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Artigo

Sim, nós temos convenção internacional de violência de gênero e assédio nos locais de trabalho

Publicado: 06 Julho, 2019 - 00h00 | Última modificação: 09 Julho, 2019 - 16h34

Foram anos de debates, disputas de ideias, conceitos, forma, conteúdo, muitas horas debruçadas sobre o texto guia e análise por todo o tripartismo. [governo, empresas e trabalhadores]

Avanços, recuos, chantagem, costumes religiosos se impondo sobre os nossos corpos e orientação sexual, palmas, pedidos de silêncios, xingamentos, vaias, mais debates, mais horas e horas de vôo de nossos países até a Suíça. Chegar cedinho para garantirmos nosso lugarzinho na mesa onde ficávamos em torno de 12 ou 13 horas por dia dentro da Sala XIX até 2018 e depois sala XVIII no Edifício E na Sede de ONU em Genebra.

Em 2009 começamos a pensar a coisa toda no movimento sindical internacional. Em 2014 levamos pra Organização Internacional do Trabalho (OIT).

“Muitas convenções para a classe trabalhadora. Chega. São demasiadas” palavras dos empregadores! Insistimos. Tivemos apoios de governos progressistas.

Em 2018 acordamos que teríamos Convenção e Recomendação, apesar do bloco africano ter se retirado pois não concordarem com a inclusão de LGBTQI como pessoas vulneráveis!

 Junho de 2019, após as respostas de empregadores, trabalhadores e trabalhadoras e governos aos informes da OIT que precedem a CIT (Conferência Internacional do Trabalho) fomos ao último debate. 

Apesar de todo o caos que estamos vivendo com o avanço da extrema-direita no mundo, com a América quase toda destruída pelas políticas de austeridade e retirada de direitos e no Brasil com Lula Preso Político, com uma Imprensa vendida, um Judiciário parcial, um Congresso perdido e descarado e o ex-militar esquizofrênico, somando a tudo isso um juiz que trabalha com a acusação, ainda assim isso o mundo amanheceu melhor.

Hoje (6 de julho) a França declarou que vai adotar a Convenção 190, contra a violência e o assédio nos locais de trabalho.

 Espanha foi o primeiro país a declarar. Reparem que são países com nomes femininos. Não é à toa né? Uma luzinha se acende no fim do túnel. Isso significa que todo o nosso trabalho valeu a pena. E que podemos sonhar com um mundo melhor, apesar de tudo! 
As nossas preocupações em não termos a aprovação no primeiro ano de adoção da Convenção pela OIT e isso fazer com que ela deixasse de existir já está fora de questão. Bora trabalhar agora pra que mais países adotem? Qual será o primeiro da América Latina? 

Também foi aprovada uma recomendação específica. Aqueles países que levarem o processo adiante deverão adotar políticas de sensibilização e uma legislação específica, com o objetivo de “proibir” a violência e o assédio no mundo do trabalho e estabelecer mecanismos de controle e sanções.

Antes de terminar agradecer às organizações internacionais e nacionais que apoiaram a ida de várias mulheres e alguns valorosos homens que não mediram esforços para finalmente gritarmos:

ALTO A VIOLÊNCIA DE GÊNERO E ASSÉDIO NOS LOCAIS DE TRABALHO!!!!
Sim, nós temos Convenção!!!!!