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O ritmo do Carnaval será o de "Fora Bolsonaro"

Publicado: 26 Janeiro, 2021 - 00h00

Após as festas de final de ano, entramos com tudo na expectativa de se iniciar as festas de Momo, o carnaval. E esse ano como será o carnaval devido ao grande índice de contaminação pelo Covid-19 no Brasil, que tem as maiores festas de rua de todo o mundo?

Sim, o Carnaval no Brasil é uma festa mundial (pelo menos era antes da Pandemia). Roteiro turístico de foliões de diversos países do mundo, que desembarcam no país para se encaminharem para diversas cidades que têm o carnaval como festa tradicional. E também para o público interno, os brasileiros que aos milhões vão às ruas aproveitar a maior festa do planeta, que é a festa de Momo.

O Brasil tem uma indústria do carnaval que se dedica meses para construí-lo, gerando em diversos estados do país muitos empregos e renda para as pessoas que vivem e dependem desta festa e, assim que acaba um carnaval, a indústria já começa a se debruçar para preparar o próximo.

O principal exemplo de como algumas comunidades que dependem da festa e sofreram o impacto da não existência do carnaval da forma tradicional como acontece todos os anos é o Rio de janeiro.

No Rio de Janeiro dezenas de escolas de samba de diversos grupos principais, chamados de grupo A, secundários chamados de grupo B e ainda os grupos C ou de acesso entram na avenida todos os anos durante a festa de Momo. Algumas para terem a oportunidade de subir para o outro grupo enquanto outras, as grandes escolas do primeiro grupo, ou grupo A, se alternam em desfiles magníficos para poderem se manter no topo das escolas de samba do Carnaval do Rio. A Tradição do carnaval existe em diversos lugares, mas se consolidou também de forma única e cresceu bastante nos últimos anos em São Paulo, chamando a atenção da mídia tradicional que antes só dava espaço para as apresentações do Rio de Janeiro seu foco principal.

No inconsciente coletivo, ter uma escola samba do coração e defendê-la, chega a se transformar numa paixão tão grande como outra paixão nacional que mobiliza a afeição de dezenas de milhões de brasileiros: o futebol.

As escolas de Samba chegam a funcionar como grandes clubes estruturados, com diretorias, grandes barracões, atividades econômicas de manutenção durante o ano, como por ex. as feijoadas, festas, ensaios dentre outras atividades, de onde buscam os recursos para produzirem a magia do carnaval. E muitos estados com subsídios dos governos e das prefeituras. É um negócio e se estrutura como tal. Inclusive para poder atender à mídia televisa, São Paulo apresenta seus grupos principais na sexta e no sábado de carnaval enquanto no Rio de janeiro os desfiles são no domingo e na segunda-feira. Todos são transmitidos pela maior emissora do país, a Rede Globo. Esse caso descrito refere-se somente ao carnaval oficial das duas maiores cidades brasileiras.

Nas demais cidades do país a tradição se repete, mas de forma mais regional. Nessas localidades o carnaval ganha força mais nas áreas litorais, mas não há muitas as cidades dos estados de Minas Gerais, do interior do Nordeste e mesmo nos estados do sul (como algumas do estado do Paraná) que têm grandes festas de carnaval que reúnem centenas de milhares de pessoas.

Fora do circuito oficial do carnaval, mas por ter um grande potencial econômico se alastra pelas grandes cidades e também por todo o Brasil o carnaval de blocos. São dezenas de milhares de blocos. Alguns superfamosos que chegam a reunir mais de quinhentas mil pessoas. Esses blocos, inclusive, deram vez a novos eventos: os pré-carnavais, que tem como função serem chamarizes da folia de Momo. Segundo a organização desses blocos, são chamarizes que proporcionam de três a quatros apresentações e atividades pré-carnavalescas antes do carnaval oficial. Os blocos são também organizações da folia com perfil e organização comercial que deram certo. Tão certo que algumas inclusive acabam se consolidando com grandes eventos do calendário do pré-carnaval atraindo turísticas e pessoas de diversos lugares do Brasil e do mundo. Fazendo com que milhares, senão milhões de turistas estrangeiros e brasileiros antecipem suas viagens para poderem participar desses blocos carnavalescos e pré-carnavalescos.

Porém, a pandemia de coronavírus fez com que muitas cidades do Brasil cancelassem ou transferissem o Carnaval. Mesmo os carnavais temáticos ou de protesto com a saída de blocos sofreu com a mudança desse calendário. Falo dos tradicionais blocos de carnaval que se espalham pelo Brasil inteiro. Como por exemplo, o Bloco de Carnaval da Central Única dos Trabalhadores do Paraná - CUT/PR, “Balança Povo Que o De Cima Cai!” que já tem uma tradição de quase duas décadas de desfiles, sempre às quintas-feiras que antecedem o Carnaval, e sempre traz para o seu Grito de Carnaval uma toada, através de sambas ou marchinhas que fazem a denúncia política do descaso do estado com a maioria da população e os temas que lhe são mais caros. Desde que surgiu o Bloco, já denunciou ditadura, massacre de professores, defendeu a Comissão nacional da Verdade, o fim das privatizações, defendeu a Petrobrás, os bancos públicos, pediu impeachment, defendeu a previdência, dentre outros temas sociais importantes. E esse ano não será diferente.

