Febre azul e amarela
Publicado: 24 Janeiro, 2008 - 00h00
ImpossÃÂvel não associar, na memória, a recente incidência de febre amarela em alguns estados e regiões do paÃÂs, com a festa azul e amarela dos tucanos comemorando a extinção da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), pelo Senado, no final do ano passado, sob a liderança do senador amazonense Arthur VirgÃÂlio (PSDB/AM) e do ex-presidente "ressentido" Fernando Henrique Cardoso.
De um lado, as filas de milhares de pessoas buscando a vacinação, e de outro, os arrogantes oposicionistas chiques da elite - vociferando contra as iniciativas do governo para diminuir o rombo do financiamento da saúde pública -, falando desde mansões localizadas em praias exóticas do litoral brasileiro, bem distante das regiões interioranas acometidas pela incidência da febre.
ImpossÃÂvel também, foi não fazer, a mesma associação, no dia do Natal passado, ao assistir na TV e nos jornais a imagem de pacientes internados no Ambulatório do Hospital das ClÃÂnicas de São Paulo ("mantido" pelo governador tucano José Serra), espalhados em macas e calçadas nas ruas após a fuga acidentada de um incêndio que acometeu parte das instalações de utilidades do edifÃÂcio localizado no interior do maior complexo hospitalar da América Latina. As más condições de manutenção foram apontadas pela imprensa como as mais prováveis causas da ocorrência.
Por ironia da história, o Amazonas, estado do fiel escudeiro de FHC no Senado, Arthur VirgÃÂlio, está entre aqueles com maior risco de infecção da febre amarela, assim como o Goiás dos Senadores Demóstenes Torres (DEM), Lúcia Vânia e Marconi Perillo (ambos do PSDB) e, por maior ironia ainda, os estados de Roraima (do Senador Mozarildo Cavalcanti, do PTB) e de Rondônia (do Senador Expedito Júnior, do PR), os dois integrantes da base aliada do governo que votaram pela extinção de parte dos recursos da saúde pública de seus próprios Estados.
Essas são as pessoas que compõem o nosso Senado. Segundo nossa Constituição, os senadores são representantes dos estados e os deputados, do povo. Sem dúvida, os senadores que tomaram essa decisão, em momento algum pensaram no povo, até porque muitos chegaram lá não por meio dos votos, mas em razão da nossa legislação eleitoral, que permite que o primeiro e segundo suplentes assumam a vaga do senador afastado mesmo não tendo votos. Não por acaso, tais suplentes geralmente são os principais financiadores da campanha do senador.
Ironias a parte, o fato é que "vossas excelências" terão de se explicar junto àpopulação de seus estados. Também devem explicações os deputados, prefeitos e vereadores que integram os partidos desses senadores azuis e amarelos (cores do DEM e do PSDB). Deviam chamar àrazão tais senadores.