Greve pelo Piso visa a defesa da educação
Publicado: 29 Agosto, 2007 - 00h00 | Última modificação: 02 Setembro, 2014 - 18h04
A decisão da CNTE de marcar para dia 29 paralisação nacional dos trabalhadores em educação em favor do Piso Salarial Profissional Nacional visa, na verdade, assegurar conquista que se reflete diretamente sobre a qualidade da educação e, conseqüentemente, sobre o futuro das próximas gerações e do PaÃÂs.
Diversas pesquisas da CNTE mostraram que, apesar de a questão salarial ser considerada importante, até mesmo pelos pais de alunos, os trabalhadores em educação nunca a colocaram isoladamente de outras polÃÂticas inerentes àqualidade do ensino, dentre as quais, a formação inicial e continuada dentro de uma concepção de carreira profissional, o que nos coloca, como categoria, em situação extremamente confortável para assumirmos o protagonismo das lutas em defesa e promoção de uma educação pública, gratuita e de qualidade na qual, finalmente, a questão salarial se insira.
Chegado, porém, o momento de o governo acertar suas contas com nossos contracheques, o que vemos é uma tentativa de consolidar uma polÃÂtica salarial inadequada ao PaÃÂs. Nossa greve, portanto, tirará proveito das aulas públicas que serão organizadas em todas as cidades para explicar àpopulação a importância de defendermos a proposta de criação do Piso Salarial Profissional Nacional conforme o parecer do relator, deputado Severiano Alves (PDT-BA).
Aprovado como está, o projeto representará uma efetiva melhoria nas condições de vida e trabalho de uma categoria responsável pela garantia de um direito humano e social básico para todos os outros direitos. Não é por outro motivo que, a exemplo da manifestação da CUT no último dia 15, aproveitaremos a greve para insistir na defesa dos mesmos pontos, entre os quais a manutenção do veto do Presidente Lula àEmenda 3, a retirada imediata do PLP 01/2007, a mudanças na polÃÂtica econômica, o direito irrestrito de greve e contra o interdito proibitório, a garantia da negociação coletiva no serviço público e respeito total àorganização dos trabalhadores, a defesa da previdência pública para todos e a ampliação dos direitos, a reforma agrária e a implementação de incentivos àagricultura familiar; e a valorização da educação pública, que passa, necessariamente, pela valorização do educador.
É importante deixar claro que o projeto de lei 619/07 não se limita a indicar valores. Mas do que isso, estabelece uma polÃÂtica salarial que uma vez transformada se consolidará como um dos pilares da valorização profissional. Por isso, é fundamental que essa lei determine parâmetros razoáveis, caso contrário, nossa luta por um salário digno e compatÃÂvel com as responsabilidades de nosso trabalho se alongará.
A hora é agora. De novo, vamos lutar e vencer.