O fiasco Conlutas-Intersindical em Santos
Publicado: 06 Julho, 2010 - 00h00 | Última modificação: 18 Setembro, 2014 - 16h45
“As tentativas sectárias de criar ou manter pequenos sindicatos ‘revolucionários’ como uma segunda edição do partido significa, de fato, a renúncia à luta pela direção da classe operária. É necessário colocar aqui um princípio inquebrantável: o auto-isolamento capitulador fora dos sindicatos de massa, equivalente à traição da revolução, é incompatível com a militância na IV Internacional.
(...) Preparar-se para a revolução significa, para os sectários, convencerem-se a si mesmos das vantagens do socialismo. Propõem voltar as costas aos "velhos” sindicatos, isto é, às dezenas de milhões de operários organizados, como se as massas pudessem viver fora das condições da luta de classes real! Permanecem indiferentes à luta que se desenvolve no seio das organizações reformistas, como se pudéssemos conquistar as massas sem intervir nesta luta!”
(Programa de Transição, Leon Trotsky, 1938).
A Conclat convocada pela Conlutas e Intersindical para constituir uma nova entidade “combativa e de esquerda” diante da “morte da CUT”, revelou-se um verdadeiro fiasco.
O evento explodiu depois da votação do nome da entidade, “Conlutas-Intersindical. Central Sindical e Popular”, por uma maioria de 60-65%. Os delegados ligados à Intersindical abandonaram o plenário, denunciando o hegemonismo da Conlutas!
Terminada essa fracassada Conclat, um documento da direção da Conlutas afirma que a retirada daqueles delegados provocou uma “derrota”, mas, linhas abaixo, diz que vai aplicar as deliberações do congresso. Vai constituir a tal Central Sindical e Popular, cujo próprio nome confunde o papel dos sindicatos de trabalhadores na luta de classe contra o patronato e o Estado burguês, ao dissolvê-los numa organização comum com entidades estudantis e movimentos populares, ao gosto dos “modernos” revisores do papel da classe trabalhadora, para quem tudo é “sociedade civil”.
O racha em torno do nome foi apenas o ponto alto (ou baixo) de um congresso que não adotou nada de concreto para ajudar a luta da classe trabalhadora, foi um torneio verbal sobre quem era mais “combativo”.
Não duvidamos que há companheiros e companheiras, tanto na Conlutas como na Intersindical, que buscam honestamente encontrar o caminho das grandes massas trabalhadoras, de cuja ação vai depender qualquer processo revolucionário no Brasil, como acontece no resto do mundo.
Hoje, esses companheiros e companheiras, frustrados, devem estar se perguntando: como é possível tanta fragmentação e falta de perspectiva entre aqueles que se auto-proclamam “combativos” e “revolucionários”?
Para nós, sindicalistas ligados à Corrente O Trabalho, que combatemos no movimento sindical cutista com uma política independente, por considerar a CUT uma conquista da classe trabalhadora brasileira e não propriedade da uma corrente (hoje, a majoritária Articulação Sindical), a explicação de fundo para esse episódio não pode ser encontrada em acusações fáceis de hegemonismo de uns ou de oportunismo de outros. Ela está na passagem do Programa de Transição que reproduzimos acima.
Com efeito, virar as costas para organizações de massa construídas pela própria classe para sua luta, equivale a abandonar milhões à influência de dirigentes que se pretenderia combater, e isolar-se num gueto de “combativos” que se entredevoram.
A perda da referência no grosso da classe e seu atual estágio de consciência (o que inclui as suas ilusões), acabando por jogar um papel não apenas divisionista e destruidor das organizações sindicais, mas desagregador também dos grupos políticos e correntes sindicais que seguem nessa via.
É isso que, em última instância, explica o impasse permanente de operações como essa de “unificação” da Conlutas com a Intersindical. Ao contrário de abrir uma via para as amplas massas – a classe operária que, depois de 8 anos de governo Lula, estaria supostamente madura para trocar a CUT por outra coisa “mais combativa” - elas acabam separando companheiros e companheiras valorosos do grosso dos trabalhadores.
Isso não quer dizer que não há problemas na CUT, evidentemente que eles existem.
De nossa parte buscamos através de uma linha de luta pela frente única dos trabalhadores – quer dizer, de diálogo e iniciativas concretas pelas reivindicações mais sentidas da classe, além da disputa política no seu interior -, preservar a CUT como organização independente de qualquer governo, na luta pela Redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução de salário, a Retomada do monopólio do petróleo para a Petrobras 100% estatal, e a Retirada das tropas brasileiras do Haiti, entre outras bandeiras adotadas pela central.
E acreditamos que seria de enorme importância que esse combate fosse reforçado por outros companheiros.
É tempo de refletir e tomar decisões. O caminho do auto-isolamento sectário só levará a novas e seguidas divisões, as quais a classe trabalhadora assistirá com uma indiferença cada vez maior.
O caminho das massas é a intervenção nas organizações que a classe construiu com sua luta, com suas greves e mobilizações, como é o caso notadamente da CUT.