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O esquenta para o impeachment começou

Publicado: 09 Fevereiro, 2021 - 00h00

Aconteceram no Brasil, durante o final de semana intensas manifestações, através de bicicletadas e carreatas e, em alguns lugares megacarreatas, para demonstrar que o país não está feliz com as irresponsabilidades do desgoverno Bolsonaro e foi às ruas pedir o impeachment já de Bolsonaro.

Em todo o Brasil foram organizadas essas atividades de rua, respeitando a ciência e as orientações sanitárias, de muito álcool em gel, de afastamento social e o uso obrigatório de máscaras. E o movimento tem fortes motivos para isso:primeiro, pela alarmante posição negacionista que o governo insiste em manter, de não apoiar uma forte e vigorosa campanha de vacinação nacional. Pelo contrário, ainda insiste na apologia de remédios cuja eficácia para o tratamento do coronavírus é extremamente contestada pela ciência.

Segundo, pela inabilidade política do desgoverno Bolsonaro em diversas áreas, mas principalmente nas relações internacionais. Pois desde o início do mandato o governo expressa uma posição seguidista à política negacionista do EUA, posicionamento esse que no início da pandemia mundial de coronavírus que também foi seguido por outros países, a exemplo da própria Inglaterra, que vendo a gravidade da pandemia, mudou de posição e de postura ao enfrentamento do coronavírus. Isolando nessa posição atrasada, conservadora e negacionista apenas o EUA e o Brasil com acompanhamento quase que canino à política de Trump. E essa política demonstrou-se desastrosa, pois, se pegarmos somente esses dois países, o número de mortos pelo coronavírus ultrapassa os seiscentos e quarenta mil mortos nesta pandemia, num total de mais de 2.100.000 em todo mundo.

O desgoverno Bolsonaro, ou por fé seguidista mortal aos EUA em ideologizar tudo ou pela própria incompetência nas relações internacionais, ao invés de se utilizar da diplomacia para avançar em acordos que beneficiem o país, ainda mais quando o assunto são insumos para a produção de vacinas, vai na contramão e tenta ideologizar seu discurso dizendo que a vacina chinesa não entraria no Brasil, por ser vacina de um país comunista. Um argumento tão chulo quanto sem qualificação política, porque se dermos uma olhada na configuração geral do mercado e para a economia Brasileira veremos que o que predomina no Brasil são produtos e insumos vindo da China. Portanto cai por terra o argumento que é sustentado pelo desgoverno Bolsonaro. E ainda para agravar a situação política, seus filhos, que detém mandatos na esfera politica nacional, utilizam as redes sociais para reforçar o seguidismo doentio ao presidente psicopata americano Donald Trump, fortalecendo as fake news “de que o vírus fora criado na China” dentre outras asneiras propagadas pelas redes.

Porém, o fato agora é que a China tomou uma posição de dizer que não é prioridade mandar insumos para o Brasil, afinal o governo brasileiro, não sabe conduzir suas relações internacionais se não for explicitando o ódio de classes e a política seguidista que era implementada pelo presidente Donald Trump. E justo neste momento em que apareceu a vacina e que, se houver insumos que vem da China, ela pode ser produzida nos institutos públicos brasileiros, como o Instituto Osvaldo Cruz e o Instituto Butantã, ambos sediados em São Paulo, na capital.

Nesse sentido, as centrais sindicais brasileiras abriram canais para dialogar com a maior central Sindical Chinesa para que esta exerça pressão para demonstrar ao governo chinês que Bolsonaro não fala a língua universal dos que defendem a vida e a vacina, e peçam para que se reestabeleça a normalidade das relações internacionais e para que o Brasil e outros países de outros continentes possam receber os insumos chineses necessários para a produção em da vacina e quanto não à própria vacina chinesa, que esta coloca como uma das vacinas que comprovaram sua eficácia contra o vírus.

Outro fato importante destaca o que vem acontecendo a algum tempo que é a disputa política em torno da narrativa de quem tem enfrentado de melhor forma a pandemia de coronavírus. De um lado o governador de São Paulo, que tem dialogado no rumo das principais lideranças mundiais e que ao lado da ciência apelam pelo cumprimento das orientações sanitárias emitidas pela Organização da Saúde – OMS, de manter isolamento social, de usar sempre o álcool em gel e utilizar sempre máscaras; nos casos de sociedades mais atingidas proporem políticas de “lockdown”, ou seja, de fechamento do comércio e de setores não essenciais da economia para abrandar os números de casos e desafogar os hospitais e centro de tratamento especializados do coronavírus. Por outro lado, o desgoverno federal, na pessoa de seu presidente, desde o início da pandemia chamando o vírus de “gripezinha”, dando o mau exemplo e causando aglomerações em locais públicos, indo a eles inclusive sem máscara, numa clara política de desincentivo do uso desse equipamento de proteção. Essa postura é clara no sentido de dar um recado de que não há perigo nas aglomerações e que o mercado precisa estar em funcionamento, senão os grandes empresários vão perder.