Claro, o Grito de carnaval da CUT não irá contrariar as posições políticas que construímos de defesa do que determinam as autoridades sanitárias, de defesa do isolamento social, dos cuidados necessários de higiene e asseio para evitar a proliferação do vírus (covid-19). Até porque, desde o primeiro momento de surgimento da Pandemia mundial de coronavírus a opção clara da CUT Paraná foi em defesa da vida, dos direitos e dos empregos das trabalhadoras e trabalhadores. Por isso, neste ano de 2021, nosso grito de carnaval será simbólico, de denúncia do descaso do desgoverno Bolsonaro com a saúde dos brasileiros e de como ele trata a pandemia mundial de coronavírus, com seu negacionismo peculiar, desacreditando a ciência e caminhando na contramão de tudo que os governos de países desenvolvidos e comprometidos com a ciência do mundo tem tomado como orientação para enfrentar a pandemia. Inclusive, sendo um dos únicos governos, junto com os EUA, que exala a mesma prática negacionista e ódio às minorias e de servidão ao deus mercado. Lógica que também prevalece nas hostes estaduais do governo Ratinho Junior que também se articula no sentido de dar ouvido apenas ao grande empresariado e a necessidade de desenfreada de lucro. Mesmo que isso que custe deixar o estado nas piores linhas das estatísticas do vírus no Brasil.

No Paraná de nada adiantou o esforço as centrais sindicais tentarem construir uma ação tripartite para se achar a forma menos trágicas de enfrentar essa doença. Mesmo conquistando na luta e nas mobilizações de pressão sobre o governo, para que se criasse uma comissão de crise de combate ao coronavírus. A Comissão foi criada por decreto do governo, porém, desde que foi criada em meados de outubro, ainda não teve a efetivação da sua composição e funcionamento, pois somente as centrais sindicais indicaram seus nomes. A Secretaria de Saúde do Governo Ratinho, que é a responsável pela coordenação, até agora não fez nenhuma reunião dessa comissão, o que demonstra como esse governo quer enfrentar a pandemia, ou seja, de mãos dadas somente com o empresariado que banca os nos processos eleitorais de tempos em tempos. A outra parcela significativa da população, que é composta por trabalhadoras e trabalhadores que aos olhos do governo e dos patrões podem se expor diariamente em seus postos de trabalho ou nos transportes coletivos para poderem chegar aos seus postos de trabalho, enquanto o empresariado e os patrões se deslocam no conforto dos seus carrões importados, sem a ameaça do vírus que circula pelas aglomerações.

Assim, o grito de carnaval da CUT de 2021 terá toda uma organização e uma divulgação de sua pauta para envolver nossas entidades, sindicatos, federações e o movimento social, que sempre acompanham a CUT/PR nessa data festiva, motivados pelo Fora Bolsonaro. E essa será nossa tarefa este ano: construir um grito de carnaval que respeite todas as medidas de segurança que alertam as autoridades sanitárias. Mas ciente que está em nossas mãos, das trabalhadoras e trabalhadores, construir as condições objetivas para apear o esse desgoverno que foi fruto do golpe de 2016 do poder, porque sua lógica de massacre de classe está em curso, sustentada pela política econômica do ministro Paulo Guedes e do capital estrangeiro e o grande capital nacional que acham que a entrega dos todos os nossos direitos, que aconteceram pelas terceirizações, pelas reformas trabalhistas e previdência foram muito tímidas e precisam ser aprofundadas. E os que elaboram esse pensamento neocolonial que serve como base do desgoverno do presidente Bolsonaro. Eles só não tiveram maiores êxitos ainda para deixar o mundo do trabalho ainda pior para a classe trabalhadora, por causa da resistência de classe que se organiza ainda no Brasil, em defesa da vida, em defesa dos direitos, contra as privatizações das nossas estatais e dos bancos públicos. Enfim contra o desmonte do Estado. Setores que defendem o Sistema Único de Saúde e o serviço público.

E para evitar tudo isso é fundamental que tenhamos uma marchinha ou samba de carnaval da CUT/PR do “Bloco Balança Povo que o De Cima Cai!” que levante e aponte para toda sociedade essas denúncias e coloque no centro das atenções o pedido de impeachment de Bolsonaro e da sua necropolítica do atraso e do retrocesso. Assim, é fundamental darmos visibilidade nas redes de nossos sindicatos e federações ao tema do grito de Carnaval da CUT Paraná. Para que possamos, como fazemos todos os anos de uma forma lúdica e politizada, alegrar o grito de carnaval das trabalhadoras e trabalhadores.

Fora Bolsonaro! Viva a Classe Trabalhadora!

 

Márcio Kieller

Presidente da CUT/Paraná e mestre em sociologia pela Universidade Federal do Paraná - UFPR