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Artigo

Memória, verdade e justiça: os 40 anos do golpe militar na Argentina

Publicado: 31 Março, 2016 - 00h00

Mais de 300 mil argentinos saíram as ruas da capital, Buenos Aires, para marcar os 40 anos do golpe militar no país, homenageando, dessa forma, a memória dos mais de 30 mil desaparecidos durante a ditadura (1976 a 1984). A visita do presidente dos EUA, Barack Obama, potencializou o protesto, uma vez que o império teve participação decisiva no apoio aos golpistas. Com faixas e cartazes, a população reforçou a defesa da democracia e disse um sonoro não aos retrocessos impostos pelo governo de Mauricio Macri.

Desde que o novo presidente tomou posse, em dezembro de 2015, o poder aquisitivo dos 10% mais pobres do país despencou 23,8%; o preço do gás aumentou mais de 300% e o da energia elétrica em 600%. Segundo estudo do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), a inflação anual chegou aos 35% em fevereiro - em março, a inflação foi de quase 5%. Macri também já demitiu mais de 24 mil funcionários públicos.

 Em mais uma medida de caráter neoliberal, o governo argentino irá desembolsar cerca de 12 bilhões de dólares para o pagamento de fundos especulativos – os chamados “Fundos Abutres” – declarados ilegais pela justiça do país e cortes internacionais. Segundo o ex-ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, artífice da reestruturação da dívida de 2005, o acordo é “ruim e extremamente caro".

A CUT, assim como várias centrais da região, reunidas na CCSCS (Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul) e centrais europeias convidadas, se somaram às centrais sindicais argentinas, a CTA dos Trabalhadores e a CGT, participando ativamente dos protestos ao lado da classe trabalhadora e do povo argentino. Não faltou solidariedade à luta democrática no Brasil.

Os atos da jornada nacional “Em defesa da Democracia, Golpe Nunca Mais” que acontecerão, aqui no Brasil, no dia 31 de março, também serão marcados pela denúncia do golpe que os mesmos setores abastados e reacionários da sociedade brasileira querem reeditar. Mais de 50 anos depois dos fatídicos acontecimentos de 1964, através do criminoso processo de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff, querem fazer a roda da história andar para trás impondo o retrocesso com a mesma pauta neoliberal implementada por Macri. 

Não vai ter golpe!