• Kwai
MENU

Negociações Coletivas - PCDs

PCDs E A NEGOCIAÇÃO COLETIVA

A trajetória das cláusulas de defesa das pessoas com deficiência nas negociações coletivas mostra que a inclusão no trabalho e na educação é resultado do engajamento sindical. A CUT e suas entidades transformaram em pauta concreta temas que por muito tempo ficaram deixadas em segundo plano: reserva de vagas, readaptação profissional, acessibilidade, teletrabalho, equipamentos adaptados, apoio a dependentes com deficiência e proteção contra dispensas que esvaziam a política de cotas.

O que essa linha do tempo revela é uma sucessão de conquistas nas negociações coletivas. Primeiro aparecem cláusulas de amparo financeiro às famílias e de cobrança do cumprimento das cotas legais. Depois ganham força medidas de readaptação, abono de ausências para manutenção de aparelhos, reembolsos terapêuticos e regras de acessibilidade. Mais recentemente, avançam políticas de teletrabalho adaptado, inclusão arquitetônica e proteção do direito à educação de estudantes com deficiência. Em conjunto, essas vitórias mostram que a organização sindical cutista teve papel decisivo para transformar inclusão em direito concreto.

2006 a 2009 | Auxílio às famílias, cotas e primeiros mecanismos de inclusão

Entre 2006 e 2007, em Mato Grosso do Sul, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica no Estado de Mato Grosso do Sul (SINERGIA-MS) conquistou auxílio mensal específico para trabalhadores com filhos com deficiência, equivalente a 70% do piso salarial da categoria, sem limite de idade. Também em Mato Grosso do Sul, entre 2007 e 2008, a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins do Estado de Mato Grosso do Sul e sindicatos filiados (FTIA-MS) incorporou à convenção coletiva a obrigatoriedade de reserva de 2% a 5% dos cargos para pessoas com deficiência e reabilitados, dando força coletiva à Lei de Cotas.

No mesmo período, em São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Campinas (STIEEC) foi além do mero cumprimento formal das cotas e garantiu programa de ação afirmativa voltado à contratação e qualificação remunerada de pessoas com deficiência, com jornada de estudos, custeio de treinamentos e efetivação no quadro. Na Bahia, o Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Químico/Petroleiro do Estado da Bahia (SINDQUÍMICA) assegurou reembolso mensal para cobrir assistência, educação especializada, fisioterapia e locomoção de filhos com deficiência. Em Minas Gerais, o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Minas Gerais e outros (SINTTEL-MG) conquistou reembolso mensal para educação especial e terapia infantil para crianças com deficiência.

Entre 2008 e 2009, novas vitórias ampliaram esse campo de proteção. No Paraná, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Curitiba (SEEB/CTBA) garantiu a readaptação profissional de empregados que, por doença ou acidente, passassem a ter deficiência ou incapacidade para retornar às funções originais. Em Santa Catarina, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas no Estado de Santa Catarina (SINTTEL-SC) conquistou duas cláusulas importantes: a proibição de dispensa de trabalhador com deficiência sem reposição da vaga por outro profissional nas mesmas condições legais e o abono do tempo gasto para manutenção ou regulagem de aparelhos ortopédicos; além disso, garantiu subsídio específico, sem coparticipação, para dependentes com deficiência e comprometimento intelectual.

Ainda entre 2008 e 2010, em São Paulo, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo (SEEB-SP) conquistou regra firme contra o esvaziamento das cotas, proibindo a dispensa de trabalhador com deficiência sem contratação imediata de substituto em condição equivalente. Em Pernambuco, o Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco (SINTTEL-PE) assegurou reembolso mensal para despesas com filhos com deficiência e permitiu que esse valor também pudesse ser usado para pagamento de guarda quando não houvesse instituição especializada na localidade. Em Roraima, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Roraima (STIURR) conquistou auxílio de 1,5 salário mínimo por filho com invalidez permanente e reembolso de 60% das despesas com tratamentos e instituições especializadas para dependentes com deficiência. Em Minas Gerais, o SINTTEL-MG assegurou na negociação daquele ano o reembolso de despesas de educação e saúde para filhos com necessidades especiais.

2009 a 2014 | Readaptação, reabilitação e proteção continuada

Entre 2009 e 2010, no Espírito Santo, o Sindicato dos Trabalhadores em Entidades Sindicais no Estado do Espírito Santo (SINTESES) conquistou proteção para requalificação e readaptação adequada do trabalhador lesionado ou acometido por deficiência decorrente de doença ocupacional ou acidente. Na construção civil capixaba, os Sindicatos de Trabalhadores da Construção Civil do Estado do Espírito Santo (SINTRACONST) também asseguraram que empregados com sequelas fossem absorvidos, requalificados e readaptados em funções compatíveis após alta do INSS.

