• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

Artigo

Mais de cinco mil mortes. Presidente, e daí?

Publicado: 30 Abril, 2020 - 00h00 | Última modificação: 30 Abril, 2020 - 16h11

Há exatos cento 102 anos o Brasil foi devastado e o mundo sacudido pela Gripe Espanhola. Estamos vivendo e enfrentando hoje, uma doença semelhante ou muito mais letal do que naquela época, quando não existia a mesma tecnologia, pesquisa e todos os conhecimentos que temos atualmente. A Gripe Espanhola varreu o Brasil, fez centenas de milhares de vítimas. A doença escancarou a situação precária e deficiente que vivia o país, sem saúde pública, não existiam hospitais públicos, as pessoas perambulavam e buscavam ajuda até nas delegacias. A “Peste Negra”, como foi chamada a doença, a mãe das pandemias surgiu na Europa, no Brasil, em meados de março de 1918 e foi até 1920, em três ondas.  Varreu mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, no Brasil, consta que 35 mil pessoas morreram entre Rio e São Paulo e em todo o país cerca de 300 mil pessoas, dentre elas até o Presidente do País, Rodrigues Alves, que tinha sido eleito e não chegou nem a tomar posse. Uma catástrofe sanitária sem precedentes em nosso país. A doença teria chegado a bordo dos navios que vinham da Europa. Segundo pesquisadores, a gripe acometeu 50% da população mundial.

Na época, o terror tomou conta das ruas e existem relatos que os corpos eram abandonados nos bondes, empilhados nas ruas e não tinham coveiros suficientes para sepultá-los, mesmo os cemitérios funcionando por 24 horas, existem publicações que informam: “os urubus sobrevoavam as casas nas periferias”. Na época, ocorreram medidas de isolamento social também. Pouco ou quase nada os governantes e as autoridades aprenderam, a história se repete. As nossas autoridades deveriam ter pesquisado um pouco, pelo menos, do Brasil daquela época. Talvez não tivéssemos chegado nessa triste marca com mais de 5 mil mortes. Isto sem contar com as subnotificações, esse número pode ser três vezes maior. Ocorre que hoje, temos muito mais condições sanitárias do que na época, além é claro do Sistema Único de Saúde e evidentemente o mundo está globalizado e as informações estão nas redes, muitas delas com livre acesso para apuração e pesquisas. Existem várias fontes: jornais, publicações, livros, estudos de pesquisadores, enfim, diversas formas de conhecimento, mas o governo não se preocupou com a população brasileira.

Mais de 5 mil mortes e daí? Sim essa foi a resposta, quando questionado sobre o Brasil ter ultrapassado o número de mortes da China o presidente do Brasil disse: e daí? Lamento. Quer  que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre. Senhor presidente, os brasileiros não querem milagres, querem respeito, querem ser tratados com um mínimo de dignidade, coisa que o senhor não sabe o que é, nunca soube nem durante os 30 anos que foi parlamentar, nada fez para o povo. Aliás, vamos ser muito sinceros, o senhor é um desastre, uma vergonha e não há nenhuma forma de esconder isso. O senhor explicita a sua incompetência e irresponsabilidade o tempo todo para o povo brasileiro e para o mundo que está preocupado e perplexo com as suas atitudes.

Vamos colocar os pingos nos is, a OMS Organização Mundial da Saúde decretou estado de Pandemia mundial pelo Coronavírus em 11 de março de 2020, quando já somavam mais de 118 milhões de casos ao redor do mundo e 4.291 mortes, vítimas da Covid-19. Obviamente o Presidente, os governantes, as autoridades de saúde foram alertadas muito antes desse período. Precisamos entender porque nada foi feito, porque os hospitais não foram equipados, ampliados e os equipamentos necessários para a segurança dos profissionais de saúde não foram adquiridos antes. Se a doença já tinha passado por outros países, levado milhares de pessoas, por quê o Governo brasileiro e as autoridades foram tão negligentes?

Quando os governos de São Paulo e Rio de Janeiro decretaram as primeiras medidas de isolamento social, com fechamento de escolas, shoppings, comércio de rua, cinemas, teatros e demais espaços, só permitindo os serviços essenciais, começaram os primeiros entraves vindos do Governo Federal, que tentou a todo custo minimizar a pandemia. Estou sendo elegante, porque na verdade o senhor Presidente desdenhou e passou a agredir os governadores de São Paulo e Rio de Janeiro. Foram ataques e mais ataques, afora as fake news e os bolsominions fazendo carreatas, alimentados pela sua ignorância, pelo seu ódio exacerbado e desprezo às leis, além é claro dos empresários irresponsáveis que também passaram a pressionar seus empregados e evidentemente os governos para o fim do isolamento social.

