Temer acaba com a Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais
Publicado: 07 Outubro, 2016 - 00h00
Mais uma vez os direitos das mulheres são atacados por este governo golpista. Dessa vez o alvo são as mulheres rurais.
Seguindo sua agenda de retirada de direitos, o governo golpista de Michel Temer acabou com a Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais, uma das principais revindicações na luta pela implementação de políticas públicas especifica para as mulheres do campo, floresta e das águas desde o ano 2000. Sua criação em 2003 se deu em resposta as reivindicações da 2° Marcha das Margaridas e foi um marco na construção e implementação das políticas públicas para as mulheres do campo, floresta e das águas tendo como base a valorização e o fortalecimento do importante papel das mulheres na agricultura familiar e no desenvolvimento rural com sustentabilidade, bem como o reconhecimento dessas mulheres como sujeitos de direto no meio rural.
As mulheres rurais são representadas: nas agricultoras familiares, assentadas da reforma agrária, assentadas do crédito fundiário, mulheres extrativistas, mulheres das águas, pescadoras artesanais, indígenas, mulheres quilombolas, quebradeiras de coco, geraizeiras, mulheres faxinalenses, mulheres caiçaras, pantaneiras, mulheres pertencentes às populações de fundo e fecho de pasto, mulheres catadoras de mangaba, ciganas, pomeranas e retireiras do Araguaia.
São mais de 14 milhões de mulheres rurais de diferentes idades no meio rural, representando 48% da população destas áreas. Elas são responsáveis, em grande parte, pela produção destinada ao autoconsumo familiar e pelas práticas agroecológicas e reprodução de sementes crioulas, garantindo qualidade de vida na família e na sociedade, assim como no manejo ambiental adequado às unidades de produção familiares.
No Brasil, o direito das mulheres ao desenvolvimento rural foi incorporado na agenda pública estatal com a redemocratização, na década de 1980, em decorrência das lutas das mulheres rurais pela igualdade, pelo direito igualitário. Contudo, somente a partir de 2003 as mulheres rurais passam a ter um maior protagonismo nas políticas públicas de fortalecimento da agricultura familiar e acesso aos direitos.
Com a implantação da Diretoria de Política para as Mulheres Rurais as principais conquistas nesse período foram: o Programa Nacional de Documentação da Trabalhadora Rural com mais de 1,5 milhão de mulheres documentadas, o Programa de Apoio à Organização Produtiva de Mulheres do Campo, da Floresta, das Águas e das Marés, com 158.269 de mulheres que receberam apoio pelo o Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), o Pronaf Mulher, a Política Nacional de Agroecologia, o Programa de Apoio aos Quintais Produtivos, Fomento e apoio para as mulheres assentadas, as 57 Unidades Moveis de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres do Campo, da Floresta, das Águas.
Ao acabar com a Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais o governo golpista põem fim em todas as conquistas obtidas nos últimos anos e que possibilitaram as mulheres do campo, florestas e das águas melhorias significativas nas condições de vida e de trabalho e ainda, ignora a necessidade da existência da diretoria e seu importante papel na condução das políticas públicas especifica para as mulheres rurais. Sem políticas públicas que promovam e fortaleçam o trabalho das mulheres o Estado relega as mulheres às péssimas condições de vida e trabalho. Excluir as mulheres do campo das prioridades do Estado só reforça que esse governo branco, macho, rico e sem voto não tem compromisso algum com a inclusão. Ele tem lado e não nos representa.
Nenhum direto a menos!
Fora Temer!