Em Direitos não se mexe
Publicado: 03 Abril, 2007 - 00h00
A polêmica Emenda 3, que integra a Lei da Super Receita (PL nú 6.272/05), significa o fim do registro em carteira, ou seja, dos direitos trabalhistas, como férias, 13ú, FGTS, licença maternidade entre outros, no Brasil. Não é exagero não, a medida proÃÂbe a fiscalização nos locais de trabalho e autoriza o patrão a contratar sem “vÃÂnculo empregatÃÂcio”, podendo propiciar àvolta do trabalho escravo. Isto será possÃÂvel porque sem fiscalização, as empresas e organizações poderão coagir os cidadãos a trabalharem de “graça”, em jornadas exaustivas, com péssimas condições de trabalho, sem segurança e baixas remunerações. Além disso, o trabalhador não terá opção, pois se sujeita a essa humilhante relação de trabalho ou vai para a rua, sendo substituÃÂdo, como se fosse uma peça desgastada e velha, por outra nova e mais barata.
Essa é a tradução da Emenda 3. Em outras palavras, é a polÃÂtica de “Estado MÃÂnimo” defendida pela cúpula tucana pefelista que hoje são os partidos de oposição ao governo federal e que tem apoio de segmentos da elite brasileira e de boa parte dos meios de comunicação de massa. A Emenda 3 não entrou em vigor graças ao bom senso e respeito aos direitos do ex-Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que emitiu um parecer desfavorável a sua implementação, e do presidente Luis Inácio Lula da Silva que discordou do projeto e vetou a medida.
Entretanto, o veto presidencial será submetido àvotação no Congresso Nacional, e é aàque mora o perigo. Sabemos que os principais defensores da Emenda 3 são o PSDB e o PFL, partidos do ex-presidente FHC e do governador de São Paulo José Serra – que costuram com a classe empresarial uma alternativa de derrubar o veto do presidente Lula. O jogo destes partidos conhecemos muito bem. Lembra do polêmico projeto de flexibilização do artigo 618 da CLT, que previa a negociação e redução dos direitos trabalhistas, apresentado no governo FHC? Então, a Emenda 3 é semelhante, ou diria pior do que aquele projeto nefasto, e faz parte da estratégia empresarial e dos partidos de direita de fazer de goela abaixo a reforma trabalhista.
Assim como conhecemos o seu jogo, eles também conhecem a nossa capacidade de organização e de mobilização. Graças ànossa pressão em conjunto com os movimentos sociais, na qual realizamos campanhas educativas junto àpopulação, manifestações e greves gerais, derrubamos o projeto de mudança no artigo 618 da CLT e, em 2003, o presidente Lula assumiu o compromisso de defender os direitos dos trabalhadores e o arquivou no Senado.
Agora vamos àluta novamente, e para defender e preservar os direitos do trabalhador, já realizamos, a CUT e as centrais sindicais, reuniões com os presidentes da Câmara e do Senado; faremos panfletagem de materiais visando conscientizar a população sobre os perigos nefastos da Emenda 3; convocaremos os movimentos sociais, a sociedade civil organizada e a população a se unirem em defesa desta causa, que é de interesse de todos nós. Se for necessário também faremos greves e paralisações em todos os setores.
Jamais admitiremos que se mexam ou destruam os direitos históricos conquistados com muita luta e mobilização dos trabalhadores. Esperamos que os parlamentares façam a sua parte e arquivem de uma vez essa Emenda 3 absurda e mantenham o veto presidencial. Defendemos que a votação, prevista para 20 dias, tenha o voto aberto e nominal. Esta é uma forma democrática e transparente dos trabalhadores e trabalhadoras conhecerem quem realmente têm compromissos com os seus interesses.