O Governo Federal age como um moleque, faz questão de se colocar publicamente, cumprimentando as pessoas, fazendo fotos, visitando e criando aglomerações desnecessárias, pior, agindo de forma arbitrária, abraçando e se posicionando contrário às orientações da OMS. O Governo passa então a fazer uma campanha contra o isolamento e pela reabertura do comércio, porque a economia não pode parar. Critica, ataca o tempo todo os governos que estão fazendo a manutenção das medidas de segurança e as orientação da OMS. De forma perigosa,  irresponsável e evidentemente criminosa, tenta colocar em risco a vida da população. Com dinheiro público mandou fazer uma campanha: o “Brasil não pode parar”, após várias denúncias o STF suspendeu a veiculação da campanha. Mas os ataques, as entrevistas, os passeios, os apertos de mão continuaram até a demissão do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que embora seja um homem de extrema direita, estava agindo como médico e a sua atuação em favor do cumprimento das orientações da OMS era até então impecável. Foi demitido exatamente porque a sua atuação não coadunava com os interesses do Presidente.

É muito fácil para os empresários, os patrões, serem contra o isolamento social, eles não precisam sair de suas confortáveis residências, se vão às ruas, saem nos seus carrões, certamente os Planos de Saúde que possuem, são na modalidade TOP, assim é muito simples e fácil. Podem fazer toda a pressão, carreatas e outras formas de manifestação, como fizeram os empresários de Campina Grande, que obrigaram seus empregados, se ajoelhar para pedir a reabertura dos comércios. Uma triste imagem que correu o Brasil e o mundo pelas redes sociais. Eles não precisam pegar ônibus ou metrô lotados, eles não precisam se expor, mas os seus empregados sim, estes que na sua grande maioria ganham salário mínimo e precisam desse salário para sobreviver, podem se arriscar, podem até morrer. Infelizmente é assim que pensam o Presidente e muitos dos empresários mesquinhos e vil desse país.

E daí se morreram mais de 5 mil pessoas? E daí se morrerão 20 ou 30 mil pessoas? A maioria são idosos, são trabalhadores, são pobres e daí, entre outras palavras. Foi isso que o Presidente disse no seu “e daí”, depois, quando soube que foi ao vivo tentou corrigir, tentou ajustar. Salafrário, bandido, não merece ocupar o posto que ocupa, não parece nem ser gente, porque uma pessoa, com o mínimo de humanidade, jamais responderia da forma que respondeu, desdenhando da dor e sofrimento de milhares de famílias, ainda mais em se tratando do Presidente do País. E os brasileiros jamais deveriam agir como agem, engolindo, aceitando e alguns até achando engraçado.

O que será do povo brasileiro com um presidente fascista, que ignora os riscos de uma pandemia mundial, uma doença altamente contagiante e de um Ministro da Saúde, que mais parece uma múmia e nada vai fazer em defesa da Saúde Pública, do SUS, nada está fazendo para evitar essas milhares de mortes. Não tem proposta, não tem consciência e nem apatia pela vida. O seu comportamento é de quem ignora o sofrimento alheio. Um médico não pode ignorar a dor e a morte.

Precisamos entender porque os brasileiros não se levantam, porque abaixam tanto a cabeça. Porque não reagem. Não quero arriscar, mas, talvez, uma resposta venha dos anos de escravidão, este país foi o último a libertar os seus escravos, as elites desse país são escravocratas, ainda carregam o chicote na mão. Portanto, está no DNA do nosso povo a submissão, a servidão e o flagelo.

Por todos aqueles que perderam a vida pela Acovid-19, as mais de 5 mil mortes, por todas as mortes subnotificadas, que podem triplicar os atuais números, pelos familiares que perderam seus entes, que sofrem, nós, que somos solidários, estamos aqui, choramos, rezamos e pedimos luz e justiça.

Para o Governo Fascista: #ForaBolsonaro, #ForaGovernoBolsonaro, e dai?  

 

Virginia Berriel
Jornalista RJ 22913 JP