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1,5 milhão de trabalhadores domésticos perderam emprego durante a pandemia

Para a técnica da subseção do Diese da CUT, Adriana Marcolino, estudo mostra a falta de políticas públicas do governo Bolsonaro para proteger esses trabalhadores durante a pandemia do novo coronavírus

Publicado: 28 Abril, 2021 - 12h06 | Última modificação: 28 Abril, 2021 - 18h12

Escrito por: Redação CUT

Roberto Parizotti (Sapão)
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Entre o 4º trimestre de 2019 e o mesmo período de 2020, o total de trabalhadores domésticos caiu de 6,4 milhões para 4,9 milhões – menos 1,5 milhão de vagas, segundo estudo feito pelo Dieese, divulgado nesta terça-feira (27), Dia da Trabalhadora Doméstica.

De acordo com o levantamento, a média nacional do rendimento médio mensal dos trabalhadores domésticos caiu de R$ 924 para R$ 876. Houve queda em todas as regiões do país, exceto na Norte, que ficou estável. As trabalhadoras informais ganham 40% menos do que as formais, enquanto e as trabalhadoras negras recebem em média 15% menos.

Os dados do estudo intitulado “Trabalho doméstico no Brasil’, feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram a ausência do estado, a falta de políticas públicas do governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) para proteger os trabalhadores durante a pandemia do novo coronavírus, analisa a técnica da subseção do Diese da CUT, Adriana Marcolino.

“A falta de políticas públicas adequadas para a proteção de todas e todos está fortemente presente nesses dados. Quando falamos que as medidas do governo federal não eram suficientes, não chegavam na ponta ou retiravam direitos, nos referíamos a esse cenário. Dissemos que a população em situação mais precária no mercado de trabalho seria a mais prejudicada”, afirma a técnica.

“As trabalhadoras domésticas estão inseridas nesse grupo: enquanto no geral o número de ocupados teve um recuo de -8,8% ao longo de um ano, entre as trabalhadoras domésticas esse recuo foi de -23,4%”, completa Adriana.

De acordo com o Dieese, no periodo analisado, o número de ocupados no Brasil caiu de 94,5 milhões para 86,2 milhões. A perda de 8,3 milhões de postos de trabalho representa queda de 8,8%, a que Adriana Marcolino se referiu.

Do total de ocupados no trabalho doméstico, 92% são mulheres, das quais 65% são negras.

Carteira assinada e INSS

Entre o 4º trimestre de 2019 e o mesmo período de 2020 o total de trabalhadores domésticos com carteira assinada caiu de 1,6 milhão - 27% dos trabalhadores do setor – para 1,1 milhão, o que representa 25% da mão de obra no setor. A proporção dos empregados do setor que contribuíam com a Previdência Social também diminuiu, de 37,5% para 35,6%.

O estudo revela ainda que em todas as regiões do país, com exceção da Sul, aumentaram as domésticas chefes de família. Elas eram 51,2% das trabalhadoras em 2019 e passaram a 52,4% em 2020. O Nordeste tem o índice mais alto, que chegou a 54% em 2020, depois de ter 51,6% no ano anterior. Na região Sul, o índice caiu de 53% para 50,7%.

Confira aqui os dados