Entre 2010 e 2011, a categoria bancária garantiu diretriz para programas de reabilitação e realocação profissional em bancos, com comitês multidisciplinares voltados à inserção segura de empregados com limitações permanentes. No Espírito Santo, o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Espírito Santo (SINDAEMA) assegurou auxílio mensal contínuo por filho com deficiência, sem limite de idade.

Entre 2011 e 2012, em São Paulo, com abrangência nacional, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro e entidades sindicais da base conquistaram subsídio sobre a coparticipação de medicamentos para trabalhadores em situação de saúde crônica ou degenerativa, proteção que também alcança situações de incapacidade duradoura. Na Bahia, o SINDQUÍMICA-BA conseguiu negociar o aumento do auxílio financeiro semestral, atrelado a 30% do piso salarial, para amparo de filhos com deficiência.

Entre 2012 e 2014, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF) conquistou a extensão contínua do auxílio-creche/babá para filhos com deficiência, derrubando o limite etário que restringia esse apoio. No mesmo ciclo, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Ribeirão Preto e Região assegurou duas medidas importantes: o custeio integral da coparticipação financeira de medicações em casos de doenças crônicas e degenerativas e o abono de ausências de trabalhadores com deficiência para aquisição, reparo ou manutenção de ajudas técnicas.

2018 a 2020 | Acessibilidade, permanência e apoio terapêutico

Entre 2018 e 2020, em São Paulo, a Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da CUT no Estado de São Paulo (FEM-CUT/SP) acumulou três vitórias relevantes. A primeira fomentou a inclusão de pessoas com deficiência por meio do Sistema de Emprego Apoiado e de diálogo entre empresas, sindicatos e entidades especializadas. A segunda determinou que empresas incorporassem critérios de acessibilidade arquitetônica em reformas, ampliações e novas edificações. A terceira reafirmou a necessidade de acessibilidade logística e estrutural nas plantas industriais para garantir circulação e trabalho em condições adequadas.

No mesmo período, na Bahia, o SINDIQUÍMICA conquistou um dos benefícios mais robustos do período: auxílio financeiro mensal para terapias e cuidados especializados de filhos e menores sob tutela com deficiência, incluindo expressamente famílias homoafetivas entre as beneficiárias. A cláusula mostra como a negociação coletiva passou a combinar inclusão da pessoa com deficiência com proteção mais ampla às diferentes formas de família trabalhadora.

2021 a 2025 | Teletrabalho adaptado e inclusão na educação

Entre 2021 e 2022, no Rio Grande do Sul, a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (FETRAFI-RS) conquistou prioridade de opção pelo teletrabalho para pessoas com deficiência, com custeio de suportes tecnológicos e adaptações necessárias. Entre 2021 e 2023, também no Rio Grande do Sul, o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (Sind Bancários POA) garantiu preferência no acesso ao teletrabalho e fornecimento de maquinário e equipamentos adaptados às condições do trabalhador com deficiência.

Em 2025, em Maceió, Alagoas, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (SINTEAL) aparece ligado a uma vitória importante no campo educacional. Após pressão sindical e mobilização de famílias atípicas contra portaria municipal que ampliava o número de estudantes com TEA por Profissional de Apoio Escolar, a Secretaria Municipal de Educação reviu a regra e republicou a norma garantindo um profissional de apoio por aluno com nível 3 de suporte.

A luta sindical e a inclusão das pessoas com deficiência

A história das negociações coletivas mostra a expansão contínua dos direitos das Pessoas com Deficiência (PcD), iniciada com foco em suporte financeiro, reserva de vagas e fiscalização de cotas.

O avanço sindical garantiu, em seguida, a readaptação profissional, proteção contra demissões discriminatórias, reembolso de despesas terapêuticas, manutenção de ajudas técnicas e extensão de benefícios sem limite etário. Recentemente, a atuação sindical impulsionou a acessibilidade arquitetônica, o fornecimento de equipamentos adaptados, a prioridade no teletrabalho e a defesa do direito à educação inclusiva.

A conclusão é que a organização sindical transforma a inclusão de PcD de promessa em realidade concreta, materializada em cláusulas, benefícios e adaptações. As vitórias das entidades da CUT comprovam o papel central da ação sindical na garantia de acessibilidade, permanência no emprego e proteção das pessoas com deficiência e seus familiares.

 

Baixe em PDF. Clique aqui.

carregando