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Artigo

O aprendizado além da sala de aula

Publicado: 22 Março, 2007 - 00h00

O papel dos funcionários da educação no universo educacional, sua organização funcional e seu papel no universo educacional

Se a luta pela manutenção do emprego atualmente ocupa um extenso espaço nos debates que fazemos no setor do funcionalismo, na educação, em particular, que tem por excelência a tarefa de educar, a frágua é ainda maior. Setor composto por duas categorias profissionais que convivem no mesmo espaço físico, apresenta à sociedade uma escala de valores que simplesmente desconsidera uma parcela significativa de trabalhadores.

Estamos tratando, sim, dos funcionários administrativos da educação, historicamente desvalorizados salarial e profissionalmente, e que sempre foram os grandes ausentes nas discussões nacionais, estaduais e municipais para a definição de uma política educacional, o que vinculava, necessariamente, nossa atuação como meros agentes executores de medidas impostas para o cotidiano escolar. O resultado sempre foi notório: um profundo estado de coma organizacional, fazendo com que suas respostas não ultrapassem a barreira do acréscimo de novas funções às velhas. Assim, o alardeado objetivo da melhoria do ensino não atingia esse segmento profissional, e fez com que as propostas de "mudanças" incorporassem apenas o caráter quantitativo, ou seja, número de alunos, porcentagens que serão empregadas no setor do Magistério etc.

Segundo as estatísticas apontadas pela Unesco, o Unicef e o Ibope, demonstram que os nossos alunos são os piores em leitura, lideram a repetência na América Latina, estão entre os 74% dos nossos analfabetos funcionais e justificam a existência de dezenas de programas paralelos, que se eternizam tentando ensinar jovens e adultos a ler, o que compromete em gênero, número e grau uma formação crítica e apta a encarar as mudanças impostas pelo "novo mundo".

Embora o governo do Estado de São Paulo tenha durante estes doze anos de gestão afirmado que a educação pública é o único caminho para o conhecimento, ignorou toda e qualquer denúncia sobre a baixíssima qualidade desta mesma educação e quais seriam as conseqüências de um projeto educacional que não reconhecesse os funcionários como uma verdadeira extensão do ensino, ou seja, um educador. Esta realidade imposta por desastrosas gestões políticas ultrapassou o espaço físico da escola e contaminou a sociedade, dificultando ainda mais a identificação dos funcionários como agentes do saber.

O fator limitador intrínseco nessa triste realidade que acompanha os funcionários da educação aponta o inadiável aperfeiçoamento dos debates junto à comunidade escolar, buscando uma realidade pactuária como cerne da escola cidadã. A sociedade é que deve definir o papel atribuído a uma escola financiada com os impostos que paga. A sociedade é que deve definir se a escola pública existe para promover igualdade de oportunidades ou para ser mais um "fio condutor" da exclusão social.

Todo este raciocínio trouxe à tona uma imperativa necessidade de mudança estrutural deste modelo, amparando propostas na organização nacional dos funcionários administrativos da educação e nas ações governamentais que resultassem em uma realidade que apontasse para o fato de a profissionalização dos funcionários assumir um caráter maniqueísta; ou seja, ou forma ou não há educação pública de qualidade e formadora de opinião.

Este deve ser o norte da mudança, pois avançar na profissionalização não significa apenas uma ascensão funcional. É preciso encarar este processo como uma inovação no setor educacional, rumando para um futuro em que todos os agentes envolvidos na educação ajam de maneira uniforme e sistemática.

A implantação do programa PROFUNCIONÁRIO do Ministério da Educação impôs de maneira justa e reparatória uma ação que elevou o discurso nas questões que comprometem os funcionários administrativos da educação. Mais ainda. Propõe a inversão da crudelíssima lógica de que o ato de educar trata-se de uma atividade restrita à sala de aula, o que resulta na certeza de que outros ambientes do universo escolar contribuem e muito na educação dos alunos e na preparação futura no comportamento em meio à sociedade.

Romper com uma rotina estabelecida há cerca de três décadas, que relegou os funcionários ao terceiro ou quarto "escalões" na estrutura educacional, é um grande desafio a ser enfrentado de maneira uniforme em todo os Estados e Municípios da Federação.

À medida que o mundo se aprimora, a mudança do papel da educação pública torna-se uma urgência inadiável. Sendo assim, a manutenção dos avanços apontados pelo PROFUNCIONÁRIO significa o aperfeiçoamento dos debates junto aos diversos governos, sejam eles estaduais ou municipais, à comunidade escolar, buscando uma realidade comprometida com uma sociedade justa e sem distorções sociais.