Essa postura política do Governo Bolsonaro de dar razão e voz somente para o mercado, já é conhecida da classe trabalhadora, porque foi após o golpe político de 2016, que se iniciou o desmonte de uma política econômica, primeiramente ainda sob o ilegítimo governo de Temer, que implementou a terceirização sem limites e a iniciou a reforma trabalhista. E com a ascensão do Bolsonaro fruto da disputa política eleitoral e com a tese implementada pelo Juiz que virou ministro que coordenava a Lava-Jato, Sergio Moro, que levou a destruição da indústria nacional e a entrega de grande parte de nosso patrimônio ao capital estrangeiro, contribuindo sobremaneira para a eleição de Bolsonaro em 2018. E após as eleições o que saiu das urnas e compõem hoje o Congresso Nacional gestam a política em nome do “deus” mercado que como super-ministro da economia, colocou Paulo Guedes um de seus paus mandados para fazer a política de desmonte do estado e a entrega das estatais e bancos públicos ser acelerada, através das privatizações. Aliada com a reforma trabalhista que desfigurou a Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT e também através da reforma Previdência que tirou a perspectivas de milhões de trabalhadores poderem se aposentar após contribuírem a vida inteira para a previdência.

Na questão da previdência o golpe foi para as futuras gerações, pois deixou o mercado de trabalho para as novas gerações muito mais complicado para possam se aposentar com a dignidade dos 100% da previdência. Porque terão que trabalhar por mais de 40 anos consecutivos. O que será quase impossível pela permissividade que a reforma aliada a reforma trabalhista impôs para quem vai entrar no mercado de trabalho e para muitos que já estavam, pois permite que haja trabalho intermitente, que dificulta a arrecadação da contribuição à previdência. Ou seja, mesmo sem a pandemia que, agravou muito a situação, a classe trabalhadora seria massacrada por esse desgoverno do empresário e do “deus”, que tem o como fantoches, Bolsonaro e Guedes.

Por isso no último sábado dia 23/01 as ruas gritaram através das buzinas das carreatas, que foram inúmeras pelo país inteiro, que querem a vacina para salvar vidas; que enquanto estivermos passando pela pandemia é urgente à manutenção do auxílio emergencial, para os mais necessitados que tiveram redução de salário por parte das empresas; que somente se aceitará a volta das aulas presenciais se for garantido a todas as professoras, professores, funcionárias e funcionários de escola as vacinação completa, em duas doses, para que se possa retornar aos locais de aulas presenciais com segurança; e para podermos garantir isso, somente a estrutura do SUS, que esse desgoverno Bolsonaro insiste em sucatear para privatizar, tem as condições objetivas para uma campanha de vacinação nacional que possa atender todo território brasileiro.

Como dissemos, sob essas bandeiras é que as ruas deram o recado ao desgoverno Bolsonaro e a sua politica de saúde negacionista e errática, que infelizmente vai na contramão mundial de como se combater a pandemia de coronavírus. A sociedade pegou o start da revolta com o desgoverno e esta apontando um calendário de lutas pelo impeachment de Bolsonaro. Pois somente com ele fora é que conseguiremos dar vazão as pautas políticas de defesa da Vida, dos empregos e dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores. Então o momento de ficar atendo ao chamado das ruas pela vacinação para todas e todos já, pela defesa da continuidade do auxilio emergencial, pois a situação política e econômica só se agrava. Enfim, para pressionar o próximo presidente da câmara federal para que coloque em votação o pedido de impeachment, para que possamos retornar à normalidade e o enfrentamento a pandemia como se deve, com respeito vida, a ciência, as regras sanitárias, sem ideologização das vacinas. E Somente com o impeachment isso será possível

VACINA PARA TODAS E TODAS JÁ! FORA BOLSONARO!

Marcio Kieller é Presidente da CUT – Paraná e Mestre em Sociologia Política pela Universidade Federal do Paraná - UFPR