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Artigo

Os grandes projetos na Amazônia e os desafios de enfrentamento ao capital na região

Publicado: 31 Julho, 2021 - 00h00 | Última modificação: 31 Julho, 2021 - 14h39

Carmen Foro é Secretária-Geral da CUT

Nas últimas décadas, a Amazônia tem sido palco de grandes investimentos em obras de infraestrutura e para instalação de megaprojetos de mineração, energia e do agronegócio. Empreendimentos privados que, com o apoio dos governos estadual e federal, avançam com a lógica do mercado do capital transnacional sobre o território e o modo de vida das populações locais.

São iniciativas criadas para produzir riqueza fora da região, deixando para a população amazônica só os prejuízos sociais, ambientais e econômicos.

A Hidrelétrica de Tucuruí é um exemplo clássico. Veio, fez uma grande intervenção no rio, levando energia para outros lugares, não deixando nada para a região que só com muita luta dos movimentos sociais, sindicais e das comunidades tradicionais conquistou a energia elétrica.

Assim como a hidrelétrica, os empreendimentos do capital transnacional na Amazônia seguem essa mesma lógica. Chegam, desmatam, matam, cometem crimes ambientais irreversíveis e vão embora.

E neste momento em que temos um governo federal que não demonstra nenhuma vontade de proteger sua população, a situação fica mais difícil.

A ainda temos as prefeituras dos municípios atingidos pelas intervenções que estão com o orçamento esvaziado por conta da crise econômica que assola o país. Nesta situação, os prefeitos, em sua grande maioria, só pensam nas compensações financeiras. Mas a verdade é que isto é uma farsa, pois não há como compensar o incompensável.

Não há como compensar a interrupção de um rio, a extinção de espécies de peixe em regiões inteiras, os prejuízos ambientais, os conflitos agrários e o não reconhecimento dos direitos das comunidades tradicionais, como os ribeirinhos, quilombolas e indígenas.

São danos irreparáveis sobre populações já abandonadas, sem proteção das políticas públicas nas mais diversas áreas, como a educação, a saúde e o apoio à agricultura familiar.

Os desafios para nós, povos amazônicos e para todos neste país que defendem um novo modelo de desenvolvimento da região, é enfrentar essa lógica de mercado que já se mostrou predatório e não sustentável. Beneficia uns poucos, prejudicando gerações de famílias.

Está claro para nós que não há como se pesar entre a vida e o lucro financeiro. Os grandes projetos na Amazônia têm se mostrado como verdadeiras ferramentas de morte para os povos da região. Não apenas a morte física. Perder seu território também é uma forma de morrer. Perder o rio, os peixes também é morrer um pouco.

Penso que para nós, apesar das grandes dificuldades no próximo período, não nos resta outro caminho do que partir para o enfrentamento. Lutar e propor alternativas aos prejuízos a que somos submetidos ou, ainda, propor a suspensão das obras.

Temos que fazer ecoar nossas vozes, ampliar o alcance de nossa indignação para além do nosso território. Só assim, podemos continuar com a esperança de dias melhores para nossa Amazônia e seus povos.