação resultou de uma ação judicial movida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em 2014. Há dez anos, o Instituto contestava a validade dos títulos do imóvel localizado entre os municípios de Rio Bonito do Iguaçu e Quedas do Iguaçu.

Laureci Leal, integrante da coordenação do MST na região e assentado na comunidade 8 de Julho, em Laranjeiras do Sul, salienta a transformação ocorrida na região após a criação dos assentamentos e acampamentos. “Uma área emblemática, de produção apenas de eucaliptos e pinus, com geração de pouquíssimos empregos, marcada por violência contra trabalhadores, posseiros, com grande histórico de grilagem. Hoje é uma área da reforma agrária, com alta produção de alimentos”.